quinta-feira, 30 de julho de 2009

Doce Pecado

Dia perfeito. Meu filme preferido iria estrear mais uma de suas continuações. Combinei de ir ao cinema com uma amiga, a Marcela. Chegar cedo, enfrentar toda aquela fila e ser uma das primeiras a contemplar essa estreia. Minha ansiedade era tanta que nem consegui dormir direito. Aproveitei a noite em claro para escolher o look que eu iria vestir. Uma calça jeans nova que havia comprado na semana anterior, uma blusa rosa com uma alça super fofa e um salto preto super alto. Falei com Marcela no msn e ela disse que iria me esperar cedo na fila do cinema com seu namorado. O meu odiava aquele filme e preferia ficar em casa fazendo nada. Custava ele provar que gostava de mim de verdade e fazer essa força de me acompanhar? Enfim. Estava solteira naquela quarta-feira. Depois de enfrentar fila, gritar e me descabelar feito uma louca, finalmente entrei na sessão. Caramba, o filme foi perfeito. Marcela não assistiu nada. Ficou o tempo inteiro provando a saliva de Pablo e confesso que fiquei com um pouquinho de raiva por não poder fazer isso com André, naquele momento. Ao sair da sala, eis que me surge um menino alto, de mais ou menos 20 anos, barba por fazer, cabelo bagunçado, perguntando displicentemente o que eu havia achado do filme. Senti-me íntima e comentei horrores sobre a história. Fernando me olhava nos olhos e parecia acompanhar com atenção cada palavra dita por mim. Fomos tomar sorvete e ele me confessou uma coisa. Disse que já vinha me fitando desde a hora em que cheguei ao cinema e que não sairia dali se não fizesse uma coisa.
 
Na cabeça de toda garota de 17 anos, só passa uma coisa em um momento desses: “Esse garoto vai me beijar”. Que nada. Fernando puxou um colar do bolso e colocou em meu pescoço. Achei super estranho aquilo, mas foi muito melhor do que trair meu namorado. Eu queria ver como o colar havia ficado e pedi que Fernando me acompanhasse até o banheiro. Fomos lá e eu senti algo estranho em meu corpo. O colar havia ficado maravilhoso, mas meu corpo parecia estar diferente. Meus seios haviam aumentado, meu cabelo estava mais liso e eu sentia uma confiança tremenda em mim mesma. O que aquele garoto havia feito comigo? Não sabia explicar, mas eu precisava ter aquele cara imediatamente do meu lado. Sentia-me na necessidade de me entregar inteira a ele. Retoquei a maquiagem, saí do banheiro e lá estava ele me esperando, com aquele olho claro me olhando dos pés a cabeça. “Você está linda. Acompanha-me?!” “Claro, amor. Só se eu fosse a mulher mais burra da face da Terra para não acompanhá-lo.” Ele riu. Pegou em meus braços e sussurrou em meu ouvido tudo o que eu precisava ouvir naquela noite: “Você agora é toda minha” Era a única certeza que eu tinha. Marcela havia me ligado e eu a ignorei, dizendo que não poderia ficar mais. Fomos embora daquele aglomerado. Éramos só nós dois dentro daquele belo carro preto. Eu me sentia fraca, dominada e ele sempre com aquele olhar sedutor, me despindo com os olhos. Chegamos à sua casa. Sem acender as luzes, ele disse que tinha uma surpresinha. Trouxe-me um bombom e ordenou que eu o colocasse na boca. Obedeci imediatamente e senti o melhor gosto que já havia sentido em toda minha vida. Fernando havia me enfeitiçado e agora eu era sua escrava. Sem enxergar nada, comecei a me despir e pedir que ele me beijasse. E o colar sempre ali, me dizendo que aquela era a hora certa.
 
