sexta-feira, 25 de abril de 2008

O Ócio

O ócio que me consome
O poder do telefone
O vazio
Ah! Vazio...
Execrável, profunda dor.

Maldito computador.

Preconceito mundano
Imundo mundo urbano
De facetas falsas
E falsos poetas
Certezas incertas
Que não hão de cessar.

Maldito celular.

Pelo causo, pelo conto
Pelo rumo que não há de parar
E eu que me pergunto
E o ócio constante
Começa a me pertubar.

Sinto o prazer relaxante
Uma vontade errante
De ser ou estar.

Amigos queridos
Parentes por perto
Amores perdidos
E algo que é certo:
O ócio a me pertubar.
Marcos Lima

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Se se morre de amor

Se se morre de amor! - Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d'extremos,
D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa almafontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d'lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!


Gonçalves Dias

sexta-feira, 4 de abril de 2008

E será que a mentira virou verdade?!

Caros colegas blogueiros. O mês em que nos encontramos traz consigo uma carga diria um tanto quanto mentirosa, pelo menos para nós brasileiros. Abril, logo de cara, recebeu um dia pra se denominar de dia da MENTIRA!! Nesses 86400 segundos, tudo quanto é brincadeira boba aparece. Fulano que matou cicrano, beltrano que levou 5 facadas enquanto esperava o ônibus, alguém que está te chamando na outra sala ou até mesmo uma ligação urgente na hora de sua aula importantíssima de Trigonometria pra te dizer a seguinte frase:

- Dia da Mentira!! Te peguei...

Não, não me pegou não. Acredito que já estamos tão acostumados com a idéia da mentira em nosso país que nem nos surpreendemos mais com as contadas por aí. Parece que o brasileiro se acostumou com as mentiras. As mentiras do mês de Abril. Vamos a elas:

07 de Abril: Muitos não sabem, mas nesse dia é comemorado o Dia Mundial da Saúde. Tudo bem que data comemorativa no Brasil parece comunidade no orkut: tem pra tudo. Mas a questão não é essa. Pra quê uma data especial pra saúde se no Brasil quase não se vê um serviço médico de qualidade?! O pior é agüentar as promessas do governo, quando nem mesmo pra combater um mosquito eles (os políticos) têm capacidade...

19 de Abril: Foi-se o tempo em que o indígena era respeitado em nosso país. Na época do tal descobrimento (já falo sobre isso), existiam milhares de índios espalhados pelo nosso imenso território. Hoje, apenas algumas tribos sobraram pra contar história. O resto foi dizimado graças à ganância incontestável do europeu. O que ficou foi um dia pra lembrar o que existiu há um tempo atrás. O resto é conversa pra boi dormir!! “Nos deram espelhos, vimos um mundo doente, tentei chorar, mas não consegui...”

21 de Abril: Aprende-se lá na 4ª série, se não me engano, que Joaquim José da Silva Xavier foi o grande herói brasileiro, que lutou até o fim pela Independência do Brasil. Quem te garante isso, meu filho?! O tal Tiradentes era um pobre coitado, quase mendigo, que arrancava dentes dos mineiros mais ricos pra garantir seu sustento. Fora chamado pelos ditos inconfidentes para fazer parte do movimento por possuir dívidas com a metrópole e estar descontente com a cobrança de um imposto, denominado Derrama. Graças à traição de um outro Joaquim, o Silvério dos Reis, como todo mundo sabe, Tiradentes foi condenado à forca, tendo partes de seu corpo expostas em praças de Vila Rica. O que a maioria dos livros não conta é que Tiradentes se entregou, com a idéia de que, caso se entregasse, teria a pena reduzida. Pra você ver como o pobre, desde essa época, não tinha nem voz nem vez...

22 de Abril: A maior das mentiras abrilísticas. É como contar que o coelhinho mora na Ilha de Páscoa e o Papai Noel no Pólo Norte. Diz a lenda que Pedro Álvares Cabral desembarcou no Brasil, mais precisamente em Porto Seguro na Bahia, na tarde de 22 de Abril de 1500, descobrindo assim uma nova terra, uma nova colônia portuguesa. E os índios?! Eram fantasmas, que só passaram a existir após o olhar severo de um São Tomé português? Eram invisíveis, que só passaram a ser reconhecidos quando o escrivão botou os pés em solo brasileiro? E Colombo, será que só descobriu o Caribe ou já havia passado por aqui antes?! Dúvidas e mais dúvidas... Pergunte ao Lula, ele provavelmente não vai saber de nada!!

"Uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade."
Joseph Goebbels, ministro da propaganda do partido nazista

LUTO PELA MORTE BRUTAL DA MENINA ISABELLA NARDONI

sábado, 22 de março de 2008

Papai, o que é Páscoa?

- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é... Bem... É uma festa religiosa!
- Igual Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois.
- Não, três dias.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na sexta-feira santa... Ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- É, boa pergunta.
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!

Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 19 de março de 2008

Velha Infância

Defina em apenas uma palavra a sua infância.

