Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de junho de 2011

Quebra-mar

Sentados no quebra-mar, faziam juras de amor
Não sabiam ao certo no que aquilo iria dar
Ela pedia atenção, ele exigia cuidado
Ela queria carinho, ele espalhava afago
Passos incertos, futuro na cara. Nenhum admitia.


Fim de tarde, pôr do sol, quase lua
Lua cheia. De desejo, de entrega, de luz
Mar calmo, quieto, simplório
Barulho zero, torpor à flor da pele
Eram os únicos da ilha, palco de toda dor.


Queriam coisas novas, tiveram novidades
Queriam coisas certas, tiveram inverdades
Negaram coisas prontas, enxergaram intimidade
Negaram coisas mortas, chegaram na idade


De viver e viver e viver
Mais um pouco, aonde der
Com você, sem você
Se esse quebra-mar quiser.


(Marcos Lima)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Antes da alvorada voraz

Desperto o desejo louco de poder te amar
A tua boca na minha tamanha 4 da manhã
Não ouço nada além do som da madrugada e do teu beijo sofrido
Ávido, teus lábios dormentes a me atormentar

Vai, vai-te embora em busca de vida
Eu não posso e nem quero ser esse aí, das tuas fotos, do teu álbum de recordações
Mas só faço um pedido: fica por perto.
Não fede nem cheira. Só fica por perto.
Talvez eu mude de ideia e possa voltar a dormir tranquilo
Tamanha 4 da manhã.

Marcos Lima

domingo, 4 de julho de 2010

O que eu faço na varanda?

O que eu faço na varanda?
Bobagem. Nem tenho varanda.
Só um espelho, uma adaga, uma calça e um violão.
Não tenho varanda.
E nem me dá vontade de ter uma...
Varandas são altas, largas, pensativas.
Ficam olhando pro nada o dia todo,
Mesmo que esse nada tenha tudo.
Varandas pegam sol, varandas tomam chuva.
Eu pego minha roupa, tomo água e vou pra calçada.
Ver as varandas.
Ver as varandas!

sábado, 3 de julho de 2010

Follow me

Tanta gente estranha
Tanta gente ao meu redor
E ninguém sabe de nada
O que eu estou fazendo, meu Deus?
Por que está acontecendo tanta coisa diferente?
O que foi isso em meu coração?
Tem alguém aí? Você está aí? Me ajuda

Eu não pude deixar de te perceber
Eu sei bem onde tudo começou
Tua tristeza, melancolia, revolta
E no final era o quê? Sono.
Maldita curiosidade. O que diabos eu tinha pra te olhar assim?
Seria amor? Ou seria sorte?

Vai, eu ainda acredito no tal do amor
Escancaro pra meio mundo que não, mas é mentira!
A gente pode se dar bem. Eu sempre acreditei nisso.
E se não? Tentamos. Eternizamos. Virou poesia.
E se sim? Tentamos. Vivemos. Sorrimos. Amamos.

Tanta gente estranha
Todos sabendo de tudo e fingindo que não
Me apavora e me conforta ao mesmo tempo
Sou feito de amor.
Construído, moldado e crente no amor
E você?
Quer ser feita de amor também? Follow me!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quem foi Alice?

Alice não me escreveu aquela carta. Alice não caiu naquele buraco. Alice nem mesmo existiu.
Alice é desengonçada. Alice tem uma cara amarrada. A Alice nem sabe o que viu.
Alice e sua mesma história. Alice e o coelho que agora é branco e um pouquinho anil.
Alice tem medo da morte. Alice não sabe o que é sorte. Alice viveu no Brasil.

Marcos Lima

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cabelos ao vento

E agora
Os teus cabelos são meu corpo
Afagar
Os teus cabelos são meu livro
Te encontrar
Os teus cabelos são história
Te contar
Os teus cabelos são lembrança
Vou levar
Os teus cabelos são encontro
Te beijar

Nenhuma palavra foi dita
Toda palavra foi dita
Cabe a qualquer parte
Virar arte, poesia
E os teus cabelos são, agora,
Minha glória, meu cantar
O teu sorriso, minha vitória
Celebrar e celebrar
E o teu desejo, meu desejo
De verdade, te amar

Marcos Lima

domingo, 29 de novembro de 2009

Própria Fuga

Eu só queria sumir
Pra um lugar de fogo, de preferência
Queimar, arder todas as minhas angústias
As minhas faltas, os meus medos
Meus deslizes e qualquer outra coisa que me perturbasse

Eu só queria fugir
Fugir pra um lugar de gelo
Morrer de hipotermia, e levar com ela toda a agonia
O desprezo, a falta de razão
E afastar essas lágrimas que caem e as que já caíram

Eu só queria ficar
Enfrentar cada olhar reprovador
Cada criança faminta, cada alegria desmedida
Enfrentar e dizer pra cada uma delas
Que eu sou capaz, que eu quero viver em paz

Mas eu não posso
Me falta coragem, vontade e força
Estou fraco, ligado sem nenhuma voltagem
Vontade, verdade, fugir, desaparecer
E começar tudo de novo
Antes que aquelas palavras saíssem da minha boca.

