quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Notas de um ignorante

Entre as coisas que me surpreendem e humilham, figura esta, fundamental, que é a cultura de meus amigos e conhecidos. Não só a cultura no sentido clássico, mas também o conhecimento imediato das coisas e fatos que lhe estão sob os olhos no dia-a-dia da existência. Quem está a meu lado sempre leu mais livros do que eu, conhece mais política do que eu, já esteve em mais países do que eu, já teve mais casos sentimentais do que eu, estudou mais do que eu, praticou e pratica mais esportes. Paro e me pergunto que fiz dos meus anos de vida. Já fui atropelado e sofri alguns acidentes, como explosão, queda e afogamento. Mas entre os acidentados não estou na primeira fila. Tenho vários amigos que já caíram de avião, outros de cavalo, alguns sofreram pavorosos desastres de automóveis, um esteve preso num armário enquanto uma casa (não a dele, é claro!) se incendiava, outro ajudou a salvar o navio "Madalena" em meio a tremendas ondas que ameaçavam arrebentar sua lancha a todo momento.

Que fiz eu de minha vida? Em matéria de cultura encontro imediatamente quinhentas pessoas, só entre as que eu conheço, que sabem mais línguas do que eu, leram mais, falam melhor e mais logicamente, conhecem mais de teatro e citam com precisão escolas filosóficas, afirmando que tal pensamento pertence a esta e contradiz aquela. Que fiz eu? De esportes ignoro tudo, não sei sequer contar os pontos de vôlei, só assisti até hoje a uma partida de pólo, nunca joguei futebol e quando vou ver esses jogos desse esporte, só consigo reconhecer os jogadores mais famosos. Esqueço o nome de todos, e no domingo seguinte já não sei mais o escore da partida a que assisto neste. Nado mal, corro pedras, jamais consegui me levantar num esqui aquático, não guio lancha, joguei golfe uma vez, tênis seis meses, não entendo de velejar (o que já me causou uma grande humilhação diante de esportivíssimas americanas de quinze anos que me conduziram num passeio lá na terra delas), e, em matéria de mares, nunca lhes sei os ventos e fico parvo com o senso de direção de muitos e muitos de meus amigos que jamais supus tomassem nada de brisa e tufões. Guio, mas o motor de meu carro é para mim um mistério indevassável. Sei apenas abrir o capô e contemplar a máquina, atitude metafísica que até hoje não pôs carro algum em marcha.

Seria eu então um homem dedicado à cultura propriamente dita, aos livros, ao estudo, ao amor da leitura e do pensamento? Não, pois meu pensamento é confuso e minha leitura parca. Conheço homens, dos que não vivem de escrever, que pensam muito melhor do que eu e leram muito mais, sem contar os especialistas, que conhecem livro pelo cheiro.

Entre os que viajam também não sou dos que tenham viajado mais. Com o agravante de que nunca sei bem onde estou, não conheço a distância que vai de Roma a Paris, nem sei se Marselha está ao Sul ou ao Norte da Itália. Fico boquiaberto quando vejo amigos meus apontarem estátuas e falarem sobre os personagens que elas representam com uma facilidade com que falariam de si próprios. Mesmo o conhecimento de nomes, pessoas e fatos adquiridos em viagens eu o esqueço em três semanas. Mas não adianta o leitor querer me consolar, dizendo que talvez eu seja um bonvivã, porque nunca o fui dos maiores, tendo minha vida sido conduzida sempre numa certa disciplina, necessária a quem veio de muito longe. Donde o amigo poderá concluir então que eu sou um trabalhador infatigável, um esforçado, um detonado. E isso também não é verdade porque, com raras exceções, nunca trabalhei demasiadamente e cada vez procuro trabalhar menos, numa conquista ao mesmo tempo prática e filosófica. Bebo? Bebo mal e ocasionalmente. Não sei quando a bebida é boa ou falsificada. Não sei o nome dos vinhos mais triviais e sempre me esqueço qual é o restaurante em que eles fazem um prato que certa vez eu adorei. Por mais jantares a que tenha ido e por melhores alguns lugares que tenha freqüentado, devo sempre esperar que alguém se sirva na minha frente para não pegar o talher errado e o copo idem. Além do que não como muito, nem tenho nenhuma particular predileção por comer. Gosto então da vida calma, sou um praticante da meditação e do ioga? Nunca dos que mais o são. Por outro lado a extrema agitação também não me é familiar.

