sábado, 12 de novembro de 2016

Finalmente o fim...

A decisão já estava tomada há muito tempo, mas a falta de coragem para colocá-la em prática fez com que a procrastinação ganhasse o jogo até aqui.

São mais ou menos 13 horas de um sábado, meu dia preferido da semana, cuja maior expectativa é sair de casa para visitar uma feira de livros cara e praticamente sem atrativo nenhum, como vem sendo a de São Luís nos últimos anos. Minha namorada está viajando, cruzando as estradas e trilhas do Peru com os amigos da faculdade, enquanto fico no quarto envolto às dificuldades de conexão para assistir às séries do momento e aos pensamentos, nem sempre animadores, quanto ao meu futuro profissional.

O último texto postado por aqui, escrito há mais de um ano, falava sobre o fim de um ciclo muito especial e importante na minha vida: meus dois anos de estágio na Defensoria Pública do Estado do Maranhão. Nele já é possível perceber traços de mudanças na minha personalidade, novos caminhos seguidos e expectativas bem diferentes daquele dezembro de 2007, ano de estreia do blog.

Quem me acompanhou nesses quase 9 anos de Senhor do Tempo sabe muito bem do que estou falando. Amores platônicos, esperanças descompromissadas, desabafos misteriosos, alegrias inesperadas, entrelinhas direcionadas... uma gama de elementos que moldaram um jovem adulto e que eram expostas, para quem quisesse ler, com o único fim de servir de escape para aquilo que me atormentava (ou me alegrava) demais.

Com o início do ensino superior e a necessidade de dar conta de tantos afazeres, como estágios e complicadas avaliações envolvendo as mais diversas teses jurídicas, o blog foi ficando de lado. As coisas foram acontecendo e a falta de tempo para contá-las foi a derrocada do senhor do tempo – um paradoxo sempre repetido quando me perguntavam a respeito deste espaço. Como aquele que se julgava capaz de controlar o tempo através de palavras pôde deixar seu próprio objeto de controle trai-lo? Quando precisei fazer esta pergunta, já era tarde demais.

Percebi que havia mudado. Tendo finalmente encontrado respostas para algumas de minhas principais dúvidas, não havia mais motivo para colocá-las aqui em forma de texto. Os amores difíceis se tornaram pedaços de um passado complicado, mas suficientemente bom para me deixar seguir em frente. Encontrei alguém que me mostrasse um mundo diferente, com novas cores, sensações, paisagens – e continuo nessa aventura até hoje. Conheci diversas pessoas, aprendendo com elas e, por muitas vezes, me surpreendendo com o que são capazes de fazer (de bom e de ruim). Sorri e fiz sorrir incansavelmente, só por acreditar que felicidade é um troço que precisa ser compartilhado. Chorei e continuo chorando sempre que a sensibilidade bate à porta. Aprendi e pretendo continuar aprendendo, justamente por acreditar ser esse o único motivo de estarmos aqui nesse mundo.

Meus reclames já não cabem aqui. O tempo é outro, a vida é outra. E eu sei que vem vindo muito mais com o que se preocupar adiante.

Acalmem-se. Não pretendo me desfazer destas linhas traçadas com experiência de vida. O fato de não mais aqui me encaixar não significa que eu precise esquecer tudo aquilo pelo que já passei. Costumo dizer que toda experiência é bem-vinda, mesmo aquelas que nos machucam e nos fazem praguejar contra Deus e o mundo. Esteja disposto a aprender sempre!

Espero que entendam a minha decisão. Eu sempre serei o Senhor do Tempo - e essa alcunha provavelmente me acompanhará até meu último respirar. No entanto, sinto que agora é preciso manter o controle sobre outras coisas, deixando esse ofício experimental nas mãos de quem realmente entenda como fazê-lo. Eu, mero aprendiz, seguirei observando e escrevendo novas linhas nessa história inexata, reescrevendo-as, se preciso for. Sigo de cabeça erguida e pronto para o que vem pela frente. Quem quiser me acompanhar, é só me seguir. Garanto que serei uma boa companhia!

Grande abraço e até qualquer hora!

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