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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Métodos Marckosianos (7)

Hora da retrospectiva. Hora de abrir as gavetas, retirar o lixo acumulado, arrumar todo o volume amontoado e procurar aproveitar apenas aquilo que vale a pena de verdade. Selecionamos pessoas, histórias e fotografias e as colocamos no baú do recomeço, esperando que a fagulha do novo seja capaz de preservar emoções inesquecíveis. Prolongamos sentimentos, analisamos condutas e acabamos culpados pelo simples ato de tentar novamente. Mais uma chance pra tentar ser feliz. Mais um ano pra chamar de seu.

Não sei ao certo se 2012 foi um ano bom pra mim. O fato de encerrá-lo com saúde, bons amigos e paz em família já é suficiente pra afastar todos os prognósticos de que os últimos 366 dias foram ruins. Mas acontece que o ser humano é insatisfeito. Nada está 100% perfeito e sempre vai faltar a peça do quebra-cabeça capaz de finalizar a brincadeira. E que peça é essa capaz de deixar o trem seguir em linha reta? Que peça é essa capaz de acabar com a diversão? Terminar o jogo é a melhor saída? Não sei não...

Decidi contar um pouco sobre meu ano selecionando 12 palavras que sintetizam, mais ou menos, tudo aquilo pelo que passei. Não posso jamais abrir minha boca e dizer que fui infeliz nos últimos meses. Seria uma ofensa contra mim e contra as muitas pessoas especiais que passaram por minha vida durante 2012. Felicidade é uma questão de espírito. Ou só questão de ser, como diz Jeneci. E que comecem os trabalhos...

PERDÃO. Eu sempre fui de perdoar. Deixar as mágoas pra trás e resolver meus problemas de maneira pacífica e ordeira. Ao longo desses 21 anos, muita água ofensiva rolou por debaixo da minha ponte, mas eu consegui controlar a onda formada ao meu redor. Perdoei atitudes, palavras (ditas e não ditas) e condutas, mantendo a cabeça erguida enquanto esperava que tudo voltasse ao normal - se assim tivesse de ser. O tempo passou e um dos meus grandes amigos de infância voltou a frequentar minha vida. Minha ausência deve ter servido pra alguma coisa e hoje ele mostra ser uma pessoa bem melhor do que aquela que perdeu minha confiança anos atrás. Espero que tudo continue assim. E que nossas memórias continuem firmes pra lembrar daquele passado glorioso de outrora.

MEDO. Mentira se eu disser que não tentei recomeçar, amorosamente falando. Tentei - de uma maneira torta, é bem verdade -, mas tentei. Eu sempre disse que tentar é melhor do que deixar pra lá. Mas em 2012 eu consegui a brilhante proeza de tentar deixando pra lá. Não fui mais feliz porque faltou coragem. Coragem do beijo roubado, da decisão na hora certa, coragem de parar de pensar nos outros e olhar mais pra mim... Mas a culpa não é só minha. É difícil tentar ser corajoso quando a outra pessoa não esboça reação ou quando sequer sugere que algo pode acontecer. Faltou coragem pra agir, mas não faltou decepção pra aprender.

DECEPÇÃO. Nós sempre iremos nos decepcionar. Com a namorada, com o marido, com o time de futebol, com o político eleito. A decepção está na linha da vida. Tentar evitá-la é pura perda de tempo. Mas dá pra aliviar a dor se preparando para o pior. Não sugiro que sejamos pessimistas, apenas desconfiados e um pouco atentos aos movimentos do jogo. Você, minha cara, é meu retrato de decepção em 2012. E todos os seus medos e complexos? E todos aqueles telefonemas querendo me ver, tipo, do nada? Não era um sinal? Entendi errado ou você queria brincar de sugerir o que não poderia ser sugerido? Eu sei. Fui embora primeiro, mas você sabe o motivo: querer e não ter estava ficando insuportável. Perdi você duas vezes em um único ano. Agora é pra valer. A gente se perdeu...

MARASMO. Larguei o emprego porque a faculdade iria me tomar muito tempo. Risos. Veio a greve das universidades federais e todos os meus planos foram por água abaixo. Consegui descansar e recarregar as baterias por um longo ano. Fiquei viciado em Avenida Brasil e escrevi até um texto falando sobre a novela. Pra quem não parava desde 2010, uns meses acordando às 10 da manhã fizeram um bem danado. Agora vou deixar a preguiça existencial de lado, arregaçar as mangas e começar novos projetos em 2013. Espero que tudo dê certo, se Deus quiser!

