quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Quinta-feira

Acho que ainda consigo me lembrar daquela quinta-feira. Do alto do meu atraso, causado por um típico engarrafamento ludovicense e pela demora incomum do único ônibus que me levaria até você, percebi que aquele não seria um fim de tarde qualquer. As mensagens impacientes que insistiam em vibrar o celular davam ritmo à minha pressa e vontade de estar contigo de novo. Era tudo muito recente, vívido, esperançoso, e cada oportunidade de estar ao seu lado me dava a certeza de que era aquilo que eu precisava pra ser feliz de uma vez por todas, mesmo quando todo mundo me dizia pra ir com calma.

Ao chegar, recordo-me das brincadeiras espirituosas de nosso cupido, capaz de te deixar incrivelmente vermelha, feito o tomate que você tanto odeia. Dizia ele que era mais prudente procurarmos um lugar reservado para trocarmos juras de amor. Instigado pela ideia e louco pra te ver sorrir com minhas brincadeiras sem graça, puxei seus braços em direção à primeira sala de aula que vi, sem muito sucesso. De fato, nós dois sabemos que não seria às escondidas que você se apaixonaria de vez. Precisava ser do jeito que foi, nos bancos de pedra que endureceram nosso amor.

A luz do início da noite é laranja naquelas bandas da Universidade, exatamente como a sua cor favorita. Naquele momento, após um tchau desengonçado do amigo pinguim, nossos lábios se tocaram mais uma vez, em um prelúdio afetuoso do que viria a seguir. Aliás, não consigo acreditar que não estava apaixonada até então. Se fecho meus olhos, vejo claramente os seus brilhando a cada brincadeira boba e desajeitadamente sensual. Até que veio a hora da verdade.

Já tinha que te permitir partir, mas faltava alguma coisa. Um som que pudesse ecoar naquela noite mágica, capaz de nos fazer lembrar que aquilo tudo era só o início de um plano maior, de uma experiência marcante, de um amor sublime. Entre tantos ritmos, gostos e sonhos, falamos sobre Cícero, o cantor. Você dizia que gostava bastante de uma música dele e era justamente essa canção que eu tinha do artista em meu celular. Você parecia não acreditar. Ensaio sobre ela, sobre mim, sobre você.

Assim, naquele momento, aconteceu. A música que outrora ouvíamos distantes, pensando em alguém capaz de preencher o vazio causado pela falta de um verdadeiro amor, sem sequer saber que existíamos, agora era nossa – e de mais ninguém. O sonho das tuas noites insones estava prestes a virar realidade e a perplexidade por saber musicalmente que se tratava de mim era o ingrediente necessário para a receita de medo que dominava seu coração. Você foi e tem sido a melhor na arte de amar, de me fazer acreditar novamente no lado bom da vida, de pensar no futuro até então impensado. Foi como ser feliz de novo!

A sensação de plenitude por encontrar o amor é algo inexplicável. O medo bate, as dores fogem, os risos saem, o choro desce. E, no fim, somos dois escrevendo o começo de uma grande história, capaz de agradar os mais belos leitores que já existiram: nós mesmos. Que seja sempre saudade na saída e felicidade no reencontro. Que seja belo. Que seja nós!


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