domingo, 4 de julho de 2010

O que eu faço na varanda?

O que eu faço na varanda?
Bobagem. Nem tenho varanda.
Só um espelho, uma adaga, uma calça e um violão.
Não tenho varanda.
E nem me dá vontade de ter uma...
Varandas são altas, largas, pensativas.
Ficam olhando pro nada o dia todo,
Mesmo que esse nada tenha tudo.
Varandas pegam sol, varandas tomam chuva.
Eu pego minha roupa, tomo água e vou pra calçada.
Ver as varandas.
Ver as varandas!

sábado, 3 de julho de 2010

Follow me

Tanta gente estranha
Tanta gente ao meu redor
E ninguém sabe de nada
O que eu estou fazendo, meu Deus?
Por que está acontecendo tanta coisa diferente?
O que foi isso em meu coração?
Tem alguém aí? Você está aí? Me ajuda

Eu não pude deixar de te perceber
Eu sei bem onde tudo começou
Tua tristeza, melancolia, revolta
E no final era o quê? Sono.
Maldita curiosidade. O que diabos eu tinha pra te olhar assim?
Seria amor? Ou seria sorte?

Vai, eu ainda acredito no tal do amor
Escancaro pra meio mundo que não, mas é mentira!
A gente pode se dar bem. Eu sempre acreditei nisso.
E se não? Tentamos. Eternizamos. Virou poesia.
E se sim? Tentamos. Vivemos. Sorrimos. Amamos.

Tanta gente estranha
Todos sabendo de tudo e fingindo que não
Me apavora e me conforta ao mesmo tempo
Sou feito de amor.
Construído, moldado e crente no amor
E você?
Quer ser feita de amor também? Follow me!!

sábado, 19 de junho de 2010

Copa do mundo particular

A cidade diminui seu ritmo aos poucos. O movimento típico de um dia de semana jamais poderá ser comparado com a vagarosidade de um momento como esse. As pessoas correm, coloridas, a fim de terminar todos os seus afazeres, na tentativa de acomodar-se logo em casa ou em qualquer outro lugar só para torcer. Milhões de julgamentos, variados palpites, tímidos pessimismos. Uma só vontade: liberar toda e qualquer manifestação de voz, resumindo todos esses sentidos em apenas um fonema monossilábico: GOL !

Se for em um final de semana, melhor ainda. Dá-se um jeito de não ir à aula, ao trabalho, ao velório - caso seja um sábado. Se for um domingo, aí sim, está tudo liberado. Cerveja gelada, refrigerante para os não-alcoólicos, cornetas multicoloridas, churrasco na brasa, muita comida na mesa, família e/ou amigos reunidos… Tudo vale a pena, mas só se o número de gols não for pequeno.

O Rappa já cantou: “eu quero ver gol, eu quero ver gol, não precisa ser de placa, eu quero ver gol”. Eu também quero ver gol. Quero ver gol do meu time, afinal, também sou treinador. Quero sentir o prazer da vitória, afinal, também sou torcedor. Quero gritar, vuvuzelar, espernear. Quero um 2 a 1 suado, um 4 a 0 estrelado ou um 1 a 0 disputado. Mas eu quero ver gol. Pra que impedir? Escanteio neles, pênalti neles. Gol neles.

Copa do mundo. 32 razões diferentes para torcer. Culturas diferentes. Costumes diferentes. E uma só vontade: vencer! Tornar-se a seleção campeã do mundo e ver-se estampada em todos os jornais, sites, revistas - e etc. - do mundo. Machucar-se às vezes, gritar muitas vezes, discordar quase sempre. Fazer parte da expectativa particular de cada torcedor, de cada apreciador do futebol-arte.

Superstição? Bolão? Telão? Nada disso importa se não houver um monte de outros “ão”: união, emoção, competição, participação, decepção… Porque se um evento como esse não fosse tão importante, não haveria motivo pra essa porção de torcedores gritar a uma só voz, mesmo que em uma torre de Babel: “vencer, vencer, vencer!!!”