MUDANÇA. "Valeu a pena acreditar na mudança, valeu a pena!" Eu nunca me envolvi tanto com política quanto durante as últimas eleições municipais em São Luís. Indignado com a gestão do ex-prefeito (como é bom poder colocar esse prefixo) João Castelo, usei minha voz e mínima influência nas redes sociais pra espalhar a ideia de que mudar era preciso. Edivaldo Holanda Jr. se tornou um dos ícones e ídolos da minha curta existência. O candidato que carregava o 36 no peito, assim como milhares de ludovicenses, se mostrou, acima de tudo, humilde, conseguindo vencer a eleição depois de 3 meses de muito suor pelos bairros. A dura tarefa de comandar uma das cidades mais antigas do Brasil começa agora. Espero não ter que colocá-lo na lista de decepções da minha vida daqui a algum tempo. Espero de verdade...

DIVERSÃO. Eis as vantagens de ser solteiro: poder sair sem dar satisfação, aproveitar o melhor da noite sem ter que se explicar no dia seguinte, fazer o que der na telha, etc, etc, etc. E como eu me diverti em 2012. Baladas, festas particulares, lanches, almoços, jantares. Até a mais simples ida ao cinema foi motivo de diversão no ano que finda. Com a ajuda do velho e querido álcool, muitas emoções foram potencializadas, muitas mensagens foram mandadas na hora errada e até algumas mordidas foram dadas, tudo em prol do "ter história pra contar". A gente não ganha nada, mas se diverte!

EFÊMERO. Ah, o efêmero! As emoções passageiras, o beijo que não dura mais que uma noite, as palavras ditas que não fazem o menor sentido no amanhã... Pela primeira vez, descobri a sensação por trás do "ficar sem compromisso" e me acostumei com certas coisas. Ainda tentei ligar no dia seguinte, mandar mensagem pelo Facebook, puxar papo no Whatsapp, mas uma hora acordei e percebi que aquilo não era o que ninguém queria. Estabeleci limites e fui sincero até onde pude, tentando fazer com que ninguém saísse magoado desse arremedo de relacionamento. Se o fiz, peço sinceras desculpas. A gente erra na melhor das intenções. Faz parte da vida.

ZUERA. Não, a palavra não está escrita errada. A "zuera" a que me refiro é a diversão desmedida dos amigos maranhenses do Twitter. Uma turma legal que tive o prazer de conhecer em 2012 e responsável por muitos e bons momentos de alegria e loucura no ano que se encerra. Afinal, não é todo dia e com qualquer grupo de amigos que você leva sua mãe de 40 anos para ir ao banheiro de um bar onde rockeiros se reúnem no fim de semana. Nunca vou me esquecer da cara dela olhando pra eles e dizendo: "esse lugar é estranho!".

CONHECIMENTO. Li muito mais que 400 páginas em uma semana, como desejei ano passado. A faculdade e o prazer pelo saber me transformaram em um leitor sedento até por bula de remédio. Não que eu não tivesse esse hábito antes, mas ele foi potencializado em 2012 e, com certeza, será mais ainda nos anos seguintes. Vi bons filmes, li muita coisa e ouvi histórias incríveis de gente igualmente sensacional. Aliás, essa sede de conhecimento é um conselho que sempre darei para qualquer um. Se quiser me agradar, me peça uma sugestão de filme ou livro. Todo mundo sairá satisfeito da conversa...

PROMESSA. Como eu prometi em 2012. Prometi uma caixa de chocolates pra uma amiga na Páscoa e nada até hoje. Prometi que não sairia da vida de uma pessoa e saí - por um motivo plausível, mas saí. Prometi cumprir algumas promessas antigas e nada. E quanto aos furos e bolos? Desmarquei tantas saídas previamente combinadas que até perdi a conta. Mas tem uma explicação, eu acho. O marasmo de 2012 me fez desistir de muita coisa. A empolgação de uma semana inteira ia embora justamente no dia em que o evento aconteceria. Tudo culpa da preguiça existencial. Mas isso acabou. Faço agora a primeira promessa pra 2013: prometer menos e agir mais. E que eu consiga cumpri-la, afinal.

SHOW. David Guetta, Pouca Vogal, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Vander Lee, Alcione, Zeca Pagodinho e Roupa Nova, sem contar as bandas maranhenses. Nunca fui em tanto show como em 2012. A companhia agradável, seja da família ou dos amigos, contribui fortemente para tornar o espetáculo inesquecível. Encerro o ano com lembranças marcantes de cada um desses shows. E que venha muito mais em 2013.