Fernando tinha o beijo mais gostoso que eu já havia experimentado e, com certeza, seria o homem perfeito para me fazer mulher. Quando estava só de calcinha, senti mãos frias passeando pelo meu corpo, uma boca beijando minha nuca e sussurrando as palavras mais sedutoras já ditas. Meus seios eriçavam. Meu corpo estava arrepiado e eu pronta para me entregar àquele garoto desconhecido, que gostava de tudo o que eu gostava e sabia de todos os meus pensamentos, inclusive de meus desejos mais íntimos. Seu sexo era gostoso de pegar. Não sabia ao certo o seu tamanho, mas ele se encaixava perfeitamente ao meu. Era como se tivesse sido feito pra mim. De repente, senti meu pescoço ficar tenso e mais arrepiado. Havia sido mordida por um vampiro e não podia reagir por causa do colar, que me aprisionava. E eu gozava feito uma vadia. Transamos em todos os cômodos da casa. Chamava-o de ‘meu mestre’ e ele retribuía com agradáveis mordidas em meu corpo. Esqueci que tinha amigos, escola e família. Acordei perturbada com a luz do sol e em casa. Era dia da estreia do meu filme preferido, justamente um filme de vampiros. Pelo menos eu sabia o que vestir: a mesma calça jeans que havia comprado na semana anterior, o salto preto que me deixava sexy e aquela blusa rosa com decote. E pouco me importava se agora eu era uma vampira ou não. O importante era que aquele dia seria perfeito. E só…

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Meu primeiro porre

O som antigo de Lobão ecoava por todo aquele local escuro e fétido. Todas as almas daquele lugar pareciam alcançar um estágio depois do transcendental. Era um barulho alto, um cheiro de bebida insuportável e a ardente vontade de se permitir ir além. Seis lances de escada pareciam separar a Terra do Inferno. E as luzes de um banheiro apertado anunciavam que ali algo de muito estranho aconteceria.
 
Uma janela entreaberta era a única alternativa para quem desejasse ver a noite. Aliás, como seria aquilo pela manhã? Será que todos os bichos se escondem e dão espaço à limpeza ou limpeza é o último substantivo pensável naquele plano? Eu não sei. Só sei que naquela sexta tudo que eu desejava era um gole do conhaque mais ardente. Eu precisava sanar toda a minha agonia, todos os meus escrúpulos de adolescente em um copo pequeno de bebida estranha.
 
Eu precisava também de uma mulher. Não uma mulher estranha que eu pudesse encontrar ali. Eu precisava de uma mulher estranha que me encontrasse naquele lugar e me fizesse perceber o quão bom e prazeroso era estar naquele Inferno. Eu precisava de pessoas. Não pessoas estranhas que eu encontrasse ali, mas sim pessoas estranhas que me levassem até aquele lugar e pudessem dividir comigo aquela agonia.
 
O primeiro gole era estranho, tão quanto aquele lugar. Sensações de desconhecido e reconhecido entrelaçadas, gosto amargo de algo inominável, risos e caretas. As línguas que insistiam em se tocar, o corpo que insistia em relaxar, a música que insistia em dominar a mente. Era tudo o que eu sempre quis, de um jeito que eu não sabia como seria.
 
O segundo era mais ameno. A sensação de tranquilidade já tomava conta de todo o meu ser. Era uma paz diferente, a paz de estar no Inferno. Os corpos começaram a se tocar, os olhos fitavam partes precisas daquela mulher e a vontade de ir além daquele além era crescente. O banheiro. Munido de toda a proteção aparente e com uma coragem que só a bebida pode dar, lá se foi aquele casal, não sem antes beber mais uma e tragar mais um outro. O empurrão na parede, a mordida no pescoço, as palavras sacanas e o fim de um tabu.
 
