sábado, 7 de novembro de 2009

Estação Felicidade

É complicado definir felicidade. Para muitos, ser feliz é quase um estilo de vida, algo extremamente necessário para viver bem. Para outros, felicidade está mais associada ao momento do que a algo duradouro. E há os que dizem nunca ter sido felizes. O fato é que todos que tentam explicar esse sentimento vivem ou já viveram uma situação considerada por eles feliz, seja no âmbito familiar, amoroso ou entre amigos. Não há acordo. É ser feliz e pronto, da maneira que lhe julgar conveniente.

Felicidade extremamente necessária. É aquela única e superdifícil de ser alcançada. Nos ataca geralmente nos momentos de tristeza e desilusão. “Eu nunca vou conseguir ser feliz” é a frase que melhor a representa. É a mais comum e a que mais decepciona. Logo, logo, depois de recuperado, você estará rindo à toa e cantando felicidade por aí. Prova de que deixou mentiras pelo caminho. É a mais comum e a mais ineficiente. Não existe tal sentimento na tristeza, por isso não idealizam-se pretensões naquele momento.

Felicidade efêmera. É vista como a do momento, a que deixa marcas, fotos, lembranças, saudade. É a mais sublime, a mais verdadeira. O “Carpe Diem”, pregado pelo Barroco e Arcadismo, é a principal característica desse tipo de felicidade. Aproveitar o momento, rir à toa, amar à vontade, pular, correr, gritar de madrugada na casa da sua melhor amiga e fazer o que quiser estão entre as principais atividades dessa forma de ser feliz. Ao contrário da utopia presente na felicidade eterna, essa tem como maior qualidade o fato de passar e deixar o gosto de quero mais. Queremos mais.

Negação da felicidade. A humanidade vivendo extasiada, em meio a estresse, problemas cotidianos, cansaço e correria. É mais do que aceitável esquecer dos momentos bons que passamos. Mas não dá pra esquecer de tudo. Dizer que você nunca foi feliz é pura conversa fiada de gente estressada. Dizer que a felicidade não existe é ser imediatista demais. Devemos dosar. Felicidade é para ser vivida, não planejada. É inerente ao ser humano e não necessita de aprendizado. Somente a busca por essa sensação é eterna e começa imediatamente após seu fim. É um ciclo. Um ciclo diferente a cada renovação. Vai ver felicidade é isso mesmo: a eterna beleza de ser um brilhante aprendiz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O que eu queira sentir

És de tudo, por tudo e contudo um sentimento
És perdido, insano, inquieto, vivido
És um sonho, uma honra, um beijo, um pedido
És confuso, catado, ligeiro, perigo

És pequeno, voraz, atento, preciso
És a noite, a tarde, o dia, sentido
És o fogo, a carne, a sombra, um bicho
És de sorte, o maior e mais lindo inimigo

És estranho, não mais que estranho conhecido
És veloz, arrebata, de novo o abrigo
És o som e o barulho, meu novo alento
És temido, impávido, colosso, sentimento.


Marcos Lima

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vampiro, pra que te quero?

Sempre gostei das histórias de vampiro que passavam na televisão. Aqueles caras malvados mordendo o pescoço das mocinhas indefesas, aquelas pérfidas mulheres com uma roupa super justa e um batom cor de fogo, todo aquele mistério em volta da figura do morcego… Tudo isso me fez ser fã de uma literatura conservadora e abominada por muitos, advinda da tal Transilvânia, mesmo nunca tendo lido nenhum livro sobre esses seres sobrenaturais.
 
Mesmo assim, toda vez que ouço o nome “vampiro” me bate uma tremenda curiosidade. Minha esperança é que aqueles seres de outrora apareçam novamente com sua capa longa, bota preta e aqueles dentes super afiados. Na verdade, eu bem que queria ser um deles e descobrir, de uma vez por todas, qual a graça existente em ser um vampiro.
 
Entretanto, o que vemos hoje não é a volta dos seres cruéis do passado e sim o que considero a leva de vampiros politicamente corretos (e modernos). No meu tempo – e isso não faz mais que 10 anos –, um vampiro tinha que, obrigatoriamente, ser do mal e chupar sangue humano. Hoje em dia, a nossa hemoglobina foi simplesmente desprezada e substituída pela dos animais. Edward Cullen, Stefan Salvatore e o Chupa-Cabra são exemplos clássicos do que estou falando.
 
A dieta desses seres – exceto a do Chupa-Cabra -, além de sangue do mundo animal, também inclui uma boa dose de amor. Bella Swan e Elena Gilbert exemplificam o que as autoras das séries “Twilight”, Stephenie Meyer, e “The Vampire Diaries”, L. J. Smith, dizem ser o amor impossível. E o pior é que o tal amor impossível ainda rende boas histórias.
 
