sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Métodos Marckosianos (6)

Sempre é difícil resumir em palavras algo tão intenso pra você. É assim com o primeiro beijo, com a primeira transa, com a última vez em que se pôde conversar com seu melhor amigo. Falar do ano que passou também não é tarefa fácil, principalmente quando aqueles 365 dias poderiam perfeitamente virar um livro de memórias, digno de estar na prateleira de biografias. Mas é o que venho tentando fazer ano após ano desde o início deste blog. Os “Métodos Marckosianos” viraram uma espécie de momento de reflexão, onde abro meu baú de segredos e exponho tudo ou maioria daquilo que vivi de maneira simplória e agradável a mim e aos outros. Esses outros, tão fundamentais a cada dia.

Revendo os textos anteriores, procurei uma maneira diferente para escrever este aqui. Decidi por algo mais direcionado a quem me lê e não apenas uma seleção de verdades escancaradas sobre mim mesmo. Além do mais, lá no finalzinho, uma playlist com músicas que fizeram meu ano valer a pena e uma lista com 10 coisas para fazer em 2012 – e que podem muito bem servir pra você, que dedicou alguns minutos de leitura às minhas memórias reflexivas. Vamos às lições.

Planeje sim. Nada de querer fazer mil coisas ao mesmo tempo. Aconteceu comigo e gostaria que não se repetisse com ninguém. Estudar, trabalhar, tirar carteira de motorista, sair com os amigos, ficar na internet, assistir filmes e séries, namorar, ir ao banco, viajar... Tudo isso, ao mesmo tempo, não dá certo. Em 2011, baguncei planos e prioridades justamente por não ter planos e prioridades definidos. Saí fazendo coisa após coisa sem me preocupar se iria dar tempo, se eu estaria cansado ao final do dia ou se sairia bem feito. Algumas até deram certo, mas outras vou tentar reorganizar no ano que se inicia.

Nunca pense que acabou. Milagres também acontecem. Quando que eu pensei que, aos 45 do segundo tempo, passaria para Direito em uma universidade federal? Acabara de voltar de uma viagem maravilhosa com o pessoal do curso de História quando recebo uma ligação da faculdade perguntando se eu estaria interessado em uma vaga que havia surgido. “Estou”, disse o menino feliz. Agora é hora de fazer valer a pena a chance vinda dos céus, vinda de Deus. Porque quando nada mais der certo, é n'Ele que se deve confiar.

Cuidado com as camas de gato. Cama de gato, pra quem não sabe (ou só relaciona com aquela novela das 18h da Rede Globo), é uma brincadeira infantil em que se constroem formas com barbantes presos às mãos. Na vida, o barbante pode ser uma mentira, alguém que você conheceu, mas não deu a devida importância, uma atitude peculiar, enfim, algo que, mais tarde, possa entrelaçar seus objetivos ou bagunçá-los, ao sabor do acaso. Aliás, uma cama de gato pode muito bem surgir por acaso, como aconteceu em 2011 pra mim. Dica esperta: somente com bastante sagacidade podemos nos livrar dela.

Viaje. Pela primeira vez, saí do Maranhão. Pela primeira vez, fui a um aeroporto, fiz check-in, voei de avião, passei mal depois de voar de avião, fiz conexões e conheci o Rio de Janeiro. Em um ano em que não tive férias, já que a faculdade tomou todo o meu tempo, passar 1 semana fora foi suficiente para desestressar, fazer novos planos, retomar alguns antigos e visitar locais que com certeza terei o prazer de rever mais tarde. Desejo, sinceramente, que eu possa conhecer novos lugares e aproveitar o que esse mundão tem de belo em 2012.  Ah, imitar o Bob Esponja pros passageiros mais uma vez também seria legal...

Evite a solidão de alguma forma. Ligue pra alguém em um domingo à tarde, saia com uma desconhecida em uma sexta à noite, conheça alguém na mesa de um bar, deixe de ser tímido o suficiente pra marcar uma saída qualquer, faça novos amigos, observe quem está ao seu redor. Não deixe que a solidão domine sua vida monótona ou cheia de metas a cumprir. Nada de negar compromisso com a desculpa de estar sem tempo para dedicar-se a ele. Algumas vezes, pode até ser verdade, mas logo depois, você vai se sentir culpado por não ter alguém por perto, pra lhe oferecer cuidados ou simplesmente ouvir o que você tem a dizer. Dica preciosa, essa. De alguém que já melhorou muito nesse aspecto, mas que busca cada vez mais aprendizado.