O tempo passava e tudo o que eu consigo me lembrar é que eu não me lembro de mais nada. Pessoas pareciam dar tchau, pareciam reclamar que já era tarde, pareciam me ajudar a descer do carro, pareciam me dar sermões e me jogarem debaixo do chuveiro, pareciam adormecer… O outro dia era consequencia. Nada mais importava. Era o meu primeiro porre, a minha primeira sensação de não ser aceito no céu e a minha primeira paz de espírito. Tudo ao som de um rock psicodélico, ejaculado na velocidade terrível da queda.

sábado, 18 de julho de 2009

Paralelas

O dócil menino era um santo. Vivia nos cantos a reclamar dos percalços e da solidão, quase sempre cheio de gente por perto. Era insatisfeito. Tinha 17 anos e já vivia como se fossem 117. Era sempre muito paciente. Passava uma segurança insegura de dar inveja a qualquer vigia ou coisa assim. Estava sempre disposto a ajudar, mesmo que soubesse que depois não seria ajudado, que voltaria à solidão e que seria só mais um dentre os milhões de só mais uns. Mas se conseguissem zangá-lo...

A doce menina era louca. Vivia intensamente como se o dia fosse acabar antes das 24 horas usuais. Andava por toda a cidade distribuindo alegria e sorrisos sinceros por onde passava. Apesar de namorar, de ter um milhão de amigos e de ser a melhor em tudo o que fazia, achava que faltava alguma coisa. Era insatisfeita. Tinha 117 anos e vivia como se tivesse 17. Não era muito paciente, não ajudava ninguém e vivia trancada em seu mundinho, em seu quarto, em sua máquina de escrever moderna.

Os dois nunca se encontraram. Viveram anos e anos de agonia. Um dia, em um sonho dela, ele apareceu, na sombra da saída do cinema, com uma gente estranha do lado. Nem a olhou. Ele acordou. Sentiu que tinha vivido a noite mais bem vivida de toda sua vida. E só. Apaixonado e inconstante, como eu...

Marcos Lima

domingo, 12 de julho de 2009

Mil e uma primaveras

Eu nunca fui muito de ir à aniversários. Carrego comigo duas hipóteses: ou o aniversariante esquece de me convidar ou realmente ele não vai com minha cara. Já perdi as contas de quantas comemorações eu deixei de ir simplesmente porque não fui convidado. Cara, e de amigos tão próximos… Mas vai entender. Pelo menos aqueles em que fui me renderam boas histórias e que gostaria de compartilhar, agora, com vocês.
 
Pra ser sincero, o último aniversário com bolo e tudo mais em que estive presente foi no ano passado, nos 15 anos de Juliana. Eu poderia falar uma porção de coisas da festa, mas vou me reservar a duas que me marcaram como ser humano crasso que sou. Alguém aí já terminou o namoro em um dia e no mesmo dia foi flertar com outra pessoa? Nesse dia, eu fiz isso. Tinha terminado um namoro conturbado e queria ficar com uma amiga da aniversariante que – adivinhem – estava de salto. Dia desses eu tento explicar melhor esse meu fetiche por salto alto, mas tudo bem… Resumindo, ela tinha um fica e eu acabei dançando! E por falar em dançar, a festa tinha uma baladinha (que não estava lá essas coisas, confesso) e acabaram me convidando pra “balançar o esqueleto”. Mas eu preferi ir, com um outro amigo, buscar salgadinhos pras meninas. Sento, coloco uns 300 salgadinhos em cima da mesa, olho pro lado e todo mundo havia sumido. Quando a tia da aniversariante surge do nada e manda a frase da noite: “Dançar que é bom ninguém quer, mas comer…” Ok, esse parágrafo ficou gigante; fim do aniversário de Juliana.
 
E como me esquecer do melhor aniversário em que já fui? Foi tudo tão perfeito. E não foi pelo simples fato de ser um sábado à noite. Diria que o conjunto da obra foi o seu maior diferencial. Não foi uma festa chique; os convidados é que tinham um brilho diferente no olhar. Era aniversário da filha de um dos melhores professores que já tive, Marcus Vinícius. Agora, imaginem: docinhos, música infantil dos anos 80, gente bonita, receptividade, sensação de estar em família mesmo sendo apenas aluno do pai da aniversariante… Tudo isso junto me dá uma saudade daquele tempo. E acho que só vou sentir isso de novo quando estiver casado e com um filho completando 1 ano de idade.
 