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Aquela doce cantiga de escárnio

Tudo começa no Trovadorismo. Homens renegados, bradando aos quatro ventos seu amor impossível por uma mulher mais impossível ainda. Cantigas de amor, cheias de emoção, entrega e submissão. Você não pode ter aquela mulher, pelos mais variados motivos. Você a protege. Evita falar seu nome, glorifica uma mesura inigualável e continua escrevendo. E cantando...

No Trovadorismo, tudo termina. O cansaço, talvez as inúmeras tentativas, os inúmeros impedimentos, sua falsa fé. O fato é que aquela mulher, antes perfeita, antes digna de horas gastas por nada, antes tida como sua eterna paixão, agora não merece nenhuma admiração. Não vale amor platônico, não vale amor de amigo, não vale textos com estrofes musicadas. Só passa a valer o sarcasmo, a ironia, a raiva. E por que não dizer o maldizer?

No Trovadorismo, tudo começa. Começa a perceber que não vale só falar bem daquela que outrora você amou, mesmo não podendo amar. Ela não podia amar você. Ela amava outro alguém. Ou a obrigaram a amar outro alguém. E você começou. Começou a destratá-la, começou a adjetivá-la com palavras horríveis, primeiro sem intenção que ela – nem os outros – soubesse que aquilo era pra ela. Descontou sua pior ira. Escarneceu!

Agora, tudo termina no maldizer. Você vai contar a história com nomes e sobrenomes, vai agredir, vai ridicularizar e pode até usar de uma linguagem chula pra atingir seus objetivos. Tudo vale nesse momento. A hora é do trovador. Satirizar, essa é a palavra. Mesmo que você não viva em feudos, você sofre uma coita de amor. Coitado!

A que ponto chegamos? Você, um Rei e nós, simples vassalos. Ser trovador é difícil. Principalmente, em pleno século XXI.

domingo, 13 de junho de 2010

Artur da Távola e o amor

"Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar.
Aos que pensam em voltar...

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.
O AMOR É ÚNICO,
como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,
A SEDUÇÃO
tem que ser ininterrupta...

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia
SER ETERNA

Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada,
RESPEITO.
Agressões zero.

Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver
BOM HUMOR
para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar.

Amar só é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar "solamente", não basta.

Entre homens e mulheres que acham que
O AMOR É SÓ POESIA,
tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.

O amor é grande, mas não são dois.
Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!"
Artur da Távola

terça-feira, 25 de maio de 2010

Porções de domingo

Eu vejo tudo enquadrado – e nem tenho um remoto controle. Não dá pra pausar os melhores momentos, avançar as dificuldades ou gravar toda minha vida para a posteridade. Não tenho status, não tenho como, vivo de carona. Pela janela do carro, vejo uma tela. Triste, porém real. Pessoas passam, fatos passam, o passado passa… e o presente continua nos dando presentes cheios de incerteza, cheios de dúvida, cheios de verdade. E como essa verdade dói.

Domingos. Se eu tivesse um carro, juro que sairia todo domingo de manhãzinha, só pra aproveitar aquele cheiro de novidade de mais um dia. Mas domingo não é um dia como outro qualquer. Também não é um dia como sábado, que, particularmente, é meu preferido. Domingo é mais tranquilo, é mais família, é mais vermelho. Ainda me pergunto de quem é a culpa pelo moulin rouge nos domingos “calendarianos”. Deve ser coisa da Igreja, que ainda insiste em guardar os domingos. E por que guardar algo que nos pode ser tão útil?

Era domingo quando vi a tristeza em seu olhar. Uma garota, mais ou menos 15 anos. Vestido longo, sandália rasteira, lágrimas reluzindo em um rosto desacostumado a sofrer. Uma mãe. Consolava aquela menina que aparentava ser forte, apesar de tudo. Ela também sofria, era visível. Assim como era visível o que acontecera, mas que até hoje não sei se é apenas pensamento de jovem poeta. Seu pai não estava mais ali. Ela sentia medo, muito medo. Foi à igreja, perto do mar, manhã de domingo, chorar um pouco, lembrar um pouco, aprender a viver e reviver tudo de novo.