Que fiz da minha vida? Quando há um acidente de rua, vem-me o pavor de tomar partido, pois nunca tenho realmente a convicção do lado certo. Se fala o mais poderoso eu sou inclinado a ficar de seu lado por uma tendência a defender os que hoje são mais comumente acusados de todos os males, vítimas do tempo. Se fala o mais humilde sinto-me inclinado a defendê-lo por um ancestralismo que me faz seu irmão, por idéias arraigadas que fazem com que todo homem queira lutar instintivamente pelo mais fraco. Por quê? Não sei. Sou bom de guardar nomes, caras, datas? Já disse que não. Sempre esqueço o nome dos conhecidos e troco o dos amigos mais íntimos num fenômeno parifásico que só a loucura mesma explicaria ou então a bobeira nata que Deus me deu. E política meu conhecimento chega ao máximo de saber que o Sr. Plínio Salgado pertence ao PRP, o Brigadeiro à UDN e Jango ao PTB e creio que há alguns outros partidos também. Mas mesmo essas convicções não são inabaláveis e, se alguém me pegar desprevenido e fizer dessas letras e nomes outras combinações, lá vou eu a aceitá-las, embrulhado e tonto, até que outro interlocutor crie para mim novas combinações e novas confusões.

Mas peguem um puro e simples crime e eu nunca sei quem matou a empregada e em meu peito jamais se chegou a criar uma suspeita sólida a respeito do poeta de Minas. Isso, aliás é o máximo a que vou – sei que houve um crime em Minas Gerais, alguém matou alguém. O morto não está na lista de minhas lembranças, não sei de quem se trata. Sei que o indiciado assassino é um poeta, vi sua cara barbada e meio calva em muitos jornais e revistas. Mas meus conhecidos sabem de tudo. As mulheres de meus conhecidos então nem se fala. Que fiz eu de minha vida? – me pergunto de novo, honestamente, com a surpresa e a amargura com que o Senhor perguntava: “Caim, que fizeste de teu irmão?” Pois boêmio não sou, embora tenha gasto milhares de noites solto pelas ruas. Mas os boêmios me consideram um arrivista da boemia assim como os homens cultos me consideram um marginal da cultura. E os esportistas a mesma coisa com relação aos parcos esportes que pratico. Todos com carradas de razão.

E nem a maior parte do meu tempo foi gasta em conquistas amorosas, pois nesse terreno o Porfírio Rubirosa, se me conhecesse, me olharia com o mesmo desprezo com que me olham conhecidos galãs nacionais.

Dessa mente confusa, dessa existência confusa, dessas mal-traçadas-linhas de viver creio que só resta mesmo uma conclusão a que durante anos e anos me recusei por orgulho e vergonha – sou, por natureza e formação, um humorista.

Millôr Fernandes

domingo, 31 de janeiro de 2010

Seis letras que choram

Há muito tempo atrás, existia em um reino próximo ao Brasil que tinha como Rei um homem severo, ganancioso e possuía um dos maiores e mais antigos males da humanidade: a inveja.
 
Ele se sentia infeliz e intranqüilo, pois próximo à sua nação existia dois reinos menores, mas que inspiravam muita paz, utopia e perfeição. É claro que isso tudo não passava de aparência, já que em todos os reinos havia seus defeitos, brigas, desuniões e também coisas boas, como sabedoria, carisma, beleza e principalmente uma coisa que os diferenciavam dos outros: sinceridade. O rei invejoso, por incrível que pareça, se sentira cada vez mais próximo dos “reis perfeitos” e queria conhecê-los melhor. Os reis então se tornaram os melhores amigos, sempre se visitando (embora sempre houvesse um rei que não queria que um visitasse o palácio do outro).
 
Mas um dia toda essa amizade desabaria, quando os reis vizinhos resolveram se reunir, e o rei invejoso sentiu retornar todos aqueles sentimentos malignos e tudo que ele havia cultivado para com seus melhores amigos desmoronou. Encabeçando um diabólico plano, o rei proferiu boatos infundados para denegrir a imagem dos outros reinos e colocar uns contra os outros para que quando os seus amigos estivessem fraquejados, ele tomasse todos os seus bens cobiçados.
 