Pois bem. Se eu consegui eleger o melhor, também consigo contar qual foi o pior aniversário de toda a minha vida. Michael Jordan errou feio quando me convidou pra ir àquela festa. Um bolo do Homem Aranha, que na hora em que foi servido veio mais com estampa do personagem do que com cobertura, um pessoal se arrumando de última hora, morcego nos pés de fruta. Agora, dizer que o aniversário foi ruim porque aconteceu no quintal seria injusto, até porque o de Belinha, a filha do professor, também aconteceu em uma área livre como a da festa dele. Mas que é o cúmulo deixar o rádio ligado na pior emissora da cidade a noite inteira só tocando forró e pagode, isso é. Custava comprar uns CD’s? Custava, visto que o aparelho que tocava esse tipo de mídia só veio chegar no fim da festa, quando eu já estava indo embora – graças a Deus. Sinceramente, eu espero que ele não leia esse texto nunquinha!
 
Pra terminar, queria falar do último “niver” em que fui. Nessa semana, uma das minhas melhores amigas, Isabel Moraes, fez 16 anos. Não teve todo aquele aparato, um monte de mesas cobertas com toalhinhas coloridas e nem uma porção de gente cochichando e fingindo se importar com quem está trocando de idade. Mas são exatamente esses os aniversários a que dou mais valor. As comemorações que só os amigos de verdade participam, as missas antes de um “coquetel” qualquer (que paradoxo!), as brigas pelo controle da TV, a falta de energia no melhor da festa, as idas à uma lanchonete em uma parte distante da cidade, as idas à uma pizzaria muito depois da data do aniversário, as conversas - na cama - com a namorada da aniversariante (nada ilícito)… Enfim, a presença sincera. Uma forma de dizer um Feliz Aniversário de verdade, sem sorrisos amarelos no rosto ou coisa parecida.
 
Mas se vier a uma comemoração minha, seja do que for, não me traga presentes. Traga um sorriso sincero e um abraço, que o resto eu dou um jeitinho de conseguir, mais cedo ou mais tarde.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Métodos Marckosianos de ver a vida (3)

Desafio. Bem que eu poderia ter deixado pra trás essa palavra, ter evocado um ano bom e parado, pelo menos por um instante, de querer ser um legítimo sagitariano. Achei que desafio fosse o que eu já estava acostumado a ver nos últimos tempos, que, mais cedo ou mais tarde e da maneira mais fácil possível, seriam resolvidos em um piscar de olhos. Me enganei… Mas não me arrependo, e nem por isso deixo de gostar de ser desafiado, posto à prova, mesmo que isso custe minha paciência e um pouco de minhas lágrimas.
 
Posso dizer que o ano começou pra mim depois da morte de meu padrinho. Cara, como eu sofri calado. Pensar que nunca mais eu iria ver uma pessoa que gostava de mim, que fazia meus gostos, que havia me ensinado e deixado lições. Nunca mais mesmo – até porque ele morava longe e nem trazer o corpo pra cá dava. Foi o pior dia da minha vida. Aquela segunda-feira calada, tudo tão rápido. Meus 17 anos traziam agora a responsabilidade de ser o homem da casa, de me virar com a grana do mês, de achar soluções mirabolantes para problemas que a cada dia só pareciam aumentar e de ser alguém na vida…
 
Minha família – minha mãe e minha madrinha – sempre acharam que eu deveria ser da vida o que eu achasse que deveria ser. Confesso que tinha uma quedinha pelo status que a Medicina traz consigo, mas acabei desistindo por causa do medo de enfrentar meus medos. E são tantos medos, minha gente. Porém, no meio disso tudo, despertei que argumentos eu tinha, gostava de política e que sabia usar o poder da retórica pra convencer quem estivesse do meu lado, fosse pra ir ao cinema, pra sair de casa em um sábado à tarde ou para deixar que eu ficasse até tarde na casa de uma amiga. Farei Direito…
 