Pensando bem, sempre fui a favor dos vampiros tradicionais, malvados e sensuais. Mas o talento dessas autoras em retratar algo à frente de seu tempo é verdadeiramente fascinante. Se não fosse descrever o Edward como o vampiro mais perfeito de todos, “Twilight” teria muito mais a oferecer. Se não fosse a disputa dos dois irmãos, Stefan e Damon, pela bela Elena, “The Vampire Diaries” seria só mais uma historinha idiota esquecida nas últimas prateleiras das melhores livrarias mundiais.
 
Fico feliz quando vejo textos dizendo que nós adolescentes estamos lendo mais. E, sem dúvida, foram enredos como esses que contribuíram em potencial para a melhoria desse índice. Os vampiros voltaram à cena e não me espantaria muito se visse “Vamp” ou “O Beijo do Vampiro” sendo reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo. Afinal, os anos 90 estão de volta, não é mesmo?!

domingo, 18 de outubro de 2009

Contos de Whisky

- Mais um uísque, por favor – pediu o pároco da cidade.
 
Constantino pensava insistentemente no que havia acontecido. Como poderia sua filha ter saído com um rapaz na noite passada? Logo ela, criada para namorar apenas garotas, sair com as amigas e experimentar todas as sensações que somente o mesmo sexo poderia proporcionar. Logo ela, doce e feminina, algo raríssimo naquele lugar. Logo sua filha, a menina mais cobiçada pelas professoras da universidade. Tudo era estranho. Constantino lembrava-se da indecisão de tempos atrás, quando, por descuido do destino, transara com uma forasteira e resolvera aceitar a responsabilidade de ser pai. A mãe de Laura sumira sem dar explicação. Seria praticamente impossível cuidar dos fiéis, sabendo que ele havia pecado. Seu namorado da época pediu explicações e Constantino não sabia como usar as palavras. Os tempos mudaram. Você não vive mais no passado. Hoje a coisa é bem diferente. Essas três frases eram as mais ouvidas pelo padre em todo o vilarejo. E ecoavam.
 
Laura estava feliz. Tinha finalmente feito o que toda garota feia e desarrumada, em seu âmago, queria fazer. Tinha beijado o cara mais namorador da cidade. O rapaz que tinha todos os homens a seu alcance. O homem que queria experimentar algo novo. Celso confessara que desejava fugir com uma mulher para bem longe. Laura queria ser essa mulher. Ir contra tudo e contra todos só pelo prazer da aventura. Já havia ligado para todas as amigas e tentado descrever minuciosamente o sabor de um beijo masculino. Muitas sentiam inveja e, logo, toda a cidade comentava o que a filha do padre havia feito. Laura pouco se importava com a opinião alheia. Queria ser como sua mãe. Aventureira, desmedida, inquieta e fujona. Um exemplo de pessoa naquela época, pelo menos pra ela.
 
Constantino viu Laura sair de casa completamente arrumada e entrar em um carro. Sua filha havia crescido. 17 anos, vestido curto vermelho, maquiagem, salto alto, cabelo solto e um sorriso no rosto só visto quando saíra com sua primeira namorada, há 4 anos. Constantino queria sumir. Não demorou muito para que amigas e ex-namorados fossem consolá-lo. Diziam que era normal pra idade dela, que cientistas já haviam afirmado que a adolescência era o momento certo de decidir sobre a opção sexual. E era tudo tão confuso. Laura não entendia o que Celso queria dizer com aquele “foi só para experimentar”. E todas as promessas da noite de sexta? E todos os beijos, amassos e abraços? Tudo em vão? Parecia que sim. Celso se despediu com um beijo na testa da menina, selando amizade. Estava mesmo disposto a nunca mais vê-la.
 
Laura entrou. Pediu licença, sentou ao lado dos amigos do pai e chorou, copiosamente. Enxugou as lágrimas. Retocou a maquiagem e disse as únicas palavras que conseguia dizer naquele momento:
 
- Mais um whisky, por favor!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Gente e máquina

Crescer sem afetar a qualidade de vida da população. Eis o grande desafio das cidades nos últimos anos. A urbanização desenfreada deu origem a diversos problemas na sociedade atual e isso é refletido principalmente no bem-estar de cada indivíduo. As possíveis soluções aparecem todos os dias, mas a falta de vontade política ainda é o grande empecilho desses projetos. E a confusão só aumenta!