Religião não pode afastar as pessoas. Embora seja o que mais se veja atualmente, nunca deixe que lhe digam em quem acreditar. Entender o mundo à sua maneira é a coisa mais bonita que existe e respeitar a opinião do outro acerca desse entendimento será sua maior virtude. Pessoas estão destruindo seus sonhos porque os homens viraram intérpretes de Deus sem nenhuma virtude para isso. Acreditar ou não acreditar só serve para você. Não acredito em um Deus que castigará quem não seguir a Igreja Mundial do Templo Sagrado do Senhor da Assembleia do Sétimo Dia do Julgamento Final Universal. Ele é mais que isso, minha gente. Ele é mais do que nós.

Dê tempo ao tempo. Pessoas que foram embora de sua vida sem dar explicação nenhuma vão voltar, lhe desejando sucesso e os mais sinceros votos de um tempo bom. Não se trata de profecia ou coisa parecida. As pessoas voltam quando sentem que há espaço para elas. Ir embora deve ser culpa do medo, do orgulho ou da própria culpa. Elas voltam, ficam longe o suficiente para que você sinta falta, mas logo se vê que elas estão ali de novo, prontas para lhe ajudar, preparadas para o que der e vier. Porque crescemos. E crescer faz parte de outro verbo: o viver [!]

Trate seu passado com carinho. Nada de cartas queimadas, presentes destruídos, indiretas idiotas. Nada de passar pela pessoa amada de outrora e virar a cara, praguejar contra os deuses, fugir. Isso tudo é coisa de gente incapaz de dar valor ao que se teve de bom, incapaz de conseguir viver novos tempos bons com novas pessoas boas. Deve-se ter respeito pela figura do outro e evitar certas atitudes que você mesmo não gostaria de encarar. 2011 me ensinou que é preciso ter coragem para seguir em frente e muito mais que isso para encarar toda a poeira que nossos passos deixaram pelo caminho. E que esse pretérito seja de paz.

Enfim. Ainda queria falar tanta coisa, mas já chega. Já são quase 11 da noite da última sexta-feira de 2011 e eu acabo de perceber que as oportunidades mais brilhantes do ano eu agarrei com toda a força, com toda a garra, com toda fé. Se você não fez isso, relaxe. Você ainda tem o sábado inteiro pra procurar o garoto ou a garota dos seus sonhos. Ainda dá pra voltar a falar com seu filho, irmão, sobrinho ou ex-namorado idiota que você não vê há tanto tempo. Ainda resta tempo pra terminar de ler aquele livro que você vem arrastando desde o início do ano. Ainda dá pra aproveitar a lua crescente, o sol, a chuva, afastar seus medos, encontrar um motivo pra viver, deixar pra trás quem te deixa pra trás. Ainda há tempo de viver!

Que 2012 seja a síntese de tudo o que você plantou em 2011. Que seja um ano repleto de realizações pessoais, profissionais, amorosas e religiosas. E que eu possa riscar todos os itens da listinha e dizer, verdadeiramente, que eu pude fazer valer a pena. Que 2012 seja doce!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Boas festas...

Viviam às turras. O Marido, cansado, chega em casa, desabotoa o palitó, deixa o sapato pela sala e pega rapidamente o controle remoto a fim de não perder os minutos finais do jogo de quarta. A Esposa, que a essa altura já brigou com o Filho adolescente por causa do barulho da guitarra, ensaia mais uma discussão, agora com aquele que outrora fora o destinatário de seu ‘felizes para sempre’. O Marido retruca dizendo que está cansado, o que se comprova pela sexta palavra deste conto infeliz. A queixa faz lembrar a casa ao lado, onde a mesma cena se repetiu noite passada. Agora são as opções de comida que desagradam os ex-noivos. O Filho continua tocando Nirvana com notas erradas. Isso acontece, religiosamente, todo santo dia.

24 de Dezembro. O Marido beija a Esposa e exala o perfume novo que ganhou da prometida como se não houvesse amanhã. O Filho de 16 anos veste uma roupa nova que ganhou da mãe protetora e passeia pela casa com a 18ª Namorada. Comida não é problema. Na mesa posta, várias opções para um jantar que só pode ser servido à meia-noite, preparado especialmente pela mulher que mais gosta de cozinhar nesse mundo: a Esposa. Os Tios chegam trazendo os Avós, meio desconsertados pela idade avançada, mas cheios de histórias. A Prima começa a flertar com o Filho e a Namorada do Filho imagina uma cena de ciúme explícito, mas se contém, afinal é noite de Natal. A felicidade reina e a falsidade também.

Intervalo entre 25 e 30 de Dezembro: favor ler o primeiro parágrafo (com exceção do futebol, que, nessa época, é substituído por comédias duvidosas).

31 de Dezembro. O Marido traz uma caixa de fogos de artifício e promete “passar a virada” tocando foguetes, o que não faz desde os 12 anos de idade porque queimou a mão acidentalmente. A Esposa liga para as amigas e procura uma festa animada, de preferência com comida pronta e boa música, para fazer o Marido desistir da ideia boba. O Filho passeia pela casa com a 19ª Namorada (leia-se: a Prima). Todo mundo resolve, em uma conversa pacífica, passar o “Ano Novo” na praia. O Marido põe a bermuda branca que ganhou no amigo invisível da empresa, a Esposa coloca o vestido que mandou fazer na costureira e o Filho continua beijando a Prima, pouco se importando com o que usar.