Marcos Lima

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Estação Felicidade

Proibiram
Proibiram o meu ser de ser feliz
O teu ser de ser feliz
E o que eu faço?

Te enxergo no escuro ou finjo que não sou eu?
Te espero no futuro ou presente ao lado teu?
O que faço? Me digas, o que faço?

Se não fizeres algo nesse instante, enlouqueço
Desespero e te espero, sincero
E acordo
Puro sonho

Sou feliz. Estou feliz.
És feliz. Estás feliz.
Somos um, apesar de dois
Somos dois, apesar de um
Esse um, que nos faz feliz
E me diz
O que é ser feliz?
Você quer ser feliz?
Me diz:
Já sou feliz
Só contigo, depois de tudo, é que sou e serei - feliz !

Marcos Lima

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O que eu queira sentir

És de tudo, por tudo e contudo um sentimento
És perdido, insano, inquieto, vivido
És um sonho, uma honra, um beijo, um pedido
És confuso, catado, ligeiro, perigo

És pequeno, voraz, atento, preciso
És a noite, a tarde, o dia, sentido
És o fogo, a carne, a sombra, um bicho
És de sorte, o maior e mais lindo inimigo

És estranho, não mais que estranho conhecido
És veloz, arrebata, de novo o abrigo
És o som e o barulho, meu novo alento
És temido, impávido, colosso, sentimento.

Marcos Lima

domingo, 9 de agosto de 2009

Martírio do acaso

Se acaso me ouvisse, me veria íntegro
Me veria esquivo, me veria mudo
Se acaso me quisesse, sentiria medo
Viveria esquiva, e veria tudo
 
Se acaso fosse embora e sentisse pena
Se acaso fosse embora, sem toda aquela cena
Se acaso fosse eu, não me perdoaria
Se acaso fosse só, apenas não me quereria
 
Mas o acaso não veio
O sonho se desfez em mil pedaços
O risco, o ódio, a distância, a tal da implicância
Já não tenho fogo, já não tenho chama
Já não tenho fato de quem me ama
Sumiram
Largaram-me no melhor dos meus casos
Já não tenho jeito, eu não tenho nada
Só me restou o acaso…
 
Marcos Lima

sábado, 1 de agosto de 2009

Sedução

Cedo são a noite, o verbo, o espelho e a vergonha
Cedo são a dúvida, o carma, a alma, estúpida
Cedo são desejos, cedo são romances
Cedo são pessoas, cedo são amantes

Sedução que passa, sedução que fica
Sedução tão lúcida, sedução ilícita
Sedução carnal, sedução amiga
Sedução fiel, parte da minha vida

Quisera eu fugir da doce sedução
Quisera eu agora respeitar meu coração
Quisera eu você, dizendo sim, dizendo não

E alheio ao acaso e sem comparação
Respeito tua surpresa, teu susto, tua paixão
Coisa de adolescente, imaturo, tentando ser feliz...

Marcos Lima

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Amanhã Transcendental

Gente! Existe todo tipo de gente
Gente que mente, desmente
Não há aquele que não aumente
Temente, doente, inocente
Se finge de surdo só pra ser gente
Se finge de mudo só pra ser gente
E ainda mente que é gente
E a gente, crente, desmente
Pressente ou sente que não é tudo aquilo somente
Isso! Isso é a gente
A gente que ilude, engana, muda com a gente
Vive com a gente, mas sente
Que nada seria possível se vivesse inocente
Só no presente
Vivente ou independente
Acende e vive teu amanhã transcendental.

Marcos Lima

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Deixe

Deixe-me, me deixe sentir tudo o que quero, expressar o que vivo sem medo do seu olhar.

Deixa sentir a brisa me fazer menina e o vento me fazer mulher; esses mesmo ares fazerem o frio, o mais nobre arrepio com a chuva que vem molhar, me acariciar.

Deixe-me ver a blusa molhada ir ao ritmo da respiração, entrando em sintonia com a mente e a pele, livres e relaxados... Ver cada curva do meu corpo se encaixar no seu, o friozinho entre as pernas me faz sussurrar teu nome.