Um dos problemas que mais preocupa a população mundial é o aumento exacerbado da frota de veículos nas grandes cidades. A principal causa disso está nos incentivos que a indústria automobilística injetou na sociedade. Ter um carro próprio é muito mais luxuoso do que andar de ônibus pela cidade. E já que a urbanização também contribuiu para o aumento da criminalidade em países em desenvolvimento, andar de carro tornou-se, ainda, muito mais seguro.

Mas qual o problema em ter um automóvel para passear com a família? Muitos, a partir do momento em que todos os seus amigos, parentes e vizinhos também resolvem adquirir um com a mesma finalidade. Entretanto, as facilidades de um carro vão além do passeio de domingo. Durante a semana, a fim de encurtar distâncias, milhares de carros entopem as ruas e avenidas das grandes cidades, causando os já famosos congestionamentos. E o estresse só aumenta!

O bem-estar social diminui, as relações pessoais são prejudicadas, já que não há contato com a coletividade do transporte público, e os governantes se veem presos em uma grande confusão entre gente e máquina. Os problemas são muitos e as soluções até agora apresentadas não resolvem muita coisa. É necessário rever certos conceito e, quem sabe, ser radical em certas atitudes. O futuro do nosso planeta está em nossas mãos e não no volante de uma máquina feita de aço e alumínio.

*Redação feita e corrigida de acordo com os critérios do ENEM 2009.
*Pontuação: 95

domingo, 27 de setembro de 2009

Um ensaio para a vida

Pôr à prova todos os conhecimentos adquiridos durante a vida escolar. Eis a função primordial do vestibular, esse bicho de sete cabeças que há tanto atormenta a vida de jovens e pessoas interessadas em alcançar um futuro melhor. Seja por causa da pressão psicológica exercida pela família e pela escola, seja pela tensão no momento da escolha profissional ou seja por causa da ansiedade nos momentos que antecedem a prova, o vestibular tem toda uma fórmula para deixar qualquer inscrito louco. A concorrência assustadora, as questões dificílimas, a fiscalização carrasca e alguns imprevistos fazem do vestibular um verdadeiro teste emocional, com algumas ressalvas futuras.
 
O prazer de passar em uma prova dessas é inigualável. A família comemora, a escola percebe que todo o trabalho de uma vida não foi em vão, você descobre que é capaz de muito mais do que imaginava e o êxtase do momento toma conta de tudo. Aquela ex-namorada que há muito não fala com você põe o orgulho de lado e vai parabenizá-lo, aquele seu ex-professor que dizia que você não iria passar aparece no churrasco do sábado à tarde, aquele carinha que chamou você de burra na 6ª série vai pedir dicas pro próximo vestibular e por aí vai… Nada foi em vão. Pena que você ainda não passou!
 
O teste emocional começa na saída do local de prova. A questão 33, de acordo com aquele garoto de óculos que tem a maior cara de nerd, não tem alternativa correta. Mas aquela sua amiga que sabe tudo de história jura de pés juntos que a alternativa C é a certa. Puxa vida. Você errou! Pensou em colocar C, mas acabou marcando D no gabarito por achar que Napoleão não havia morrido na Ilha de Santa Helena. Onde estaria o Manoel Carlos em uma hora dessas que não ajudou você?! E a tensão continua…
 
E o vestibular é chato. Já que você não vai conseguir lembrar de tudo o que aprendeu durante a vida, o melhor mesmo é sair decorando milhares de fórmulas de matemática e física para pelo menos acertar uma questão dessas matérias. Sem falar naquela perda de tempo que é marcar gabarito. Por que não deixam simplesmente escrever um X naquele quadrinho? Mas sabe, isso, no futuro, vai mudar…
 
Neste fim de semana, o Ministério da Educação vai colocar em prática a primeira parte do projeto de reestruturação da educação no Brasil. A utilização do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) como forma de seleção para entrada nas principais universidades do país é o primeiro passo para tentar melhorar a situação educacional em nossa pátria. É o fim da decoreba e o começo da exigência por um maior raciocínio crítico dos alunos. Entretanto, não é o fim da tensão, visto que a função desse exame ainda é a mesma do vestibular tradicional: testar o conhecimento adquirido em toda sua vida escolar.
 