O grande problema é que pra fazer Direito você precisa passar em um vestibular. Pra quê responder 55 questões de coisas que você não sabe porque está respondendo se só precisa mostrar-se bom em História e Filosofia?! E é aí que 2009 me prega mais uma peça. Passo de sonhador em advocacia pra cobaia do Novo Exame Nacional do Ensino Médio, vulgo NENEM. 180 questões em 2 dias, de manhã e de tarde, fim de semana e com tudo novo - sem decoreba, pelo menos. Um desafio e tanto, hein? Esse eu ainda não venci, mas o farei muito em breve…
 
E os amores, meu povo? Como anda a vida sentimental de vocês? A minha foi um reboliço. Frágil pela perda de um ente querido, conheci uma carioca, pela internet. Engraçada, sensual e que compartilhava os meus mesmos gostos… Mas sabe quando isso não basta e você passa a enxergar que não é aquilo o certo pra você? E a Inspiração? Eu não falei que o tempo da paixão era exatamente o tempo que a gente teve pra se encontrar? Pois é, desencanto. Conhecer o verdadeiro eu de algumas pessoas pode fazer você se afastar bruscamente delas.
 
Amar, só a Deyse. Podem passar 2, 5, 30 anos, eu ainda vou estar consciente de que o meu primeiro amor mesmo, amor desses de ficar gelado no primeiro encontro, de sentir ciúmes a toda hora, de sentir saudades a toda hora, de ser desafiado a toda hora, foi ela quem me proporcionou. Estamos aí entre trancos e barrancos, apesar de não estarmos mais “namorando”, aprendendo a cada dia, sofrendo a cada dia, vivendo a cada dia… Ah, foi com ela também que eu tive a melhor noite da minha vida, que não foi isso que vocês estão pensando, mas que também não conto aqui nem na base da porrada. Aquela sexta-feira estrelada, tudo tão cadenciado…
 
Bem, os amigos. Aprendi que até os meus colegas são meus amigos, só que exercem funções diferentes nessa classificação maluca. Resumindo, existe amigo pra tudo! Inclusive pra dizer que seus problemas são medíocres. Que tipo de amigo é esse? E que tipo de amigo seria eu se não o perdoasse, mais uma vez?! E tem a amiga pra quem eu conto tudo, toda a verdade, toda a vontade e até alguns segredos [!]
 
É como eu falei: somos heróis de nossa própria história. Não deixe que meia dúzia de outros o façam desistir de seus sonhos. Aceite todos os desafios que a vida insistir em impor pra você. Ame. Não se arrependa. Se tem que fazer, vá lá e faça. Mude, que é pra deixar os outros com a boca aberta, mas não mude sua essência. Se divirta. Saia com novos amigos, saia com velhos amigos, saia consigo mesmo. “Enfrente seus medos e viva seus sonhos”, frase que me faz acreditar que deixar de ser pessimista pode ser uma boa, mas que ainda tem muita pedra no caminho, ah, isso tem…

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Diploma? Que diploma?

Agora é lei. Qualquer pessoa que souber dominar a língua portuguesa e quiser emitir algum tipo de informação já é considerada, de fato e direito, jornalista. Acabaram-se anos de formação, estágios em grandes redes de comunicação e, principalmente, a obrigatoriedade do diploma. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que votou contrariamente à exigência do diploma, alega que a Constituição de 1988 e a grande disseminação de blogs pela internet contribuíram fortemente para a derrubada do decreto-lei 972/69, que exigia tal requisito.
 