O plano no início deu certo, entretanto a consciência pesada do rei começou a latejar ao ver seu amigo necessitado ele não pôde ajudar, tendo ele ficado com um medo avassalador de perder a amizade de seu melhor irmão e ser condenado pelo seu crime. Mas o sentimento de inveja e ganância corrompeu-no por completo e ele fechou os seus olhos para a realidade.
 
Certo dia, o rei da inveja descobrira que seu melhor amigo havia descoberto toda a trama e resolveu cortar relações com ele. Foi o pior dia da sua vida. Não bastando o fato de ter perdido mais que um amigo, um irmão, ele viu seus amigos se afastarem, sofreu “ameaças” de morte, viveu dias sufocantes e passara noites em claro pensando no seu ato diabólico e ainda perdeu a amizade daquela que considerara sua maior confidente, uma das melhores mães do mundo, que era a de seu ex-amigo.
 
Essa história vale como lição para muitas pessoas que põem a ganância na frente do coração e devotam sua vida a um dos sentimentos mais perversos do universo: a inveja.
 
Redijo este artigo, ainda com a mão trêmula, para dizer-lhes: não se deixem levar por esse pecado maldito, que destrói vidas, cortam relações e criam inimizades. Se você sente inveja de seu melhor amigo, converse com ele. Não prepare planos mirabolantes para testar o seu “teto de vidro”. Tente entender seu lado e veja que nada no universo é perfeito, e se existir, um dia acaba. Solte seus espectros, “soltem os panos sobre os astros no ar, soltem os tigres e os leões nos quintais”, mas não acumulem sentimentos ruins.
 
Bem amigos, essa foi a mensagem de uma nova era. Chega de inimizades, acabe com a maldita inveja e seja quem vocês são. E se eu estivesse no lugar do rei que traiu seu amigo, eu pediria para o mundo seis letras, que não choram, e sim que sorriem e abrem muitas portas. Pediria PERDÃO.
 
Por Leandro Chaves,
ou (um novo) Mr. Blonde

domingo, 24 de janeiro de 2010

Crônica da falta de crônica

Depois de um tempo sem escrever nenhuma crônica, nossa mente começa a nos perturbar. Alguns definem isso como “crise de abstinência intelectual”, enquanto outros preferem dizer que o tal problema não passa de “uma simples, porém maldita, falta de inspiração”. Eu discordo. Não existe falta de inspiração em um mundo maravilhoso como esse, onde a pior das dores pode servir de plano de fundo para um texto. O que existe na verdade é a falta de vontade, disposição ou até mesmo tempo para alinhar as palavras e transformá-las em leitura.
 
Digo isso porque minha “falta de vontade, disposição ou até mesmo tempo para alinhar as palavras e transformá-las em leitura” foi a grande responsável pela falta de textos como esse neste espaço. Se fosse algo remunerado, qualquer tema caberia, até falar sobre as palavras cruzadas que terminei de fazer ainda há pouco. Mas prefiro isso de escrever sobre algo que me perturba ou que realmente me dá vontade de escrever. Apesar de que ganhar dinheiro escrevendo deve ser algo fascinante…
 
Nestes meses de ócio, milhares de coisas passaram pela minha cabeça de recém-adulto. Pensei em escrever sobre novos amores, sobre filmes, família, amigos e não-amigos, responsabilidades, músicas, coisas que me atraem… até fazer uma crônica sobre a Lady Gaga era um dos temas que quase viraram texto. Mas outras prioridades apareceram em minha vida. Tive que estudar pra fazer o tal do ENEM, curtir minhas férias com os amigos, namorar um pouco (afinal, ninguém é de ferro), fazer coisas novas, conhecer novos lugares… Experiências que texto nenhum consegue expressar em plenitude.
 
Em plenitude. Porque pelo menos a essência da coisa eu vou tentar transmitir a todos vocês que me leem nesse momento. Experiências marcantes, provas de amor, medos, aflições, pontos de vista e qualquer outra coisa que me provoque o bastante para que eu escreva sobre ela. Não é uma promessa, é mais uma responsabilidade. Tirar o peso de ter tanta ideia presa na mente e evitar que o ócio consuma cada uma delas em fogo baixo.
 