Simplesmente me deixe, não precisa se preocupar, só me deixe que eu sei me cuidar. Cada sorriso e cada olhar. Eu sinto, sinto malícia, sinto inocência, os olhos singelos e amáveis que pegam fogo ao fundo, eu sinto. Um gesto é um arrepio, um sussurro me faz derreter, suas mãos me fazem vibrar.

Deixe-me sentir seus cabelos por entre os dedos e cada veia pulsar o sangue que ferve, deixar a boca ocupada, os olhos cerrados, as pernas sem forças. A chuva ainda cai; ela celebra sem festa, sorri sem alegria e chora sem dor... Corre em harmonia com o suor dos corpos e a energia vil. Estamos vivos, latentes, quentes, explosivos. Só me deixe sentir isso, só me faça sentir você em mim!

Iris Ribeiro

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Poeta do Vento

Não sei se o que faço é certo
Nem sei se é certo o que faço
Sigo meu passo
Passo meu rumo
Rumo ao escuro
Descuido destino

Esqueço do tempo, tempo de ouro
Desejo um beijo, um riso, um choro
Confundo emoções, me brilha o lamento
Sem sentimento, sou mais um sem você

Sou o poeta do vento
A base do Sol
Confesso, ciumento
Sem ter seu amor
Ou o tenho?
O que tenho?

Tomas de mim o meu vento
Me empurre contra a parede
Desgaste meu fôlego
Respire um momento
Mas acredite no que digo:
Sou o poeta do vento!!

Marcos Lima

sábado, 14 de junho de 2008

Delírios Confusos de Amor

Desejo sombrio
Esgotado com a falta do ser
Libidinoso e perfeito
Ímpeto cravado em pleno amanhecer
Resgato o desejo
Inóspito, seco, sombrio
Ocioso e levemente doce
Sinto o seu frio

Certeza paixão
Olho em teus olhos ferinos
No auge do sentimento cruel
Fugas, lances, destinos
Uso de toda minha garra
Sofro com todas as forças
Objeto imaginário
Sinto-te em todas as moças

Desejo, delírio
Estás em meu ser

Anjo com asas perversas
Maldito lugar e momento
Obrigando meu corpo à recusa
Rejeito meu próprio sentimento: amor

Marcos Lima

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Falsos Poetas

Os falsos poetas
Seres estúpidos
Nos ganham o mundo
Querendo alegrar.

Se fazem de santos
São todos imundos
E vivem a pecar,
São falsos poetas
Meninas bonecas
Meninos de ar.

Pessoas sem voz
Começam a falar
Contando mentiras
Vou acreditar
Aos falsos poetas
Prefiro calar.

Marcos Lima

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O Ócio

O ócio que me consome
O poder do telefone
O vazio
Ah! Vazio...
Execrável, profunda dor.

Maldito computador.

Preconceito mundano
Imundo mundo urbano
De facetas falsas
E falsos poetas
Certezas incertas
Que não hão de cessar.

Maldito celular.

Pelo causo, pelo conto
Pelo rumo que não há de parar
E eu que me pergunto
E o ócio constante
Começa a me pertubar.

Sinto o prazer relaxante
Uma vontade errante
De ser ou estar.

Amigos queridos
Parentes por perto
Amores perdidos
E algo que é certo:
O ócio a me pertubar.
Marcos Lima

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Se se morre de amor

Se se morre de amor! - Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,
D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa almafontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d'lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!


Gonçalves Dias

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A Falta

Ninguém disse que ia ser fácil
Levantar e cair todo dia
Magoado com a própria agonia
Sonhando com tudo do nada que não poderia existir

Ninguém disse que ia ser fácil
Acreditar na mais doce ilusão
Na mais perfeita reação
Algo alegre com um brilho qualquer

Escolhi ser feliz por alternativa
Me vi como alguém a deriva
Esperando o momento certo de agir
Um cientista que inventa doenças
E a crença na cura que não há de surgir

Sou apenas um outro qualquer
Mas com sonhos e medos
Como qualquer outro ser

Sou esperto o suficiente pra saber que a vida
Não avisa quando vai embora
Prioriza sua própria aurora
E se desmancha ao anoitecer

Esqueço que sou um simples humano
E que apesar de tudo
Ainda não tenho você...

Marcos Lima

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Como Te Amo?

*Tava assistindo o Snoopy na Record e encontrei a Sally recitando esse poema...

Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo
e ao mais alto que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites
do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos
os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam
pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando
perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.

Elizabeth Barrett Browning