Mas, na realidade, qual a função de um jornalista? Seria simplesmente organizar suas ideias e repassar informação ou existe algo além disso? Bem, tudo não passa de ponto de vista. Ser jornalista é ter a notícia correndo nas veias; é poder transmitir com imparcialidade um fato, ação corriqueira ou até mesmo algo extraordinário; é saber organizar as palavras, construir argumentos e fazer com que o leitor/ouvinte seja consumido diariamente por novas possibilidades. E olha que nem jornalista eu sou…
 
E como é ponto de vista, fica claro e evidente que ser jornalista também é poder divulgar sua opinião por aí e respeitar a Constituição no que se diz respeito à “liberdade de expressão”. E quantos bons jornalistas, realmente, não estão escondidos Brasil afora? E quantos bons poetas, músicos, jogadores, escritores, artistas… É nesse ponto que o ministro, e todos aqueles que o acompanharam na votação, estão certos.
 
O problema é que parar de exigir diploma é uma afronta principalmente para os estudantes que ralam durante uma vida escolar inteira galgando estabilidade profissional. É um paradoxo. Ou isso ou sair do Terceirão, abrir uma conta no blogspot e ir publicando o que lhe der na telha. Somos imediatistas. Nossos representantes só dão conta da bomba que jogam na população depois que ela estoura. Falta diálogo, falta ouvir mais e fazer menos besteira.
 
E se você pensa que só jornalistas vão sofrer com a decisão suprema do Supremo Tribunal Federal, é melhor rever seus conceitos. O próprio Gilmar já admitiu que outras profissões também sofrerão revogação da exigência do diploma muito em breve. Provavelmente, pra ser médico, você só precisará pegar a tesoura de costura de sua mãe escondida naquela gaveta de madeira, ir de encontro a um paciente qualquer em um desses hospitais públicos sucateados e operá-lo, sem anestesia mesmo, no próprio corredor. Acredito até que seria bem melhor que deixá-lo morrer…
 
E quanto aos blogs, poderíamos estar dando pulos de alegria por aqui porque já teríamos emprego garantido em uma Globo, Record ou CNN da vida… Mas não é bem assim. A esperança em um país mais crítico é o que nos faz estarmos aqui escrevendo e emitindo opinião todos os dias. E se eles não se importam com o que pensa a população, eu pelo menos me importo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Revoluções por minuto

Foi-se o tempo em que revolução era sair nas ruas e reivindicar seus direitos. Hoje em dia somos bombardeados por revoluções, sejam de ideias ou costumes, quase que diariamente. Somos praticamente impostos a nos encaixar nas novas ondas, nas novas modas e viver sob suas custódias. Prisioneiros de um sistema ideológico que necessita de mudanças bruscas a todo momento? Engenheiros de um sistema alternativo para os problemas atuais? Ou apenas humanos?
 
E eis que surge o que o RPM cantava nos anos 80, na música que leva o nome da banda – “Revoluções Por Minuto”: a constante mudança de conceitos gerada pela globalização, ainda em ascensão naquela época. Se o que Paulo Ricardo escrevia em 1984 já fazia sentido, imagine com o contexto atual, em meio a crises, ameaças de bomba e problemas climáticos decorrentes da ganância humana. Só nos resta analisar.
 
“Sinais de vida no país vizinho / eu já não ando mais sozinho”. A Coreia do Norte finalmente mostra do que é capaz, depois de ser menosprezada anos a fio, durante o governo Bush, pela nação americana. Vontade de crescer e aparecer fazem da nação comunista uma ameaça colossal à hegemonia dos EUA e deixam o presidente das boas relações em uma saia justíssima. Um pepinão, hein, Sr. Obama? Ou seria uma bomba de efeito moral?!
 
“Ouvimos qualquer coisa de Brasília / rumores falam em guerrilha”. Quem disser que não quer Lula pela terceira vez na presidência estará mentindo. O presidente neo-populista, apesar de garantir que nem cogita a possibilidade de mudar a Constituição Federal, é a única opção para o PT continuar nas cabeças. Dilma Rousseff, apesar de toda a confiança depositada, parece despreparada e dificilmente agradará eleitores conscientes. Ou isso ou aumentar o mandato para mais dois anos, quando se faria uma nova eleição – dessa vez, geral – para mudar de uma vez por todas aquilo a que denominamos ‘política’ nesse país bagunçado.
 