SURPRESA. Muita coisa me surpreendeu em 2012. Foram histórias, casos vistos na televisão, algumas pessoas (que foram gratas surpresas especiais do ano que se encerra) e, principalmente, as manifestações de parabéns pelas redes sociais no dia de meu aniversário. Pela primeira vez, consegui perceber como as pessoas me veem de verdade. Longe de toda a falsidade e indiferença que supostamente reina na internet, li depoimentos e desejos sinceros totalmente inesperados. Gente que não tem um grande contato comigo na "vida real", mas que me admira pela web, por exemplo. A todos que me desejaram parabéns no dia 17, meu muito obrigado. Juro não decepcioná-los e tentar ser alguém melhor a cada dia.

Pois bem. O texto é grande, mas é de coração. Acho que resumi de maneira satisfatória um pouco desse 2012 controverso. A vida continua, apesar de sabermos que, na prática, a simples mudança de calendário não muda absolutamente nada. Que sejamos pessoas melhores em 2013 e que possamos compreender que cultivar o amor ainda é a melhor saída para os principais problemas da humanidade. Viva 2013. Viva!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Métodos Marckosianos (6)

Sempre é difícil resumir em palavras algo tão intenso pra você. É assim com o primeiro beijo, com a primeira transa, com a última vez em que se pôde conversar com seu melhor amigo. Falar do ano que passou também não é tarefa fácil, principalmente quando aqueles 365 dias poderiam perfeitamente virar um livro de memórias, digno de estar na prateleira de biografias. Mas é o que venho tentando fazer ano após ano desde o início deste blog. Os “Métodos Marckosianos” viraram uma espécie de momento de reflexão, onde abro meu baú de segredos e exponho tudo ou maioria daquilo que vivi de maneira simplória e agradável a mim e aos outros. Esses outros, tão fundamentais a cada dia.

Revendo os textos anteriores, procurei uma maneira diferente para escrever este aqui. Decidi por algo mais direcionado a quem me lê e não apenas uma seleção de verdades escancaradas sobre mim mesmo. Além do mais, lá no finalzinho, uma playlist com músicas que fizeram meu ano valer a pena e uma lista com 10 coisas para fazer em 2012 – e que podem muito bem servir pra você, que dedicou alguns minutos de leitura às minhas memórias reflexivas. Vamos às lições.

Planeje sim. Nada de querer fazer mil coisas ao mesmo tempo. Aconteceu comigo e gostaria que não se repetisse com ninguém. Estudar, trabalhar, tirar carteira de motorista, sair com os amigos, ficar na internet, assistir filmes e séries, namorar, ir ao banco, viajar... Tudo isso, ao mesmo tempo, não dá certo. Em 2011, baguncei planos e prioridades justamente por não ter planos e prioridades definidos. Saí fazendo coisa após coisa sem me preocupar se iria dar tempo, se eu estaria cansado ao final do dia ou se sairia bem feito. Algumas até deram certo, mas outras vou tentar reorganizar no ano que se inicia.

Nunca pense que acabou. Milagres também acontecem. Quando que eu pensei que, aos 45 do segundo tempo, passaria para Direito em uma universidade federal? Acabara de voltar de uma viagem maravilhosa com o pessoal do curso de História quando recebo uma ligação da faculdade perguntando se eu estaria interessado em uma vaga que havia surgido. “Estou”, disse o menino feliz. Agora é hora de fazer valer a pena a chance vinda dos céus, vinda de Deus. Porque quando nada mais der certo, é n'Ele que se deve confiar.

Cuidado com as camas de gato. Cama de gato, pra quem não sabe (ou só relaciona com aquela novela das 18h da Rede Globo), é uma brincadeira infantil em que se constroem formas com barbantes presos às mãos. Na vida, o barbante pode ser uma mentira, alguém que você conheceu, mas não deu a devida importância, uma atitude peculiar, enfim, algo que, mais tarde, possa entrelaçar seus objetivos ou bagunçá-los, ao sabor do acaso. Aliás, uma cama de gato pode muito bem surgir por acaso, como aconteceu em 2011 pra mim. Dica esperta: somente com bastante sagacidade podemos nos livrar dela.