1º de Janeiro. Um trânsito infernal na hora de voltar da praia. A Esposa passa mal graças a um marisco que comeu horas antes por lá. O Marido, depois de umas 5 cervejas, começa a dizer que avisou para ela não comer “porcaria” e que deveriam ter ficado em casa iluminando o céu do bairro com os tais fogos. Os dois brigam. O Filho e a Prima encontram uns amigos e se drogam na areia. Já é quase de manhã. Aparentemente, tudo voltou ao normal. Com gosto de Ano Novo, com jeito de vida velha...

Tenho me perguntado isso todos os dias...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Solto em uma cama de gato

Quer saber? Já tô cansado de viver como em um filme do Woody Allen. Cansei de tantos encontros e desencontros, chegadas e despedidas, histórias fortuitas e intempestivas. Cansei de alcançar a pessoa certa e simplesmente desperdiçá-la por minha falta de coragem ou qualquer outra coisa parecida. Tô cansado de chegar ao ponto de ônibus segundos depois do coletivo ter passado. Cansei por nem ter chegado. Eu, sinceramente, cansei.

Não é por causa de você. Nem por sua causa. Nem pela sua. Vocês formaram a tríade do que eu pensei ser impossível, do que eu nunca acreditei que pudesse acontecer, daquilo que eu nunca sonhei que viesse a ser verdade. Estou preso a uma cama de gato, diferente das normais, já que eu posso sair dela a qualquer momento, até porque ela nem existe realmente. É uma cama de gato eficiente. Problemas resolvidos que, do nada, parecem mal resolvidos; histórias incompletas que se completam justamente por causa da incompletude nelas evidente; romances que nem mesmo aconteceram, mas que povoaram minha mente por semanas e semanas.

Afinal, o que é certo a fazer? Envolver-se em uma trama insincera e resolver todos os seus problemas ou vivenciar uma paixão tórrida há tanto sonhada e cair no abismo da traição? O que é justo? Se a gente não tivesse exagerado a dose, teria vivido um amor Grand Hotel, esse mesmo, do filme antigo. Aliás, o que anda sendo o amor ultimamente? O retorno a uma realidade de duros golpes ou a pura ausência do querer aventurar-se? Não consegui dormir noite passada. Rolei na cama por horas até entender que eu sem você é pura questão de tempo. E que eu sem a gente, simplesmente não existe.

Tenho sido poeta, eu sei. Mas poesia ainda é uma das poucas coisas que me restam, aliada ao meu bom senso, ao bom caráter e ao bom dia. Não tenho do que reclamar, eu só não estava preparado pra enfrentar tanta coisa em tão pouco tempo. Ou devo dizer, tanta falta de tanta coisa em tão pouco tempo. O certo é que tenho grande parte da culpa pela inexistência de algumas dessas coisas. Eu reneguei, deixei pra lá e cá estou eu, digitando freneticamente tudo o que me vem à cabeça. E o pior que nenhuma gota de chuva cai do céu.

Se era isso que queriam, conseguiram. Não duvido nada de terem planejado tudo isso em um domingo à tarde, com nutellas à mesa e vingança na mente. Plantaram evidências nos locais certos, aproveitaram-se de minha nobreza e conquistaram o mais precioso dos meus bens: o coração. Nele, está guardada a lição mais valiosa que aprendi disso tudo: respeito é bom e eu gosto. E foi o que eu mais tive de vocês nesses últimos tempos.

Cada uma é inesquecível à sua forma. E o único elo pra que essa história pudesse fazer sentido estava aqui o tempo todo, pronto pra vivê-la, cabeça erguida e coração desprotegido. Não condeno vocês por nada. Ninguém foi o culpado. Eu só não tive tempo de dizer tudo o que eu queria a quem eu queria. Hoje, já está tudo resolvido. Sinceridades à parte, vejo, finalmente, que Drummond tinha razão quando escreveu "Quadrilha". E, olha, eu morro de medo de ser um J. Pinto Fernandes, aquele que nem sequer havia entrado na história.

História de um par - Stalingrado

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Amor, só de letras

Autor: Mario Prata
Originalmente publicado em "O Estado de São Paulo" (20 de Setembro de 2000)

Conta a história que dom Pedro II casou-se sem conhecer a sua noiva. Tinha visto um quadro com a cara da princesa. Casamento de interesses políticos lá dos portugueses, fazer o que? E quando a moça chegou no porto do Rio de Janeiro - consta - que ele fez uma cara emocionada. Pela feitura da imperial donzela. Mas casou, era o destino, era a desdita.