“Fulano se atirou da ponte aérea / não aguentou fila de espera / apertar os cintos / preparar pra descolar”. O problema da aviação brasileira em pleno século 21. Resolução imediata do imbróglio ou todo mundo que viaja de avião não assistirá nem as eliminatórias da Copa de 2014. E como se não bastasse, acordamos recentemente chocados com mais um acidente aéreo de terríveis proporções no território brasileiro. Tudo bem que dessa vez a culpa pode ser dividida com a França, que comemora o seu ano no Brasil. Mas o que nos garante se amanhã um acidente com um TAM, um GOL ou qualquer outro não abalará nossas estruturas. E ficamos a ver navios na fila de espera do avião…
 
“Nos chegam gritos da Ilha do Norte / ensaios pra Dança da Morte / tem disco pirata / tem vídeo cassete até”. Tudo bem que vídeo cassete ninguém usa mais, mas atenção! A crise que assola o mundo vem dos EUA, localizado na tal Ilha do Norte, assim como o vírus da gripe suína – aqui bem representado pela Dança da Morte, livro de Stephen King que conta a história do fim do mundo a partir de um vírus que destrói a raça humana. Algo bem simplório e que, ao contrário dos anos 80, traz consigo medidas e tecnologias suficientes para evitar problemas mais graves.
 
E se a China continua bebendo Coca-Cola e se ainda cheiram cola aqui na rua, isso é problema do Estado: globalizado e omisso. Pensando bem, é problema de todos nós. Cobrar dos nossos “representantes” e bater na mesma tecla sempre, que eles estão lá por causa de nosso voto. E se isso não bastar, vá às ruas. Não é isto que eles querem: revoluções por minuto?!

domingo, 31 de maio de 2009

Maio

Confesso que nunca fui de fazer um balanço do mês que se passou. Se fui, foi por pouco tempo e lá no início da minha pré-adolescência, quando o clipe “My Happy Ending” da Avril Lavigne, por exemplo, era um dos primeiros dos ‘Top 10’ da televisão. Talvez deixei isso de lado pelo simples fato de ser difícil elencar o bom e o ruim de todos os meses, algo parecido com um compromisso obrigatório. Mas que esse Maio teve algo de peculiar, ah, isso teve...

Além de formalizar um quase casamento de ideologias idênticas, diferentes e complexas (leia-se: namoro), Maio me fez perceber o quanto mulheres de verdade têm o seu valor. Mulheres perfeitas não precisam ser perfeitas. Basta que o conjunto da obra te faça perceber o quão bom é estar com elas e entender que os defeitos delas são suas próprias qualidades.
 
Maio me fez refletir. O que realmente eu quero da vida? Será que devo me preocupar tanto com algo que sempre atormenta e sempre atormentará o pessoal da minha idade (leia-se: vestibular)? Será que não é hora de estabelecer uma meta e correr atrás daquela conquista? Ou será que ser realista é visualizar o mundo através do senso comum?
 
Maio me fez não desistir. Entender que é realmente aquilo que você quer e estar preparado para todas as experiências possíveis não é tarefa fácil. Deve-se estar bem consigo mesmo. Ter hombridade suficiente para olhar para trás e não se arrepender de nenhuma palavra dita, de nenhuma ação praticada ou de nenhum carinho desmedido.
 
Maio não me deu descanso. Mostrou que discussões, pitis e afins só fazem a relação, seja de amor, amizade ou os dois juntos, crescer. Afinal, como diabos vou saber se aquela pessoa é minha amiga de verdade se ela não aguentar todos os trancos e barrancos de um sagitariano? O mês cinco mostrou também que viver cansa, e viver cansado do cansaço de alguém é coisa muito pior. Nos resta suportar cada desafio, cada tarefa a fim de alcançar toda luz.
 