Viaje. Pela primeira vez, saí do Maranhão. Pela primeira vez, fui a um aeroporto, fiz check-in, voei de avião, passei mal depois de voar de avião, fiz conexões e conheci o Rio de Janeiro. Em um ano em que não tive férias, já que a faculdade tomou todo o meu tempo, passar 1 semana fora foi suficiente para desestressar, fazer novos planos, retomar alguns antigos e visitar locais que com certeza terei o prazer de rever mais tarde. Desejo, sinceramente, que eu possa conhecer novos lugares e aproveitar o que esse mundão tem de belo em 2012.  Ah, imitar o Bob Esponja pros passageiros mais uma vez também seria legal...

Evite a solidão de alguma forma. Ligue pra alguém em um domingo à tarde, saia com uma desconhecida em uma sexta à noite, conheça alguém na mesa de um bar, deixe de ser tímido o suficiente pra marcar uma saída qualquer, faça novos amigos, observe quem está ao seu redor. Não deixe que a solidão domine sua vida monótona ou cheia de metas a cumprir. Nada de negar compromisso com a desculpa de estar sem tempo para dedicar-se a ele. Algumas vezes, pode até ser verdade, mas logo depois, você vai se sentir culpado por não ter alguém por perto, pra lhe oferecer cuidados ou simplesmente ouvir o que você tem a dizer. Dica preciosa, essa. De alguém que já melhorou muito nesse aspecto, mas que busca cada vez mais aprendizado.

Religião não pode afastar as pessoas. Embora seja o que mais se veja atualmente, nunca deixe que lhe digam em quem acreditar. Entender o mundo à sua maneira é a coisa mais bonita que existe e respeitar a opinião do outro acerca desse entendimento será sua maior virtude. Pessoas estão destruindo seus sonhos porque os homens viraram intérpretes de Deus sem nenhuma virtude para isso. Acreditar ou não acreditar só serve para você. Não acredito em um Deus que castigará quem não seguir a Igreja Mundial do Templo Sagrado do Senhor da Assembleia do Sétimo Dia do Julgamento Final Universal. Ele é mais que isso, minha gente. Ele é mais do que nós.

Dê tempo ao tempo. Pessoas que foram embora de sua vida sem dar explicação nenhuma vão voltar, lhe desejando sucesso e os mais sinceros votos de um tempo bom. Não se trata de profecia ou coisa parecida. As pessoas voltam quando sentem que há espaço para elas. Ir embora deve ser culpa do medo, do orgulho ou da própria culpa. Elas voltam, ficam longe o suficiente para que você sinta falta, mas logo se vê que elas estão ali de novo, prontas para lhe ajudar, preparadas para o que der e vier. Porque crescemos. E crescer faz parte de outro verbo: o viver [!]

Trate seu passado com carinho. Nada de cartas queimadas, presentes destruídos, indiretas idiotas. Nada de passar pela pessoa amada de outrora e virar a cara, praguejar contra os deuses, fugir. Isso tudo é coisa de gente incapaz de dar valor ao que se teve de bom, incapaz de conseguir viver novos tempos bons com novas pessoas boas. Deve-se ter respeito pela figura do outro e evitar certas atitudes que você mesmo não gostaria de encarar. 2011 me ensinou que é preciso ter coragem para seguir em frente e muito mais que isso para encarar toda a poeira que nossos passos deixaram pelo caminho. E que esse pretérito seja de paz.

Enfim. Ainda queria falar tanta coisa, mas já chega. Já são quase 11 da noite da última sexta-feira de 2011 e eu acabo de perceber que as oportunidades mais brilhantes do ano eu agarrei com toda a força, com toda a garra, com toda fé. Se você não fez isso, relaxe. Você ainda tem o sábado inteiro pra procurar o garoto ou a garota dos seus sonhos. Ainda dá pra voltar a falar com seu filho, irmão, sobrinho ou ex-namorado idiota que você não vê há tanto tempo. Ainda resta tempo pra terminar de ler aquele livro que você vem arrastando desde o início do ano. Ainda dá pra aproveitar a lua crescente, o sol, a chuva, afastar seus medos, encontrar um motivo pra viver, deixar pra trás quem te deixa pra trás. Ainda há tempo de viver!