Tenho um avô que foi pedir mão da moça e o pai dela disse:

- Essa tá muito novinha. Leva aquela.

E ele levou aquela que viria a ser a minha avó. Ah, a outra morreu solteirona.

Quando aconteceu o grande boom da imigração japonesa, alguns anos depois, familiares que lá ficaram mandavam noivas para os que cá aportaram. Tudo no escuro. E de olhinhos fechados, ainda por cima.

De uns tempo para cá, o conceito da escolha foi mudando. Até ir para a cama antes, valia. Ficava-se antes. Só que agora, finzinho do finzinho do século, surgiu um outro tipo de casamento. O casamento de letras. Letras de textos. O texto - finalmente, digo eu, escritor - virou casamenteiro. Apaixona-se, hoje em dia, pelo texto. Via internet. Via cabo, literalmente.

Conheço quatro casos bem próximos. Gente que desmanchou o casamento de carne e osso por uma aventura no mundo das letras. Claro que estou me referindo aos encontros via Internet. Começa no chat, com o texto. Gostou do texto, leva para o reservado. E lá, rola. Eu mesmo já me envolvi perdidamente por dois textos belíssimos. Moças de vírgulas acentuadas, exclamações sensuais e risos de entortar qualquer coração letrado ou iletrado.

Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro. Já disse, isso envaidece qualquer escritor. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.

A relação, o namoro, começa ali no monitor. Você pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela. E é com o texto que vai se fazendo o charme. Você ainda não sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.

Pouco a pouco, você vai conhecendo os detalhes da pessoa. Idade, uma foto, a profissão, a cor. Inclusive onde mora. Sim, porque às vezes você está levando o maior lero com o texto amado e descobre que ele vem lá da Venezuela. Ou do Arroio Chuí. Mas se o texto for bom mesmo, se ele te encanta de fato e impresso, você vai em frente. Mesmo olhando para aquela fotografia - que deve ser a melhor que ela tinha para te escanear (ou seria sacanear, me perdoando o trocadilho fácil) você vai em frente. "Uma pessoa com um texto desses..." A tudo isso o bom texto supera.

Quando eu ouvia um pai ou mãe dizendo "meu filho fica horas na Internet", todo preocupado, eu também ficava. Até que, por força do meu atual trabalho, comecei a navegar pela dita suja. E descobri, muito feliz da vida, que nunca uma geração de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele está lendo ou escrevendo. E mais: conhecendo pessoas. E amando essas pessoas.

Jamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto. E amou tanto. No caso do amor ali nascido, a feitura, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor.

Quando comecei a escrever um livro pela internet, muitos colegas jornalistas me entrevistavam (sempre a mim e ao João Ubaldo) perguntando qual era o futuro da literatura pela Internet. Há quatro meses atrás eu não sabia responder a essa pergunta. Hoje eu sei e tenho certeza do que penso:

- Essa geração vai dar muitos e muitos escritores para o Brasil.

E muita gente vai se apaixonar pelo texto e no texto.
Existe coisa melhor para um escritor do que concluir uma crônica com isso?

Quer uma prova? Estou fazendo um concurso de crônicas no meu site (marioprataonline.com.br), entre os leitores/escritores. Entre lá e veja o nível. Pessoas que há pouco tempo atrás odiava escrever redação nas escolas, estão descobrindo o texto. Leiam e me digam se eu não estou certo. E são jovens, muito jovens.

Como diria Shakespeare, palavras, palavras, palavras. Como diria Pelé, love, love, love.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Jogo de estranhos

Se apaixonou pela garota do prédio ao lado, mesmo sem grandes atribuições. Não era bonita o suficiente pra estampar as páginas centrais de uma grande revista de moda nem preenchia outdoors de escolas particulares da cidade. Tinha cabelo curto, piercing no nariz, tatuagem no pulso e no pescoço e falava apressadamente. Deveria citar 1003 palavras em apenas 1 minuto. Seu sorriso completava todos os comerciais de creme dental já vistos na televisão. Era culta. Lia Bukowski, Franz Kafka e Machado de Assis só pra nacionalizar a coisa. Era oculta. Pouco se sabia sobre como viera parar ali ou para onde iria.

Não aguentou e decidiu segui-la, aproveitando que precisava sair. Girou as chaves e procurou velocidade em seu sonho de romance. Ela seguia devagar, discreta, sem pressa, totalmente diferente de quando falava ao telefone, provavelmente com as amigas, pois sempre dizia nomes e cores de esmaltes indecifráveis e inteligíveis para qualquer mente masculina. Ia pela estrada sempre seguindo a mesma faixa, que parecia contínua tal qual sua vontade de afastar-se dele. Já passava das 5. Da tarde. Ele dirigia apressadamente. Deveria atingir 1003 quilômetros em apenas 1 minuto. Pareciam estar indo para o mesmo lugar. Voltemos à realidade.