Mas Maio me ensinou muito mais – e através de músicas. Contou a história da queda, algo que é como “o desespero vermelho de um apocalipse luminoso”, me fez perceber o quanto Chico Buarque é metódico e ensinou que eu poderia usar alguém, do jeito que eu quisesse, mas que isso seria um perigo para minha própria felicidade. Maio foi um bom professor. Junho jamais será igual a ele, nem que queira. E já que é pra ser assim, mensagens subliminares na letra do vídeo abaixo. A vocês, um bom mês de Junho e muito juízo nessa cabecinha. Senão vem a Coreia do Norte e põe tudo a perder…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Rabiscos II

E Ele continua andando
Parece segunda
O relógio insiste em dizer que já não há mais tempo
Ainda resta

Ela, agora ao lado dele
Sofre
Mas ama, des-ama e re-ama
Ele, ainda Ele, mesmo que de um novo jeito,
Erra
E para, dispara e repara

Nada do que um diz é capaz de consolar o outro
Tudo o que eles dizem é capaz de reparar os erros
A semana se passa
A terça vem chegando e Ela...
Ah, Ela. Sem tempo pra dizer TE AMO !

terça-feira, 19 de maio de 2009

Prosa e Poesia

Dias nublados como hoje me fazem perceber o quanto realmente a vida é bela. Me fazem perceber que, apesar de ontem ter sido apenas um dia que passou e que o futuro não é mais como era antigamente, tudo ainda tem conserto. Que apesar de fracassar em promessas feitas no início do ano, apesar de sempre imaginar a perfeição e me deparar com ela imperfeita, apesar de buscar algo que eu realmente não sei o que é, tudo ainda pode e deve ter uma nova chance.
 
Os erros que cometemos no caminho, as coisas que abdicamos, os planos que fazemos, nada disso vale a pena se não estivermos dispostos a não se arrepender adiante. Nada disso adianta se não pensarmos no agora como consequência de um passado e causa evidente de um futuro, muitas vezes inconsequente.
 
Mas a culpa é de quem? Não é minha, não é sua e nem é de quem quer que seja. Não existem culpados quando apenas nos deixamos entregar ao destino. Por mais que imaginemos um futuro perfeito, com rosas pelo jardim, crianças felizes brincando por perto, felicidade…, isso tudo é momento. Deixar que o beijo dure, que o tempo cure e que a alma se liberte.
 
E quando nada disso funcionar, rabisque. Exteriorize sua raiva, como diz minha namorada. Não guarde pra si os seus medos, suas vontades, suas verdades. Fale apenas o necessário e surpreenda sempre com um bom segredo. E se o post ficar gigante por causa desses trechos de poesias nunca antes publicadas e que nem nome têm, não faz mal. Aposto que, nem que seja da última, você vai tirar alguma lição. Até qualquer hora…
 
“Ao teu lado, e de longe, sou mais que um amigo
Sou o braço forte do soco do teu inimigo
Sou a parte que não cessa
O brilho que não se apaga
Sou a chama reluzente
Dos teus olhos, sou a lágrima”
 
“Palavras enxugam meus medos
Os medos – quem me dera sanar
Preciso de um ombro amigo
Alguém que me ouça falar
Preciso de ti, minha vida
E em tua estrada poder caminhar
Um sentimento tão bobo
Por que então declarar?
Melhor esquecer essa noite
E tentar parar de sonhar”
 
“Chovia
A chuva, dizem, ou se não disseram, hei de dizer agora
Dá coragem aos homens de bem.
Aproximei-me. Clamei por seu nome
Ela atendeu. Sorriu
Os três segundos mais chuvosos da minha vida
Meu nome, seu nome, e o fim
Chovia…”
Marcos Lima