Que 2012 seja a síntese de tudo o que você plantou em 2011. Que seja um ano repleto de realizações pessoais, profissionais, amorosas e religiosas. E que eu possa riscar todos os itens da listinha e dizer, verdadeiramente, que eu pude fazer valer a pena. Que 2012 seja doce!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Métodos Marckosianos (5)

Eu fui tanta coisa em 2010. Filho, namorado, amigo, “tio”, escritor, leitor, ouvinte, estudante, viajante, apaixonado, atento, observador, paciente, impaciente, ansioso, sonhador, apaziguador, criador, cidadão, trabalhador, pensador, criança, adulto, adolescente, benevolente, esperto, carinhoso, zangado, firme, otimista, pessimista, realista, questionador, orgulhoso, fã, ídolo, medroso, corajoso. Eu fui além de mim.

Conheci pessoas maravilhosas e cultivei as amizades certas, na hora certa. Algumas deixei pra trás, por entender que não poderiam somar mais nada pra mim. Outras adaptei ao meu novo estilo de vida, dando a devida atenção que sempre mereceram. Surpreendi-me com a maneira como novos amigos surgiram e como mesmo eles, tão novos em minha vida, foram tão fundamentais nos momentos difíceis. Guardei segredos, fiz confissões, desabafos, ouvi zilhões de conselhos. Cresci.

Dei amor a todos. Namorada, mãe, amigos, conhecidos, desconhecidos, do mais simples morador de rua a mais sofisticada empresária do ramo de roupas. Soube reconhecer meus erros, livrar-me de alguns defeitos, amadurecer enquanto pessoa... Eu sorri. Fiz muita gente sorrir, dei abraços, beijos, condolências, pêsames, felicitações, parabéns. Fui apenas eu mesmo, mesmo que isso despertasse algum incômodo em alguém.

Livrei-me de muitos fantasmas. Errei bastante, mas soube consertar a maioria desses erros a tempo. Trabalhei, namorei, comprei algumas muitas coisas, passei dos meus limites. Ganhei apelidos, fiz planos, concretizei a maioria desses planos, fiz mais planos. Assisti dezenas de filmes, ouvi uma porção de músicas, li um bocado de coisas, aprendi outro bocado de coisas. Conheci lugares maravilhosos. Vesti terno e gravata. Saí de minha terra natal. Andei de trem, tirei fotos, escrevi poemas, tive ideias mirabolantes, vivi momentos inesquecíveis.

Mas confesso que ainda preciso mudar muito, retirar doses gigantes de defeitos em mim. Controlar alguns hábitos, refazer algumas rotinas, perder alguns vários medos. Ir além do que posso ser capaz. Colher frutos de uma mudança necessária e que essa colheita seja percebida, antes de tudo, por mim mesmo. Eu preciso crescer! Como pessoa, amigo, filho, namorado, estudante...

Desejo que em 2011 eu possa olhar pra trás e poder repetir cada gesto, cada atitude, cada momento e transformar esse novo ano em outro 2010, com mais responsabilidades, sonhos, virtudes e realizações. Conhecer mais gente, dividir minhas aspirações com eles e poder realizá-las, nas horas e momentos ideais. E dizer, mais uma vez, que eu fui tanta coisa nesse novo ano, mas principalmente, que eu fui feliz!


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Métodos Marckosianos de ver a vida (4)

Não adianta. Por mais que eu tente, não vou conseguir escrever qualquer outra coisa sem antes falar do ano que está terminando. E já que o “Métodos Marckosianos de ver a vida” foi feito justamente para isso, aqui estou eu mais uma vez pra descontar nessas rápidas linhas as minhas observações, as minhas angústias, as minhas alegrias e os meus apontamentos.
 
Começamos por decepção. Tenho consciência de que esse foi o ano em que mais aprendi sobre os dissabores da vida. Decepções amorosas, fracassos estudantis, perdas irreparáveis, cenas insuportáveis. Não me arrependo de ter feito parte de nenhuma delas, mas rezo a cada dia para que meus semelhantes não vivam nada parecido. Afinal, “decepção não mata, ensina a viver!”
 
Depois vieram as trocas. A grande pergunta desse parágrafo é se dá pra viver bem renunciando a algumas coisas. Será que valeria a pena passar todo o meu terceiro ano de cara nos livros e perder o que mais ganhei de importante e precioso nesse ano que foram os meus amigos? Será que dava pra conciliar? Será que eu deveria ter me desprendido antes de ter me apaixonado? Será que eu devo esquecer minhas qualidades e apresentar somente meus defeitos? Algumas respostas vieram com o tempo, mas nenhuma delas me fez desistir.
 