Avise a todos que o Senhor do Tempo está de volta. E com mais ideias em mente. Pronto pra rabiscar, contar histórias de um cara com nome de bebida, mostrar novos métodos para viver melhor, escrever sobre seu tempo, sobre sua vida ou sobre a vida dos outros. Conto com a ajuda de cada um aí do outro lado, para que esse seja mais um espaço de entretenimento e de boas vibrações. E que a cada dia, possamos acordar como pessoas melhores, mais dispostas e cheias de vontade de escrever uma nova crônica em nosso livro da vida.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cabelos ao vento

E agora
Os teus cabelos são meu corpo
Afagar
Os teus cabelos são meu livro
Te encontrar
Os teus cabelos são história
Te contar
Os teus cabelos são lembrança
Vou levar
Os teus cabelos são encontro
Te beijar

Nenhuma palavra foi dita
Toda palavra foi dita
Cabe a qualquer parte
Virar arte, poesia
E os teus cabelos são, agora,
Minha glória, meu cantar
O teu sorriso, minha vitória
Celebrar e celebrar
E o teu desejo, meu desejo
De verdade, te amar

Marcos Lima

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Contos de Whisky III

- Honestamente. Não quero mais falar sobre isso.
- Mas, doutor. Essa é a sua última chance.
- Ok, Viviane. Quer dizer que você quer terminar seu namoro de 5 anos pra ficar com alguém totalmente diferente de você quando o assunto é relacionamento?
- Eu não diria totalmente diferente.
- Certo, certo. Mas essa não é a questão. O problema é que você quer deixar para trás todos os momentos bons vividos com seu atual namorado e trocar por algo que você nem sabe se vale a pena.
- Vale, doutor.
- Ok. Então me diga por que vale.
- Vale porque eu amo o Carlos. Nunca fui perdidamente apaixonada pelo Guilherme. Nunca me peguei pensando nele à noite, antes de dormir, mesmo quando estávamos apenas nos conhecendo. Era coisa de menina adolescente apaixonada e louca pra ser feliz. E o melhor é que fui feliz. E continuo sendo, só que agora apaixonada.
- E por outro.
- Isso, por outro!
- Mas seja sincera consigo mesma. Você ainda gosta do Guilherme?
- Gosto como amigo. Aliás, nós sempre parecemos mais amigos do que qualquer outra coisa. Nas festas em família, nas idas ao shopping, nos shows e baladas, nas noitadas pelos bares... Todo mundo sempre achou que nós éramos apenas amigos. Bons amigos!
- E por que namorar 5 anos com uma pessoa que lhe é apenas amigo?
- O diferente me atrai, doutor. Ele era diferente. O meu primeiro beijo foi com ele. Era quase um segredo que deveríamos guardar. Eu confiei nele como se confia na amiga mais íntima. Passamos 5 anos confiando um no outro, mesmo quando o que eu mais queria era não poder confiar. Sou grata a ele por tudo, mas hoje vejo que estou mais acostumada em tê-lo por perto do que gostando de verdade.
- Mas você chegou a gostar dele de verdade?
- Gostar sim, mas amar não. O nosso “Eu te amo” era um “Eu te amo” de amigos. E nunca foi mentira.
- E o Carlos, Viviane? O que te faz amar tanto esse rapaz?
- Bem, doutor. O jeito como ele me olha, o sorriso que ele me dá sempre que nos cumprimentamos, o abraço apertado de vez em quando na escola, a sua inteligência, a sua beleza, o seu jeito de ser, sua educação. E alguma coisa que eu ainda não descobri o que é, mas que eu estou disposta a descobrir o mais breve possível.
- Entendo. Já falou isso pra ele?
- Não. Tenho medo de que ele não sinta nada por mim.
- Então, novamente te faço essa pergunta. Está disposta a terminar um namoro de 5 anos para simplesmente descobrir algo oculto de uma outra pessoa?
- Não é terminar por terminar, doutor. É isso que eu queria que entendesse. O Guilherme anda estranho. Não conta mais nada sobre sua vida, não me conta seus problemas, como vai na escola... O fato é que continua apaixonado. Ele. Já eu, não. Vai ser difícil fazê-lo entender isso.
- Então, se está totalmente decidida, converse com ele. Terminem o namoro juntos.
- É isso mesmo, doutor Marcos. Vou conversar com ele e me resolver. É preciso coragem pra enfrentar novos riscos.
- Boa sorte, minha filha.
- Obrigada!