O ENEM, que já existe há 10 anos, é complexo, mas nem se compara aos testes de outrora. A resposta tem ligação direta com a pergunta e existe uma contextualização. O aluno esperto é capaz de acertar a questão olhando apenas o enunciado. O Novo ENEM é a solução mirabolante que o governo queria encontrar. O ideal agora é colocar o maior número de pessoas na faculdade e preparar o Brasil para um futuro promissor. Um pequeno passo para o estudante, mas um grande passo para entrar na universidade…

domingo, 13 de setembro de 2009

Lados e opostos

O único lugar vago era aquele, do meu lado
Ela entra, se envolve na lotação
Meus fones de ouvido ecoam a música mais romântica
Ela se aproxima
Paga o que tem que pagar e passa pro meu lado
 
O único lugar vago era aquele, do meu lado
E ela se recusa
Despercebido, olho pela janela
A tarde parece mais azul, meio colorida
Meu lado parece mais cinza, meio desbotado ou coisa assim
 
Sem que eu perceba, chega alguém e preenche aquele vazio me oferecendo um sorriso
Retribuo e descubro
Que nem sempre quem você amou um dia
Quer sentar-se de novo ao seu lado…
 
Marcos Lima

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Morte aos independentes

Mais um feriado sem grandes pretensões. Acordo, faço companhia às visitas da manhã, tomo meu café quente, reclamo da tosse que insiste em me acompanhar e venho pra tela deste computador. As notícias não me impressionam mais. Aquela velha litania dos dias Independentes de outrora só serve pra me frustrar ainda mais. Os canais de TV dão dinheiro a quem provar ser patriota, como se patriotismo precisasse ser provado. Mas será que não precisa? Preocupante…
 
Sabe, às vezes me pego pensando se sou realmente independente. Apesar da pouca idade e da assombrosa responsabilidade que me recai, vejo que, embora tenha liberdade em vários aspectos, ainda são os outros quem pensam por mim. E não é questão de ter a cabeça fraca ou coisa assim. Os outros pensam e agem antes que eu possa dizer sim ou não, refletindo em minhas atitudes mais pessoais. E descubro, através de mim mesmo, que não tenho - nem nunca terei - a independência que um dia conquistaram.
 
Dom Pedro deveria ter pensado mais antes de sair gritando às margens de um rio qualquer. De que adiantou fazer todo esse alarde se a liberdade de um povo não se concretiza com a fala de um único homem? Até Eugène Delacroix representa melhor a autonomia do que esse imperadorzinho tarado do século retrasado. É cada uma que nos aparece. Um português metido a herói, com pinta de Don Juan, mas um tremendo cafajeste. Espera, e se eu fosse Dom Pedro? E se o Brasil ainda fosse uma monarquia e estivéssemos lutando há 509 anos por uma independência econômica, social e política?! Vejamos o que posso fazer…
 
Já que não moro com meu pai, receberia o trono de minha mãe, a Rainha Maria Serrate. Por ter 17 anos, acredito que uma camaradagem de um parente qualquer me colocaria no poder antes da hora, como já aconteceu por aqui. O Primeiro Ministro seria o Lula, pelo seu ótimo desempenho como chefe de Estado, apesar dos pesares. Os governadores e prefeitos ficariam como estão – culpa dos eleitores. Minha esposa seria escolhida através de um concurso pela internet. Tudo o que eu estivesse fazendo seria postado no Twitter oficial de Dom Marcos pela minha assessora bonitona, com quem eu teria um caso.
 
O acesso à Universidade seria através do Novo Exame Imperial do Ensino Médio – o NEIEM. A reforma ortográfica, a descoberta do pré-sal, a corrupção no Senado e a morte de Michael Jackson seriam anunciados por um grito de três palavras em rios diferentes. “Hífen ou acento” no Rio Solimões, AM; “Sal ou petróleo” no Rio do Sal, DF; “Sarney ou nada” no Rio Maranhão, DF e “Black or white” no Rio Negro, AM!! A televisão transmitiria o “Big Brother Imperial” e  “A Fazenda Imperial”, sendo que os vencedores levariam pra casa o prêmio de um milhão de réis, que valem mais do que dinheiro. E eu só sentado em meu trono vendo um Estado Laico se desenvolver sem discussões acaloradas entre a Globo e a Record.
 
Esse seria o Novo Brasil Império, bem mais moderno, tolerante e não menos diferente. Para os que não sabem, de 30 em 30 anos é realizado um plebiscito para a escolha da forma e do sistema de governo do Brasil. Em 1993, a República Presidencialista conseguiu uma vitória esmagadora sobre a Monarquia Parlamentarista, aqui retratada. Em 2023 teremos uma nova chance de mudar esse quadro, para melhor ou para pior. Não sei ao certo se sou a favor da República ou da Monarquia – não vejo muita diferença. O fato é que, caso as propostas desse sistema de governo se adequem às necessidades do povo, é óbvio que optarei por ele, assim como faço e farei em todas as eleições.
 