Fez-se domingo quando mais nada era interessante. Quando voltar ao lugar com mar, igreja e tristeza era só mais um querer. Desejar encontrar a jovem e perguntar o que acontecera, por que chorara tanto e como estava sua vida a partir de agora. Mas não. Viagem de volta. E as imagens do domingo comum invadem meus olhos, refletem em minh’alma, me fazem melhor – ou pior. Pessoas voltando da casa de Deus, com uma crença diferente da minha. Crianças diferentes de mim, correndo pela rua, em meio a um sol escaldante. Gente simples, fazendo coisas simples. Gente sofrida, vivendo uma vida sofrida. E eu nada posso fazer. Ou será que posso? Observar?

Era nosso domingo. Domingo de Páscoa. Hora da ressureição. Conheci o gigantismo das máquinas, o lado, até então, desconhecido de uma cidade, o verde fechado, o longe benevolente do preconceito, a vontade de fazer a diferença e reconheci o poder dos domingos. Ao lado de uma parte, agora, fundamental pra mim. Que me perdoem os outros domingos, mas esse vai ficar marcado. Na memória e agora, em forma de pedaços de prosa e poesia.

O melhor amor em vermelho que já conheci na vida

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quem foi Alice?

Alice não me escreveu aquela carta. Alice não caiu naquele buraco. Alice nem mesmo existiu.
Alice é desengonçada. Alice tem uma cara amarrada. A Alice nem sabe o que viu.
Alice e sua mesma história. Alice e o coelho que agora é branco e um pouquinho anil.
Alice tem medo da morte. Alice não sabe o que é sorte. Alice viveu no Brasil.

Marcos Lima

domingo, 28 de março de 2010

Depois

Saio depois da chuva. Procuro descanso em um banco molhado. É quase noite. Pássaros voam em direção ao ninho. Pessoas passam. Carros passam. Soluço. Choro. Sonho. O sol se põe. O cheiro gostoso de uma nova terra, lavada por uma nova chuva. Levanto. Ando um pouco à procura de novas caras, novos seres, novos ares. Percorro centímetros; metros; quilômetros. Perco miligramas; gramas; quilos. Não sou medida. Precisava de chuva. O primeiro pingo bate. O segundo bate. Os próximos me encharcam. Corro em busca de abrigo. Ninguém quer me proteger. Vou refazer o caminho. Debaixo de chuva. Debaixo de noite. Olhos marejados me condenam. Sussurros condenados me marejam. Acho uma árvore. Escuto um estrondo. Trovão. Lembro da minha casa. Próxima. A três árvores. Número ímpar. Azar. Raio. Lembranças. Medo. Morte. Saio depois da chuva. Agora não!!


 Depois by MarkosoLima


 Depois (James Morrison - Please Don't Stop The Rain) by MarkosoLima

sexta-feira, 26 de março de 2010

Minha alma ultrapassada

Hora de arrumar as gavetas. Tantos papéis velhos, tanta anotação, tanta coisa do tempo do ronca. Às vezes me pergunto por que sou tão apegado às coisas antigas, principalmente àquelas que parecem não ter mais valor algum. Algumas pessoas dizem que eu tenho alma de velho. Mas será que os senis são os únicos a guardar tanta bugiganga? Será que eu, mesmo com toda essa minha veia moderna, com esse discurso atual e essa forma de viver pautada nos preceitos do século XXI, não posso ter o direito de guardar algumas relíquias? Será?!

Hora de arrumar os pensamentos. Sinto-me velho não somente na condição de colecionador de coisas velhas. Sinto-me velho por causa de certas atitudes, certas ideias fixas, senso comum, medo de aventuras modernas. Mas nunca tive medo de blogar, orkutar, twittar ou qualquer outra ação que inclua um verbo ciberneticamente novo. Mas tenho medo de voar, sair domingo à tarde, fazer rappel, aceitar a morte. Tal qual um velho.

Engana-se, porém, quem achar que eu não goste de ser assim. Ser chato e rabugento tem lá suas vantagens, apesar das desvantagens serem mais visíveis. Você discorda mais, garante opiniões formadas, defende teses há muito firmes e sólidas. Mas se restringe, se limita. E isso é ruim. A falta de mobilidade e liberdade é inerente a um idoso, daí tal comparação cair como uma luva. E tem gente por aí com medo dessa falta chegar.