A seguir, minha volta por cima. Olhei para cada rosto que insistia em me classificar como derrotado e fiz valer a pena. Calei a boca de muita gente por aí, fosse por meu empenho, por minha inteligência, por minha alegria ou por minha capacidade de sonhar e continuar acreditando naquele sonho impossível. E sonhei, garantindo com isso a minha maior recompensa de 2009: um novo amor.
 
Nunca tive medo de me apaixonar. Nunca tive medo de olhar pra alguém por quem eu realmente sinto alguma coisa e dizer, olho no olho, um “Eu te amo” sincero. Se não aproveitou, que pena! Eu soube evoluir com isso e ser feliz, apesar de tudo. Eu me tornei alguém melhor, cheio de responsabilidades, é bem verdade, mas responsabilidades que eu busquei pra mim, afinal, por mais que ainda pareça, eu não sou mais criança. Eu sei bem o que quero e pra onde quero levar quem me acompanha!
 
Sei bem que mais tarde, quando eu retornar a esse texto, tudo isso poderá parecer pura bobagem de um jovem adulto. E que seja. Desde quando escrever o que se pensa é pecado? Deixar registrado o que se acha da vida também? Acredito piamente que não. Só não irei deixar de sonhar alto, de traçar planos e objetivos, de contar minhas piadas sem graça, de fazer novos amigos, de descobrir os prazeres do amor fiel e verdadeiro, de conhecer lugares e pessoas novas, de me aventurar (mesmo que seja dentro do meu próprio quarto) e de dar valor a mim mesmo.
 
Que isso sirva de lição às futuras gerações e a mim também. E quer saber? Todas as promessas feitas em vão já perderam a validade. Estou fazendo outras, pensando em quem realmente vale a pena. Que nós tenhamos um 2010 muito melhor que 2009, pra que todos possam dizer com o peito estufado e o hálito quente: esse foi o melhor ano da minha vida!
 
“Façamos, vamos amar” (Chico Buarque de Holanda)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Métodos Marckosianos de ver a vida (3)

Desafio. Bem que eu poderia ter deixado pra trás essa palavra, ter evocado um ano bom e parado, pelo menos por um instante, de querer ser um legítimo sagitariano. Achei que desafio fosse o que eu já estava acostumado a ver nos últimos tempos, que, mais cedo ou mais tarde e da maneira mais fácil possível, seriam resolvidos em um piscar de olhos. Me enganei… Mas não me arrependo, e nem por isso deixo de gostar de ser desafiado, posto à prova, mesmo que isso custe minha paciência e um pouco de minhas lágrimas.
 
Posso dizer que o ano começou pra mim depois da morte de meu padrinho. Cara, como eu sofri calado. Pensar que nunca mais eu iria ver uma pessoa que gostava de mim, que fazia meus gostos, que havia me ensinado e deixado lições. Nunca mais mesmo – até porque ele morava longe e nem trazer o corpo pra cá dava. Foi o pior dia da minha vida. Aquela segunda-feira calada, tudo tão rápido. Meus 17 anos traziam agora a responsabilidade de ser o homem da casa, de me virar com a grana do mês, de achar soluções mirabolantes para problemas que a cada dia só pareciam aumentar e de ser alguém na vida…
 
Minha família – minha mãe e minha madrinha – sempre acharam que eu deveria ser da vida o que eu achasse que deveria ser. Confesso que tinha uma quedinha pelo status que a Medicina traz consigo, mas acabei desistindo por causa do medo de enfrentar meus medos. E são tantos medos, minha gente. Porém, no meio disso tudo, despertei que argumentos eu tinha, gostava de política e que sabia usar o poder da retórica pra convencer quem estivesse do meu lado, fosse pra ir ao cinema, pra sair de casa em um sábado à tarde ou para deixar que eu ficasse até tarde na casa de uma amiga. Farei Direito…
 
O grande problema é que pra fazer Direito você precisa passar em um vestibular. Pra quê responder 55 questões de coisas que você não sabe porque está respondendo se só precisa mostrar-se bom em História e Filosofia?! E é aí que 2009 me prega mais uma peça. Passo de sonhador em advocacia pra cobaia do Novo Exame Nacional do Ensino Médio, vulgo NENEM. 180 questões em 2 dias, de manhã e de tarde, fim de semana e com tudo novo - sem decoreba, pelo menos. Um desafio e tanto, hein? Esse eu ainda não venci, mas o farei muito em breve…
 
E os amores, meu povo? Como anda a vida sentimental de vocês? A minha foi um reboliço. Frágil pela perda de um ente querido, conheci uma carioca, pela internet. Engraçada, sensual e que compartilhava os meus mesmos gostos… Mas sabe quando isso não basta e você passa a enxergar que não é aquilo o certo pra você? E a Inspiração? Eu não falei que o tempo da paixão era exatamente o tempo que a gente teve pra se encontrar? Pois é, desencanto. Conhecer o verdadeiro eu de algumas pessoas pode fazer você se afastar bruscamente delas.
 