Descia do carro com seu vestido floral, sapatilha cor de pele, bolsa preta, maquiagem leve e toda a alegria de quase adulta. Mexia no cabelo repetidas vezes e tinha uma mistura compassada de pinturas em seus fios delineados. Só bebia água em seu próprio copo. Queria namorar um homem mais velho, mas já sonhara em ser paixão de um padre. Não aturava mentiras nem ficante metido a rei da balada. Era estudiosa. Apresentava teses e antíteses completadas em uma síntese de vermelhidão tranquila em seu rosto de princesa. Aliás, de deusa. Quando exagerava no álcool, falava inglês, francês, russo. Só queria ser feliz.

Foi quando viu aquele jovem, perdido no primeiro andar da universidade, prestes a adentrar na mesma sala em que passariam os próximos 5 anos juntos. Não fez planos, não dizimou oportunidades, apenas perguntou seu nome. E descobriu que eram vizinhos e que poderiam apostar corrida todas as noites até que um cansasse da disputa e aceitasse parar, respirar e seguir em frente. No prédio ao lado. Eram vizinhos. Contadores de histórias. Sonhador e sonhadora de algo bom. Disso que se chama vida...


domingo, 30 de outubro de 2011

Sobre pessoas e baladas

Talvez eu seja uma das únicas pessoas no mundo a parar no meio da balada e começar uma análise antropológica dos indivíduos que ali estão. Não sei se o que me motiva a fazer isso são as doses de álcool que insisto em tomar a cada ida nesses ambientes ou a pura vontade de entender melhor o ser humano que me cerca. Vocês poderão dizer: “que bobagem, esquece isso e vai dançar”, mas eu não sei dançar. Nem sei ao certo por que ainda vou pra balada.

Antes de compartilhar algumas dessas minhas observações com vocês, gostaria de responder a um questionamento feito por uma amiga tempos atrás sobre o que era melhor: ir sozinho ou acompanhado para as festas. Imediatamente – isso logo depois de terminar um namoro – respondi que era melhor ir sozinho, até porque desacompanhado você tem chance de exercitar seu lado conquistador, de partir para o ataque – coisa que não precisa mais fazer quando já tem uma namorada. Entretanto, depois de algumas baladas na condição de solteiro, descobri que sou um fracasso na arte de conquistar pessoalmente.

Já me ensinaram milhões de formas diferentes pra “estabelecer conexão” com uma menina durante essas festas, mas eu simplesmente não consigo colocá-las em prática.  Sou mil vezes melhor na conquista cibernética, onde a abordagem se faz adicionando a pessoa – sem que você veja a reação dela durante o “flerte”. Isso significa dizer que ir acompanhado, seja com sua namorada ou ficante, torna as coisas bem melhores pra alguém tipo eu. Mas ir com os amigos ainda é bem mais divertido.

Voltando às considerações iniciais, e as meninas, como se comportam na balada? Nos lugares aonde vou, é quase unânime: um grupo de amigas que se reúnem pra beber e dançar sem necessariamente querer um homem por perto. Salto alto, maquiagem forte, vestido curto ou calça colada. Um estilo feito pra chamar a atenção de quem elas simplesmente ignoram. Poucos são os relacionamentos que dão certo a partir de uma festa nesses moldes. É tudo frívolo, sem sentido, egoisticamente ébrio. Ah, existem exceções!

Os homens partem para o ataque. Aproximam-se, falam qualquer coisa, beijam e pronto. Saem novamente em busca de mais vestidos curtos e comida para seus olhos famintos de desejo. Mais uma dose de cerveja cara (porque nesses ambientes nunca dá pra usar a ideia do “gole de cerveja barata”), outra olhada correspondida e bingo. É assim a noite toda. A balada transformou-se em uma selva onde vence o mais despojado, o mais bem vestido e o mais cafajeste.

Os casais de namorados se desentendem, quase sempre por causa de uma olhadela descompromissada do rapaz para aquela menina de 16 anos que entrou no local com a carteira de identidade falsa. As mulheres reclamam porque as mãos dos rapazes passeiam por seus corpos como carros em asfalto novo. Como se elas não tivessem metade da culpa ao usarem panos tão minúsculos que decerto não encobrem suas vergonhas. Quem não dança, fica olhando quem sabe dançar. Quem sabe dançar, fica procurando quem o veja dançar. Uma guerra de egos em meio a luzes intermitentes.

No final da festa, a casa vai ficando vazia. É a hora do tudo ou nada, do agora ou nunca. Os últimos solteiros sobram e tentam fazer xeque mate nesse xadrez noturno, onde a única intenção é honrar sua própria moral, abalada por até agora não ter conseguido um beijinho sequer. Isso porque eu nem falei dos funcionários cansados e sonolentos que se escandalizam com beijos triplos e vômitos sucessivos enquanto tentam tirar garrafas de cerveja do chão. “No meu tempo não era assim”, condenam com olhares reprovadores.