Naquele dia, Viviane saiu da sala do psicólogo decidida a mudar sua vida. Chamou Guilherme em um canto, falou tudo o que tinha pra falar e terminou o namoro. Ele concordou. Não havia outra saída se aquele quase noivado não fazia mais sentido nem pra um nem pra outro. À noite, antes de dormir, Viviane contou tudo o que havia acontecido para Carlos, que, apesar de não querer que ela tivesse terminado aquela relação, ficou feliz da vida.

No dia seguinte, Viviane curtiu seu primeiro dia de solteira na casa de uma amiga. Não sabia ao certo o que queria fazer, mas decidiu que iria fazer. Pegou a bebida mais ardente que havia no lugar e bebeu de uma só vez. Cantou, gritou, esperneou, fez declarações para Carlos e dormiu... Acordou bem mal e nem um pouco arrependida. Tinha começado uma nova vida, ao lado de uma vida nova. E havia dito o primeiro “Eu te amo” verdadeiramente apaixonado para alguém que realmente merecia.

Isso aconteceu há 30 anos. Viviane e Carlos estão casados até hoje e a lembrança que mais guardo dos dois é o olhar sincero que ambos insistem em dar toda vez que se olham. Formam um casal perfeito, com apenas um objetivo na vida: serem pegos de surpresa!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

As 18 músicas da minha vida (Parte 2)

Dando continuidade à minha lista com as 18 músicas que mais me marcaram nesses 18 anos de vida. Aos trabalhos, pessoal…
 
10. Senhor do Tempo – Charlie Brown Jr.
A música que deu origem a esse blog. Uma letra maravilhosa, que tem tudo a ver comigo, com minha história e com minhas experiências. Ter a alcunha de Senhor do Tempo é uma das sensações mais estranhas, admito, mas uma das mais prazerosas que podem existir. Se eu pudesse encontrar o Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr., com certeza o agradeceria.
11. Lugar Ao Sol – Charlie Brown Jr.
Outra dos caras do Charlie Brown que invadiram a cidade! Como a maioria das letras deles, essa música é mais uma que consegue transmitir uma mensagem legal, que conforta e se assemelha ao que sou ou ao que tento ser. Buscar um lugar um sol é o grande desejo de todos, uns mais, outros menos. E um grande amor também… “Nossas vidas, nossos sonhos têm o mesmo valor. Eu vou com você pra onde você for. Eu descobri que azul é a cor da parede da casa de Deus e não há mais ninguém como você e eu”
12. Proibida Pra Mim – Zeca Baleiro
Tudo bem que essa música também é de autoria do Charlie Brown Jr., mas eu a prefiro na voz do maranhense Zeca Baleiro. E explico. Além de ter uma das coisas que mais gosto no mundo da música – o som do violão –, Proibida Pra Mim me lembra cinco palavras: mãos, voz, futuro, amor e Jamille. O resto, deixa assim ficar subtendido…
13. Superman – Fruto Sagrado
Mais um exemplo de música evangélica que tem tudo a ver comigo. A primeira vez em que a ouvi foi no canal de áudio Gospel da SKY – canal esse que eu quase nunca acesso. Mas valeu a pena. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre mim deve ouvir essa canção. E mesmo quem não queira, ouça. Ela também vai te confortar…
14. Super-Herói – Sandy e Júnior
Não há muito o que explicar sobre essa canção. O que percebo é que a letra das músicas nacionais é o que mais influencia para que elas se tornem marcantes em minha vida, ao contrário da melodia nas internacionais. E Super-Herói é mais uma que me marcou por esse motivo. Letra bonita, violão e minha história!
15. A Queda – Lobão
Se a decepção insistir em bater a sua porta, ouça essa música. Em um namoro conturbado, me pegava ouvindo incessantemente essa melodia ejaculada na velocidade terrível da queda. E se me vir ouvindo ela por aí, com ela em meus profiles da vida ou adaptada em qualquer texto, pode crer que a situação não está nada boa. Mas como tudo tem seu lado bacana, é mais uma das músicas dos anos 80 que tive a oportunidade de conhecer graças ao projeto Acústico MTV.
16. Espero Minha Vez – NX Zero
Primeiro vestibular, ano ruim, discussões… Considero essa a música mais bonita do NX Zero. Uma letra motivadora e uma melodia legal. E outra música que conheci no ônibus enquanto estava indo colocar crédito na minha carteira de estudante. Eu gosto do transporte coletivo, eu gosto da “paz” que ele me traz. Mas prefiro sair de carro de madrugada pelas estradas da vida…
17. Eu Amo Mais Você – Catedral
Quem aqui já beijou alguém olhando o pôr do sol e ouvindo música? E quem aqui já beijou alguém olhando o pôr do sol e ouvindo essa música do Catedral? Cara, imagina: estar com a pessoa que você ama, do jeito que você sempre sonhou e com a lua e uma estrela que você jura ser aquela que o acompanha sendo as únicas testemunhas desse momento único… Marcou e esse momento eu vou lembrar pra sempre como sendo um sonho realizado!
18. -
Ainda estou a procura daquela vai merecer ser a 18ª música da minha vida. E você, tem alguma sugestão pra me dar? =)