Amar, só a Deyse. Podem passar 2, 5, 30 anos, eu ainda vou estar consciente de que o meu primeiro amor mesmo, amor desses de ficar gelado no primeiro encontro, de sentir ciúmes a toda hora, de sentir saudades a toda hora, de ser desafiado a toda hora, foi ela quem me proporcionou. Estamos aí entre trancos e barrancos, apesar de não estarmos mais “namorando”, aprendendo a cada dia, sofrendo a cada dia, vivendo a cada dia… Ah, foi com ela também que eu tive a melhor noite da minha vida, que não foi isso que vocês estão pensando, mas que também não conto aqui nem na base da porrada. Aquela sexta-feira estrelada, tudo tão cadenciado…
 
Bem, os amigos. Aprendi que até os meus colegas são meus amigos, só que exercem funções diferentes nessa classificação maluca. Resumindo, existe amigo pra tudo! Inclusive pra dizer que seus problemas são medíocres. Que tipo de amigo é esse? E que tipo de amigo seria eu se não o perdoasse, mais uma vez?! E tem a amiga pra quem eu conto tudo, toda a verdade, toda a vontade e até alguns segredos [!]
 
É como eu falei: somos heróis de nossa própria história. Não deixe que meia dúzia de outros o façam desistir de seus sonhos. Aceite todos os desafios que a vida insistir em impor pra você. Ame. Não se arrependa. Se tem que fazer, vá lá e faça. Mude, que é pra deixar os outros com a boca aberta, mas não mude sua essência. Se divirta. Saia com novos amigos, saia com velhos amigos, saia consigo mesmo. “Enfrente seus medos e viva seus sonhos”, frase que me faz acreditar que deixar de ser pessimista pode ser uma boa, mas que ainda tem muita pedra no caminho, ah, isso tem…

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Métodos Marckosianos de ver a vida (2)

A gente aprende com o tempo. 1 ano se passou desde que eu criei esse blog e tanta coisa aconteceu que fica até difícil fazer uma lista de final de ano e pedir que 2009 seja melhor que 2008. Tá certo, 2009 deve ser melhor que 2008 em um monte de aspectos, mas se desse pra ser igualzinho só que diferente, como diz meu ex-professor Flávio César, seria como se existisse a nona maravilha do mundo…

Sim, meus caros leitores. De grosso e estúpido do último semestre, passei a ser tarado, nerd e uma porrada de outros adjetivos que meus novos amigos resolveram colocar em mim. Poucos verdadeiros e novos amigos, ainda diria. Poucos porque, ainda, são poucos os que me aguentam (dessa vez sem o trema) e concordam em gênero, número e grau com o que digo.

E antes que você me pergunte sobre os “colegas” de outrora, queria dizer-te (ênclise) que alguns, ou melhor, a maioria deles, ainda continuam na condição de colegas, e outros, a minoria, como era de se esperar, viraram o que eu chamaria de amigos, que erram, mas me consertam diariamente, fazendo com que eu aprenda cada vez mais o verdadeiro valor de uma boa amizade.

Marckosiano, só pra que você entenda, vem de uma brincadeira da única namorada que tive nesse ano, Thaís Marques. Eu gostava dela, confesso. Mas quando a gente resolveu dizer que tava namorando, parece que o nosso mundo fez foi desmoronar, como se algo (ou alguém) não quisesse que a gente ficasse junto.

E o encontro entre o Poeta e a Inspiração, que rendeu sófregas indagações aqui mesmo nesse blog?! O Poeta pensou que a poesia que escrevia se desmancharia logo após o beijo no rosto seguido de um abraço apertado que dera na Inspiração. Ela, pela primeira vez, parecia retribuir um gesto guardado em segredo pelos dois. Ela, no auge de sua curiosidade, e ele, no auge de sua paixão. Mas paixão, de acordo com a história de Tristão e Isolda, só dura 3 anos. Exatamente o tempo que os dois esperaram completar para poderem se encontrar…