No mais, prefiro sair e ver com meus próprios olhos cada uma dessas relações repletas de necessidade de autoafirmação, tentativa de suprir carência ou simples desligamento programado do mundo. A qualquer momento, quando eu decidir – e aprender – me tornar um deles, mudo de opinião quanto a ir sozinho ou acompanhado nesses ambientes. Por enquanto, só quero dançar mesmo sem saber, olhar pra elas sem perguntar seus nomes e admirar cada pessoa que escolheu estar ali pelo mesmo motivo: ser feliz efemeramente!

A vida é chata, mas ser plateia é pior...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Qual a credibilidade do palhaço?


Por muito tempo me vi preso à incerteza de abandonar ou não a besteira. Explico: abandonar a besteira, em termos práticos – e para o meu grupo de amigos –, significa deixar de lado piadinhas bobas, comparações absurdas e sacadas espertas (ou idiotas, sabe-se lá) a qualquer momento. Eu bem que tentei, mas é mais forte que eu. Quem me conhece pessoalmente diz ser impossível me encarar sem ter vontade de rir. Recentemente, ao apresentar um trabalho na faculdade, um amigo jurava que eu iria parar a exposição e começar a imitar a Marília Gabriela – coisa que você confere no final desse texto.

Minha descrição no Twitter exemplifica bem esse bom humor. “Blogueiro, universitário, imitador e menino da xerox. Posso anotar seu pedido?!” Uma clara brincadeira entre as quatro ocupações principais de minha vida atualmente: escrever, estudar, fazer rir e trabalhar. Outro amigo até já fala em patrocinar meu stand-up comedy. Como se alguém fosse assisti-lo! O engraçado nisso tudo é que quando algo realmente sério me acomete, fica difícil imaginar qual seria minha reação até pra mim mesmo. E nas relações amorosas, onde ponderar às vezes é fundamental, essa incerteza ganha proporções colossais. O que fazer então?

Já tentei dosar entre a sobriedade humorística e o bom humor desmedido. Não sei se deu muito certo. A única reclamação que tive nesse aspecto foi em 2009 (e lá se vão dois anos), quando uma namorada reclamou que era impossível conversar comigo porque eu levava tudo na molecagem. De fato, era demasiado. Aprendi com o tempo que querer chamar atenção não nos leva a lugar algum. É bem melhor quando você sente que pode se tornar atração, quando aquele momento e as pessoas ao redor (seu potencial público) o admitem como digno de atenção. Não dá pra forçar. Pode demorar mil anos, mas se você tiver talento pra alguma coisa, seu reconhecimento virá da forma mais inesperada possível.

Acontece mais ou menos assim com o pessoal do circo, artistas de TV ou profissionais de qualquer área. Sua credibilidade é construída com o tempo e cabe a você mantê-la o mais sólida possível. Mas e quanto ao palhaço? Qual credibilidade esse ser  – que se esconde através de uma pintura e um nariz vermelho em formato de bola – pode transmitir à sociedade? Fazer alguém sorrir é suficiente para transmitir a ideia de um profissional sério naquilo que faz? Acredito que sim. Pensar em alguém que dribla as dificuldades diárias, seus problemas pessoais e suas angústias justamente na tentativa de fazer o outro rir é imaginar que o ser humano não é egoísta o bastante como vendem por aí. O palhaço tem sim uma credibilidade, camuflada, mas ela existe.

Já os palhaços que não se vestem adequadamente à “profissão”, como é meu caso, também merecem aplausos. Quantas vezes não estive cheio de problemas, mas preferi dar alegria a meu próximo, mesmo através de piadas bobas, sem nexo. Arrancar um sorriso do rosto de meu amigo é minha maior alegria. É como se meu dia tivesse valido realmente a pena. Ver alguém sorrindo é conhecê-lo em seu estado mais natural possível, em sua doçura angelical de criança, perdida pela selvageria do tempo. E como eu gosto disso. Não o faço pra ganhar dinheiro, pra usurpar meu semelhante ou pra mostrar o quanto talentoso sou. Faço isso porque gosto. Sou o espelho do sorriso alheio e isso me basta!

Por fim, decido não abandonar a besteira. É ela quem me faz seguir em frente, continuar olhando esse mundo de uma maneira menos fria e desacreditada. Pensar que tudo poderia ser melhor se você sorrisse ao invés de proferir um xingamento quando alguém pisasse, acidentalmente, em seu pé no ônibus. Por que não rir do trocador quando ele erra na contagem do troco e o entrega faltando 10 centavos? Por que não rir de sua namorada indecisa quanto à escolha do vestido para a festa do sábado? Por que não sorrir? Como diz um desses rock’s modernos, “prefiro ser mais eu, continuar sorrindo”!