domingo, 3 de janeiro de 2010

As 18 músicas da minha vida (Parte 1)

Já imaginou o quão maravilhoso seria se cada momento de nossa vida fosse gravado para a eternidade? Poder rever tudo aquilo, pausar, rir, chorar, comentar, criticar, perceber onde estava o erro, o que poderia ser melhorado… Seria uma forma de resgatar histórias e de contá-las melhor, do jeito que realmente aconteceram.
 
Melhor ainda, se cada uma dessas histórias fosse transmitida com uma trilha sonora ao fundo, tipo filme ou coisa assim. A música tem o poder de trazer de volta partes inesquecíveis da sua vida. E é por isso, exatamente por isso, que venho aqui retomar alguns desses momentos, bons e ruins, que me fizeram crescer e aumentar ainda mais o meu gosto por boa música.
 
A seguir, uma seleção com as 18 músicas que mais têm a ver comigo ou que me marcaram de alguma maneira nesses 18 anos. Aprecie ou deixe pra lá…
 
1. Clocks – Coldplay
Não faço a mínima ideia da primeira vez em que escutei Clocks. Minha memória insiste em dizer que foi em uma festa de aniversário aqui na rua, mas eu não me lembro. Só sei dizer que ela me traz uma paz e uma sensação de dever cumprido que nenhuma outra música consegue transmitir. E que ela é o principal motivo de eu namorar de verdade hoje em dia…
2. Miss You Love – Silverchair
Meus sábados, aos 15 anos, ouvindo programa de rock em uma rádio local enquanto escrevia “Meu Mundo” (uma novela malfadada que eu resolvi rabiscar). Mas não é só isso. A minha preferência estranha pelos dias de sábado, a sensação de “dèja-vu anos 90” que me acomete de vez em quando e minha vontade de estar em algum lugar, com alguém especial, olhando o pôr do sol, no sábado à tarde, ouvindo essa música. Por algum tempo esse era o meu primeiro encontro ideal.
3. Wonderwall – Oasis
Juro que não sei dizer o porquê de gostar tanto dessa música. Talvez a sensação de já tê-la ouvido quando era criança, talvez sua sonoridade, talvez a vontade de falar pra alguém que “existem muitas coisas que eu queria dizer pra você, mas não sei como”… Ou talvez nada disso. Ah, ela também é a música que marcou o meu primeiro namoro que eu achava que iria pra frente!
4. Iris – Goo Goo Dolls
Vai cansar, eu sei, mas essa é mais uma das músicas que eu juro com os pés juntinhos que eu ouvi em algum lugar na minha infância, mas não sei onde e quando. E pode até ser, visto que ela era trilha sonora de um filme de 1998 (Cidade dos Anjos). Quem sabe, né?
5. Speed Of Sound – Coldplay
2005, 7ª série. Uma traição de alguém que eu considerava amigo e noites de fim de semana com essa música ecoando no aparelho de som que eu insistia em trazer pro meu quarto só pra colocar o CD gravado pelo cara da lan house. Hoje, traição superada, é uma música que me ajuda a pensar e a libertar certos fantasmas. Como eu disse um pouco antes de escrever esse texto: “Speed Of Sound faz milagres…”
6. He Wasn’t – Avril Lavigne
2005, de novo. Por incrível que pareça essa não é a minha música preferida da Avril Lavigne. Ela só entrou aqui porque faz parte de um momento engraçado da minha vida. Eu, menino franzino de 13 anos, adorava cantar as musiquinhas em inglês. Até que em um belo dia, cantando essa música, me pego transformando “Sit on the bed alone” em “Senta no Beralônio”. Riram. Hoje, Beralônio vive bem na casa da minha namorada, sob a forma de um sapo preguiçoso!
7. Broken – Seether e Amy Lee
O tipo de música que um dia eu ainda vou aprender a tocar no violão e cantar pro amor da minha vida em um sábado à tarde. Lembro bem da primeira vez em que a ouvi: um dia de semana no Central MTV. O clipe havia me chamado atenção, mas eu não tinha ouvido a música por completo. Eis que, chegando da Educação Física que eu quase nunca ia, lá estava ela fazendo sucesso no Disk MTV. Ah, o clipe me chamou atenção porque é em um lugar deserto daquele jeito que quero ir um dia, passar uma tarde. Mas tem que ser em um sábado, viu?
8. Goodbye For Now – P.O.D
Outro exemplo de junção perfeita entre clipe e música. Goodbye For Now é uma das canções que me deixaram fascinado pelo rock cristão, desses tocados em igrejas evangélicas. Minhas tardes eram superlegais quando eu ficava assistindo ao Plantão Musical da Rede Gênesis. Não que eu estivesse a um passo de virar evangélico, mas algumas músicas me deixavam mais livre, mais humano, mais perto de Deus. Pesquisando pra escrever esse comentário, acabei descobrindo que a garota que canta no finalzinho da música é a Katy Perry, dos tempos em que ninguém sonhava que ela tinha beijado uma garota e havia gostado disso!
9. Fast Car – Tracy Chapman
Meus finais de tarde chuvosos, fazendo o dever da escola, sentado à mesa da cozinha, minha mãe costurando e o radinho de pilha tocando essa música. Aquele friozinho, o barulho da chuva forte, a voz tocante do locutor do Momentos de Amor às 5 da tarde e nenhuma preocupação do que eu era ou do que eu pensaria em ser. Só queria que tudo voltasse a ser como era. Ou pelo menos, que chovesse bastante nos meus próximos finais de tarde em que eu estivesse ouvindo essa música…