Mas se é pra ver a vida, vamos ao que interessa. Em todo lugar existe inveja, mas também, em todo lugar, existe alguém esperando pra ser teu amigo. Todo mundo erra, mas todos nós acertamos mais cedo ou mais tarde. A verdade está lá, na sua cara, mas fica difícil acreditar quando a menina parece ser a mais santinha da escola. A traição, de quem quer que seja, pode ser perdoada, desde que não seja por você. O vestibular foi e sempre será assunto de todo o seu ensino médio, pode apostar. Machado de Assis era negro e não moreno, mulato ou mestiço como pintam por aí; o Maranhão é uma Grande Mentira; Jesus Cristo, dizendo os astrônomos, nasceu em 17 de Junho; a Guerra dos Farrapos foi comandada por almofadinhas; a menina Isabella não foi assassinada pelos pais; eu ainda gosto dela (não da menina Isabella, e sim de uma terceira pessoa); aprendi a tocar “Another Brick in the Wall” no violão; passei a noite fora pela primeira vez; beijei duas das minhas melhores amigas no mesmo dia (e quase ao mesmo tempo…); aguentei porre de um melhor amigo; aguentei saber que um colega meu ficou com uma grande amiga minha; sofri; ri; chorei; calado. Conheci umas três meninas que eu dava tudo pra ficar com elas, mas elas têm namorado. Melhor deixá-las namorando mesmo, senão a confusão na vida delas se instaura de uma maneira que eu nem quero me meter. Melhor mesmo é parar de escrever, pular para o próximo parágrafo e prometer uma continuação para esse fenômeno da literatura de computador.

Porque pra ser Marckosiano precisa ter muita paciência e um bocadinho da virtú de Maquiavel. Mas eu ainda prefiro ter a Inspiração por perto…

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Métodos Marckosianos de Ver a Vida (1)

Algumas pessoas costumam me chamar de grosso, chato ou até de estúpido. Muitos falam pelas minhas costas e a grande maioria, ainda bem, pela minha frente. Acho que essa avaliação alheia parte de algumas atitudes que eu costumo tomar na escola, no shopping, no meio da rua ou até mesmo dentro de casa. Minha mãe, por exemplo, vive dizendo que vai ser difícil eu arrumar uma mulher que me agüente – e que eu não enjoe...

Meus verdadeiros amigos, como Dave falou uma vez, só são meus verdadeiros amigos porque conseguiram a proeza de me agüentar, de ouvir tanta bobagem, de ver tanta cara amarrada e mesmo assim continuaram firmes e fortes esperando a deixa pra me fazer esboçar um sorriso que valesse a pena. Agradeço a Deus de tê-los por perto.

Existem também os colegas, que esperam ser um dia – quem sabe – meus verdadeiros amigos. Mas eles esquecem de um detalhe: estar comigo aonde quer que eu vá e não se importar com a minha vida. Reparou como eu sou chato?! Eu quero todo mundo por perto, mas não quero ninguém tão perto assim...

Aí você me pergunta: e suas relações romântico-amorosas?! E eu te respondo, pequeno Jedi: nunca existiram!! E se existiram, foi por pouco menos de um mês, com uma garota que jurou me amar, mas que no final acabou indo embora!! Como os seres Marckosianos sofrem...

Eu tenho a incrível capacidade de enxergar o aparente brilho perdido das pessoas. Tenho medo de que isso não tenha cura e que as profecias de minha mãezinha se concretizem. Que menina vai querer namorar um cara tão complicado quanto uma função trigonométrica do professor Paulo Abreu?! Muitas... O problema vai ser esse carinha complicado não complicar tudo e não fazer com que elas enxerguem essa complicação. Confuso, não?!

Acho que tenho sangue alemão, como falou meu professor de Geografia, Martônio. Ele disse que um alemão não tem aquela receptividade de um brasileiro, quando alguém chega a sua casa tamanha 9 horas da noite. Tem que ter hora marcada. E de hora marcada – não nesse sentido – disso eu não abro mão!!

Mas existe aquilo que eu chamo de “Métodos Marckosianos de Ver a Vida”. Qualquer semelhança com as “Leis de Murph” não é mera coincidência. Veja como é simples encarar sua vidinha de acordo com a visão de um Marckosiano:

Marckosiano: s.m. Indivíduo super complicado, que sonha com um futuro perfeito, mas que não vive em um presente tão perfeito assim. Adora estar ao lado de alguém, desde que não por muito tempo. Tem poucos amigos, que admira como se fossem irmãos. Mais de sua personalidade nas próximas postagens...

[CONTINUA...]