O Brasil tem mesmo essa dualidade, essa necessidade de escolha. O brasileiro é dúbio e eu continuo sendo dependente dessa ambiguidade. Se nem cantar o hino nacional estamos sabendo, imagine andar com nossas próprias pernas em um país cheio de diferenças e segregações. Das duas, eu prefiro a morte…
 

domingo, 16 de agosto de 2009

Amor ou amizade?

Há uns 3 anos, comecei a escrever a história de Patrícia, uma adolescente de 14 anos cheia de dúvidas e impressões sobre o mundinho em que vive. Criada por mãe solteira, Patrícia passa por tudo o que uma garota da sua idade costuma passar: brigas em casa, romances na escola, afirmação da amizade, descoberta da sexualidade, etc. Uma verdadeira novela…

E, na realidade, era isso que essa história deveria ser – uma novela. Com capítulos curtos escritos à mão em um caderno, durante sábados e sábados à tarde, ao som de rock e ao embalo de uma rede, “Meu Mundo” traz em si uma espécie de conflito entre o que eu sou e o que eu imagino que poderia ser. Além disso, a história tem como pano de fundo principal algo que há muito vem me perturbando: o que vale mais, o amor ou a amizade?!

Por muito tempo, me perguntei quem leria “Meu Mundo” primeiro. Prometera a mim mesmo que seria um amor, mas ficava me indagando quanto à amizade. Será que alguém especial do meu ciclo de amigos não deveria ter a oportunidade de saber o que eu penso de verdade antes de todo mundo? Ou será que um amor verdadeiro mereceria mais compartilhar algo tão íntimo? Na verdade, passei a procurar sustentar o amor à partir de amizades, até escolher alguém pra ler essa história sem sentido nenhum.

Se ela gostou, até hoje não sei. Nem sei se teve tempo de ler, se guardou em sua gaveta perfumada ou se deixou amarelar com o tempo. Descobri que não queria alguém que apenas lesse a história, mas que a discutisse comigo, deitada em uma rede debaixo de um pé de manga. Mas ela não o fez. Hoje, por causa dos meus grandes defeitos, não sobrou nem amor nem amizade e somos apenas passado um do outro. Enquanto isso, Patrícia está parada no tempo com 16 anos de idade, prestes a conhecer alguém que ela vai julgar ser seu verdadeiro amor. E como a gente julga…

Sabe, acho que tá na hora de eu parar de julgar as pessoas. Aceitar certas verdades inescapáveis - como diz Filtro Solar –, procurar magoar menos, crescer e aprender a ser feliz, como me receitaram essa noite. Descobrir de uma vez por todas o porquê de cada atitude minha e refletir sobre elas antes de cometê-las. E evitar que quem esteja do meu lado também a cometa.

Portanto, amor e amizade são dignos de reflexão. Ser amigo de verdade é, acima de tudo, sentir amor pelo outro. Amar de verdade é saber dar valor à uma amizade, não importa a duração dela. Eu amo, amei e vou sempre amar aqueles que um dia eu considerei meus amigos, mesmo que eles fujam da minha presença – e mesmo que essa fuga tenha sido ocasionada por mim mesmo. Se eu magoei, peço desculpas. Decerto, aprendi. Mas me decepcionei um bocado – comigo e com os outros.

E volto à frase de Dave Coelho, um outro amigo que eu perdi por conta própria: “Seus amigos só são seus verdadeiros amigos porque conseguiram a proeza de te aguentar”. Hoje, admiro ainda mais os que tentaram me entender e me aguentar, mas que desistiram no meio do caminho por medo da mágoa ou por terem sido magoados demais. Amizade vale muito mais. E eu só descobri isso quando perdi meus amores amigos…

*Texto dedicado à “menina do pra sempre” e à “Dona Casmurra”

domingo, 9 de agosto de 2009

Martírio do acaso

Se acaso me ouvisse, me veria íntegro
Me veria esquivo, me veria mudo
Se acaso me quisesse, sentiria medo
Viveria esquiva, e veria tudo
 
Se acaso fosse embora e sentisse pena
Se acaso fosse embora, sem toda aquela cena
Se acaso fosse eu, não me perdoaria
Se acaso fosse só, apenas não me quereria
 
Mas o acaso não veio
O sonho se desfez em mil pedaços
O risco, o ódio, a distância, a tal da implicância
Já não tenho fogo, já não tenho chama
Já não tenho fato de quem me ama
Sumiram
Largaram-me no melhor dos meus casos
Já não tenho jeito, eu não tenho nada
Só me restou o acaso…
 
Marcos Lima

  ©Template by Dicas Blogger.

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