Por quê?!

domingo, 16 de outubro de 2011

A essência da impossibilidade

Não era isso? Eu não era a essência da impossibilidade? Então, cá estou eu, depois de um bom tempo, eu sei, pronto pra dar a cara a tapa e dizer tudo o que tenho pra dizer. Vou logo adiantando que não tenho nada pra falar, muito menos pra escrever nestas humildes linhas. É tudo tão indefinido. Aliás, sempre foi. Sempre foi indefinido o que eu sentia por você. Não era amor, atração, desejo. Como disse Martha Medeiros, era melhor. Uma mistura louca, que eu nunca senti igual, mas que não pude – ou não quis – deixar que tomasse conta de mim.

E o que importa? Nós nunca nos demos bem, a não ser pelo carinho infinito que sentimos um pelo outro, pela preocupação quando tudo ia mal, pelo gosto musical maravilhoso, pelas conversas de outrora em mensageiros virtuais. Nunca, nada disso foi mentira. E quanto eu te queria por perto a cada noite de chuva, a cada filme alternativo nos feriados, a cada sábado à tarde. E como eu te achei em um sábado à tarde... Com outra, na praia. Que hilário! Aliás, era você quem devia estar ali, não aquela tresloucada de quem nunca mais tive notícias. Incrível como minha vida é uma cadeia de acontecimentos suscetíveis a roteiros de filme, tipo aquela vez em que voltamos pra casa em um ônibus lotado segurando os dedos um do outro. E tudo isso por causa de um bluetooth ligado...

E das vezes em que te dei bolo? Dá pra abrir uma doceria com tantas vezes em que eu queria estar ao teu lado, mas meu medo foi maior. Medo de seguir em frente com você, de olhar nos seus olhos e não dizer uma palavra sequer. Eu quis isso. Eu quis e imaginei te beijar na fila de cinema ou em um show de rock. Fazia nosso estilo. A gente se completava, de uma maneira que não dá de explicar pros nossos filhos ou pros nossos futuros namorados. Aliás, e você? E seus relacionamentos, como estão? Daqui dá pra te dizer que, hoje, somente uma pessoa mexe tanto comigo a ponto de eu querer dar bolos por sentir medo ou por não saber como e por onde começar. E ela não é você. Ela é tudo o que eu sempre quis, também é perfeita pra ver o pôr do sol da praia, mora perto de você e, inclusive, já foi sua amiga de classe. Ou conhecida, sei lá.

Por mim, passaria a noite inteira escrevendo cartas pra você, remexendo o passado, repintando as partes cinzas de azul e ouvindo as músicas que nunca ouvimos juntos. Era de você quem eu lembrava a cada dia nublado, a cada música do The National, a cada bolinha de papel atirada ao acaso. Ou a cada X marcado na mão para que eu evitasse meus vícios. Ah, te beijar foi como se a janta tivesse sido servida na hora certa, com direito a sobremesa e cupcakes fofinhos que só você sabe degustar. Só não entendi por que o corpo tão quente. Medo? Vontade? Prazer?

Sinto falta de quando eu tinha tempo pra dividir com você meus anseios. De quando te via pelas universidades da vida. De quando te conheci. Foi bom te ter por perto, mesmo que de longe. Juro que queria voltar a sonhar com sua casa, com seus pais e com seu jeito estranho de dizer “entra, a porta tá aberta!”. Quem sabe um dia o karma volte e você me leve àquele lugar especial, tão perto e tão longe, que, aliás, eu nunca soube qual era. Pois é. Eu não senti borboletinhas na barriga, eu não deixei o verão vir esquentar o chão e ver se ainda nascia um amor de verdade, eu só deixei você. Seguir em frente. Segui em frente. Não sei pra onde. Eu simplesmente segui. Boa noite, estranha!

Eu ando em frente por sentir vontade...

domingo, 2 de outubro de 2011

Música, sentimentos e Coldplay

A gente nunca vai entender o poder de certas coisas. Nunca vamos conseguir entender o porquê de nos apaixonarmos, a razão pela qual certo lugar nos faz tanto bem ou o verdadeiro motivo de querermos demasiadamente alguma coisa. De fato, essa incerteza é fabulosa e recai sobre uma dúvida recorrente em minha vida: por que a música nos deixa tão vulneráveis, propensos a sentimentalismos e pequeninos? Teria ela uma fórmula mágica ou seria pura questão de formação, lá na nossa infância? 

Tenho uma vaga lembrança da primeira vez em que ouvi Coldplay, minha banda favorita. Era uma noite de sábado em 2003, aniversário de alguém aqui na rua e aquele piano de “Clocks” insistindo em tocar repetidamente os mesmos acordes. Nessa época, não fazia a mínima ideia de quem diabos era Coldplay, mas adorei a melodia, que ficou guardada na mente. Com o tempo, mais precisamente em 2005, graças ao lançamento do terceiro álbum da banda, X&Y, e de programas como o Disk MTV, passei a contemplar e gostar cada vez mais das canções. 