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Métodos Marckosianos de ver a vida (4)

Não adianta. Por mais que eu tente, não vou conseguir escrever qualquer outra coisa sem antes falar do ano que está terminando. E já que o “Métodos Marckosianos de ver a vida” foi feito justamente para isso, aqui estou eu mais uma vez pra descontar nessas rápidas linhas as minhas observações, as minhas angústias, as minhas alegrias e os meus apontamentos.
 
Começamos por decepção. Tenho consciência de que esse foi o ano em que mais aprendi sobre os dissabores da vida. Decepções amorosas, fracassos estudantis, perdas irreparáveis, cenas insuportáveis. Não me arrependo de ter feito parte de nenhuma delas, mas rezo a cada dia para que meus semelhantes não vivam nada parecido. Afinal, “decepção não mata, ensina a viver!”
 
Depois vieram as trocas. A grande pergunta desse parágrafo é se dá pra viver bem renunciando a algumas coisas. Será que valeria a pena passar todo o meu terceiro ano de cara nos livros e perder o que mais ganhei de importante e precioso nesse ano que foram os meus amigos? Será que dava pra conciliar? Será que eu deveria ter me desprendido antes de ter me apaixonado? Será que eu devo esquecer minhas qualidades e apresentar somente meus defeitos? Algumas respostas vieram com o tempo, mas nenhuma delas me fez desistir.
 
A seguir, minha volta por cima. Olhei para cada rosto que insistia em me classificar como derrotado e fiz valer a pena. Calei a boca de muita gente por aí, fosse por meu empenho, por minha inteligência, por minha alegria ou por minha capacidade de sonhar e continuar acreditando naquele sonho impossível. E sonhei, garantindo com isso a minha maior recompensa de 2009: um novo amor.
 
Nunca tive medo de me apaixonar. Nunca tive medo de olhar pra alguém por quem eu realmente sinto alguma coisa e dizer, olho no olho, um “Eu te amo” sincero. Se não aproveitou, que pena! Eu soube evoluir com isso e ser feliz, apesar de tudo. Eu me tornei alguém melhor, cheio de responsabilidades, é bem verdade, mas responsabilidades que eu busquei pra mim, afinal, por mais que ainda pareça, eu não sou mais criança. Eu sei bem o que quero e pra onde quero levar quem me acompanha!
 