Gostar dos Beatles, Jhonny Cash, Elvis, Michael, Celine Dion, Cindy Lauper, Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho ou qualquer outro artista que não faça parte dos primeiros lugares das rádios atuais não quer dizer que você tenha alma de velho. Repudiar tatuagens, piercings, emos, rockeiros ou góticos não quer dizer que seu pensamento está preso ao passado das anáguas e sobretudos. Basta tolerar.A opinião é sua, o preconceito é seu. A tolerância também é.

Feliz daquele que tem a sabedoria de um idoso. Sabe mais, conhece mais, protege mais, age mais. Não que eu não goste da atualidade, longe de mim! Adoro o novo, apesar do receio que ele sempre traz. A questão é que eu adoro uma boa história de velho. História essa que geralmente sai da mesma boca que os netos dizem que fede. Netos burros, esses.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O que planejar para datas especiais?

Navegando por alguns sites de relacionamento, encontrei uma pergunta que me chamou atenção e que achei interessante discutir na crônica de hoje: “O que planejar para datas especiais?” O que fazer quando você dá o mais belo presente para seu amado e ele lhe retribui com um simples beijo dizendo que adorou? Como tratar sua namorada ao receber um simples cartãozinho de ‘Feliz Dia dos Namorados’? Será que só a intenção é suficiente ou suas expectativas são maiores do que isso?
 
Primeira coisa: certos dias no ano podem ser importantes ou não! Os seres humanos são diferentes entre si e é justamente isso que faz a mágica da atração acontecer. A importância dada a certas datas do ano varia de pessoa para pessoa e isso com certeza não é motivo para brigas, discussões ou rompimentos. O Dia Internacional da Mulher, por exemplo, pode ser importantíssimo para mim - ao passo que demonstra o valor da mulher na sociedade, sua luta diária, seus valores, etc. –, enquanto pode não ter o mesmo significado para o namorado da sua melhor amiga. Infelizmente, tudo é relativo!
 
Segundo aspecto importante: você pode estar disposto a presentear e a outra pessoa não! O que fazer nessas horas? Todos nós já passamos por isso: sentir medo em dar um bom presente para outra pessoa por acreditar que não irá receber um de mesma valia. E é aí que nasce o problema. Você compra uma lembrancinha e o seu presenteado lhe retribui com um presentão. Que decepção! Uma solução pra isso está em pré-determinar os preços dos presentes, o que geralmente tem acontecido em brincadeiras de amigo-invisível por aí.
 
Terceiro: a intenção e o seu ego entram em disputa! Uma lembrança pode marcar muito mais que um presente caro e da moda. Uma flor, que murcha e morre, pode ser lembrada pelo resto da vida, ao contrário de uma carta enorme que é logo jogada em um canto por ser extensa demais. Mas você se sente mal quando dá um presente e não recebe. Você se sente mal quando vê todos os seus amigos recebendo presentes e você não tem nada para admirar. Você sempre se sente mal. Nós nos sentimos…
 
Sentar e chorar? Jamais. Aprendi com minha namorada, por meio de demonstrações empíricas e filosóficas, que não se deve planejar nada. O máximo a que devemos nos permitir é planejar sermos pegos de surpresa, a fim de aproveitar com muito mais intensidade o que a vida nos oferece. Se ele não lhe deu presente hoje, dê um pra ele amanhã! Se você fez aniversário e não ganhou nada do seu melhor amigo, espere até o aniversário dele e prepare algo diferente, que o faça ver que ele errou. Se você quer presentear, vá lá e presenteie.
 
Às vezes é bom ter pensamento de imigrante e preparar-se para o pior, afinal nunca se sabe. A intenção só vale realmente a pena quando é você que se dispõe a presentear. Do contrário, o seu ego lhe domina por inteiro e todos os anos de amizade, namoro, trabalho ou até mesmo de relação familiar vão embora rapidinho. Experiência, galerinha… experiência!
 
Só não aceitem canequinhas de 3 reais no dia do seu aniversário, beijos!