É como se cada uma tivesse sido trilha sonora de um momento da minha vida. Escola, amigos, namoro, realizações, traumas, decepções, alegrias, tristezas... Um misto de sentimentos conturbados que eu sei muito bem onde e por que estão guardados. Mas por mais que eu tente, não consigo entender qual o poder que essas letras e melodias têm. Por que um piano, frases belíssimas e um sotaque britânico carregado me afetam tanto? Teria alguma explicação racional ou apenas sentir já é o suficiente? 

Sinceramente, prefiro não me ater a essas frivolidades. A música tem um poder inquestionável de nos tornar pessoas melhores, de nos fazer bem e isso, pra mim, já basta. O que não me exime de lamentar minha ausência no show do Coldplay no Rock In Rio. Só de imaginar toda aquela galera fazendo parte do coro de “Viva La Vida”, indo ao delírio com a versão da banda pra “Rehab” da Amy Winehouse e chorando com “Fix You”, bate uma pontinha de inveja. Ver pela televisão já traz uma energia tão boa, pessoalmente deve ser um trilhão de vezes melhor.

No mais, fica a ansiedade pra outro show deles por aqui ou para novos momentos inesquecíveis ao som de suas canções. Um álbum com mais músicas apaixonantes já vem chegando e só nos resta ter um pouquinho de paciência pra ouvi-lo por completo. Ser fã é ter sempre essa esperança de que seu ídolo pode fazer melhor e que o resultado vai agradá-lo de todas as formas possíveis. E um recado ao futuro: “Sim, meus filhos, esse é seu pai escrevendo sobre a banda que embala as noites de vocês. Durmam bem e deixem que eu cuide do resto!”


sábado, 10 de setembro de 2011

Nossos velhos e novos horizontes

Decidir seu futuro com apenas uma escolha sempre será tarefa difícil. Desde cedo, somos obrigados e acostumados a marcar uma única alternativa nas questões objetivas, a escolher um entre os 60 lanches disponíveis na cantina da escola ou optar por ir somente a uma festa no fim de semana mais movimentado do ano. Quando chega o momento de escolher que curso seguir em uma universidade, a coisa ganha proporções colossais. Um medo descomunal começa a percorrer sua mente, você imagina milhões de coisas e, por vezes, pensa em repensar sua opção original. Como disse Ferreira Gullar, “O novo é para nós, contraditoriamente, a liberdade e a submissão”. E é pra falar exatamente sobre essa liberdade e submissão que estou aqui.

Quando escolhi cursar História aqui na Universidade Federal do Maranhão, não imaginei a mudança que essa decisão traria à minha vida. Sair do Ensino Médio, enfrentar um vestibular diferente como o ENEM, conhecer novas pessoas... A gente bem que imagina, mas nunca sai como “planejado”. O primeiro período soou como algo forçado, talvez porque não era o curso que eu realmente queria ou talvez porque sua estrutura de ensino não aborda, desde o início, a História propriamente dita. A coisa ficou animada no semestre seguinte. Comecei a fazer amizades que me pareceram sinceras, conheci uma das melhores professoras que já tive e aprendi que na vida, nem tudo é de primeira. Às vezes, é necessário continuar onde você está só pra descobrir o que realmente aquilo pode te oferecer.

Com o tempo, passei a dar mais importância pra o que eu tinha em mãos. Não é porque não estava no lugar onde eu queria estar que não daria valor a essa experiência. Pelo contrário, dei o máximo de mim. Ajudei, conheci, pesquisei, fui adiante. Sem desistir, mesmo quando as dificuldades e a necessidade de férias eram mais fortes. Ítalo Calvino, mitologia comparada, discografia do Falcão, Rio de Janeiro... Alguns dos milhares de marcadores desse 1 ano e meio de descobertas, graças a uma escolha perdida no passado.

A partir de agora, começo uma nova fase em minha vida e, mais uma vez, graças a uma escolha: dizer sim ou não a uma vaga surgida na universidade pra cursar Direito, minha opção original. O aperto no peito é normal. É difícil deixar pra trás algo que lhe deu tantas alegrias e o fez tão bem. É difícil deixar pessoas pra trás. Mas estou certo de que conhecerei novos personagens pra esse seriado norte-americano que é minha vida. Uma mistura de humor, drama, escolhas e capítulos anteriores mal-resolvidos. De resto, deixo a liberdade tomar conta de mim, mesmo me submetendo ao medo de encarar uma nova realidade. Ser feliz é o que realmente importa. E sei que o desejo do meu passado é que eu seja alguém melhor, mais feliz que antes, onde quer que eu esteja.

That's all, folks!!