Sei bem que mais tarde, quando eu retornar a esse texto, tudo isso poderá parecer pura bobagem de um jovem adulto. E que seja. Desde quando escrever o que se pensa é pecado? Deixar registrado o que se acha da vida também? Acredito piamente que não. Só não irei deixar de sonhar alto, de traçar planos e objetivos, de contar minhas piadas sem graça, de fazer novos amigos, de descobrir os prazeres do amor fiel e verdadeiro, de conhecer lugares e pessoas novas, de me aventurar (mesmo que seja dentro do meu próprio quarto) e de dar valor a mim mesmo.
 
Que isso sirva de lição às futuras gerações e a mim também. E quer saber? Todas as promessas feitas em vão já perderam a validade. Estou fazendo outras, pensando em quem realmente vale a pena. Que nós tenhamos um 2010 muito melhor que 2009, pra que todos possam dizer com o peito estufado e o hálito quente: esse foi o melhor ano da minha vida!
 
“Façamos, vamos amar” (Chico Buarque de Holanda)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tijolo por tijolo

Sim, ela vive em um conto de fadas, desses que a gente não sabe nem de que maneira começam. Para ela, “Era uma vez” é pura invenção dos autores pra dar início ao sofrimento e à solidão. Não ouve música, não lê livros, esqueceu o gosto e o cheiro do mundo que ela deixou. E chora, quando insistem em olhá-la.

Tudo se resume à exposição das lentes e às lendas que lhe contei. Cada olhar reprovador, cada julgamento, cada pensamento incoerente, tudo isso a afeta de uma maneira que narrador nenhum consegue expressar. É tudo um equívoco. Contam-lhe que todos os ângulos estão errados, mas ela não ouve. Tem medo de voar, por isso arranca as asas de todas as borboletas que vê pela frente, na tentativa inútil de não subir com elas.

E entoa: “Mantenha seus pés no chão quando sua cabeça estiver nas nuvens”

Um dia, ele a encontrou chorando, encolhida no chão sujo, prestes a entregar-se de vez. Queria salvá-la de alguma maneira. Ela queria ser salva. Mas o “felizes para sempre” não veio. O relógio soou meia-noite e a história da princesa encerrava-se ali. Pensou em desistir, mas a única coisa que poderia fazer era voltar pra casa. Ou construir uma nova, tijolo por entediante tijolo, antes que os lobos viessem derrubá-la.

E escrevia: “Mantenha seus pés no chão quando sua cabeça estiver nas nuvens”

O mundo mágico é sempre melhor, quando sua vida real é uma tragédia. Você se camufla em imagens falsas, pessoas falsas, atitudes falsas. E, no final, o mais falso continua sendo você mesmo. Porque se não é real, você não pode abraçar com as mãos, não pode sentir com o coração e eu não vou acreditar. Mas se é verdade, você pode ver com seus olhos, até na escuridão. E na escuridão é onde eu quero estar…

Por isso, pegue sua pá e vamos cavar um buraco, desses bem grandes. E forçaremos, tentaremos, conseguiremos colocar um castelo dentro dele. O seu castelo de medos, de traumas, de opiniões contraditórias. E enterraremos o tal castelo.

E enquanto a ela? Continua entoando e escrevendo por aí: “Mantenha seus pés no chão quando sua cabeça estiver nas nuvens”.

(Texto escrito à partir da letra traduzida de “Brick By Boring Brick” do Paramore)

domingo, 29 de novembro de 2009

Própria Fuga

Eu só queria sumir
Pra um lugar de fogo, de preferência
Queimar, arder todas as minhas angústias
As minhas faltas, os meus medos
Meus deslizes e qualquer outra coisa que me perturbasse

Eu só queria fugir
Fugir pra um lugar de gelo
Morrer de hipotermia, e levar com ela toda a agonia
O desprezo, a falta de razão
E afastar essas lágrimas que caem e as que já caíram

Eu só queria ficar
Enfrentar cada olhar reprovador
Cada criança faminta, cada alegria desmedida
Enfrentar e dizer pra cada uma delas
Que eu sou capaz, que eu quero viver em paz

Mas eu não posso
Me falta coragem, vontade e força
Estou fraco, ligado sem nenhuma voltagem
Vontade, verdade, fugir, desaparecer
E começar tudo de novo
Antes que aquelas palavras saíssem da minha boca.

Marcos Lima