Não, isso aqui não é um teste psicológico, muito menos uma dessas provas de concurso público por aí. O verdadeiro sentido desse questionamento é fazer você lembrar do quão maravilhoso foi o seu período de criança, ou da quão horrenda foi a sua meninice. Seja qual for a sua resposta, esteja certo de uma coisa: não existe melhor momento na vida do que a infância. E digo por que.

É nessa época que você aprende as coisas mais importantes e úteis possíveis, que vão lhe seguir pelo resto da vida, desde um simples ato de somar até o valor imprescindível que seus pais têm. A infância guarda os eternos momentos, que insistem em nunca mais acontecer, seja pelo seu desenvolvimento de corpo e mente ou pelas oportunidades que insistem em não se repetir.

É na puerícia que os seus pais demonstram as mais grandiosas provas de amor a você, com um detalhe que não existe na juventude: você retribui. Nesse momento, também, você é agraciado com bonecas Barbie, carrinhos de controle remoto, super-heróis gigantes e os infinitos brinquedos da Mattel ou da Estrela. Agora venha me dizer que brincar a tarde inteira é chato!! Chato mesmo é fazer infinitas equações de 1º grau ou trabalhar em uma empresa onde o chefe mais reclama do que dá ordens...

É na infância que se vê a verdadeira graça da vida. Você desmente seus pais, conta verdades onde deveriam se incluir mentiras, quebra objetos comprados na loja mais cara do shopping, ri dos outros sem menor preocupação com o que eles vão pensar, cai, se levanta e continua a andar sem queixar-se de dores nos quartos, salas e cozinhas... Ganha um beijo da menina mais bonita do bairro, risca as paredes da casa, sem falar nos infinitos lugares que você conhece de carro ou ônibus com aquele seu tio gordo que sempre pára nas lanchonetes da cidade.

Mas a beleza da infância não está resumida só a isso. Tal beleza é inexplicável, porém inegável. Só quem lembra com lisonja dessa época, pode contar os pontos positivos. Os negativos ficam a cargo dos que lembram desse período com um gosto amargo na boca, mas que adorariam voltar no tempo pra corrigir um ou dois erros que ficaram pendurados.

“Ser criança é poder fazer as coisas mais perigosas (e sublimes) sem se preocupar com as conseqüências. Cair de um pula-pula, tropeçar quando se brinca de pega-pega, sonhar com o impossível, levar uma surra por ter colocado chiclete no vídeo-cassete... Nada é tão esplendoroso quanto a nossa infância. Depois, o máximo que iremos conseguir é cair do décimo quarto andar por desgosto da vida, tropeçar na frente de seu chefe no dia de sua admissão, sonhar com o impossível e desistir depois ou levar uma surra de um ladrão de merda que gostou de seu rolex... As circunstâncias são as mesmas, o que muda é a vida!!”
Marcos Lima

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Mudança de Hábitos

Digamos que você está na rota daquele encontro com a garota mais maravilhosa que já apareceu em sua vida, ou para vocês meninas, aquele carinha mais sensacional de todo o país, pra ser um pouquinho exagerado. E digamos ainda que, no meio do caminho, você encontre aquele amigo dos tempos da 4ª série daquela escolinha do bairro onde você deve ter aprendido fração e mmc. Esse tal amigo - que provavelmente se chama Francisco, Júnior ou João - lhe convida pra tomar um sorvete e colocar o papo em dia. Você aceita ou vai ao encontro da pessoa que você julga ser a mais importante naquele momento?

Chato, não? Por incrível que pareça estamos começando a nos acostumar com esse tipo de coisa: trocar o certo pelo duvidoso (ou o duvidoso pelo correto). Por estarmos cada vez mais presos ao tempo, achamos que é inviável sair com o amigo porque não vai “dar tempo” de ir ao jogo de futebol, assistir àquele programa na TV ou sair com o(a) namorado(a). E, por conseguinte (olha eu falando difícil), acabamos mudando de hábitos, nos mantendo submissos a máquinas, como o relógio ou o computador.

Mudar os hábitos não significa só arranjar um emprego novo, ir estudar longe da sua casa ou passear com seu cachorro todo dia de manhã. Não!!
Mudar é modificar-se a qualquer instante, mesmo que a causa dessa mudança esteja lhe fazendo bem. Mudar é buscar um horizonte melhor, mesmo que as conseqüências não sejam as mais proveitosas possíveis.

É claro que não se muda da noite para o dia. Quem conseguiu esquecer a paixão adolescente dois dias depois de ela ter lhe dado um fora? Quem foi o maluco que, com um dia após a tragédia com o avião da TAM em São Paulo, esqueceu o episódio? Qual dos homens já colocou a toalha molhada no varal horas depois de a esposa ter reclamado?

A gente se acostuma, é claro. Mas aí entra a questão do tempo. Aquela “entidade” que nos causa tantos problemas com o seu poder de passagem quase que instantâneo é a mesma que nos faz modificar nossa maneira de pensar e agir perante o mundo.

Transformar-se está no seio do homem. De acordo com a Revista Super Interessante (Ed. 248, JAN 2008), você pode mudar seu jeito de ser a qualquer momento. A personalidade que você tem varia de pessoa para pessoa: algumas lhe acham super gente fina, enquanto outras querem mais é te mandar para o raio que o parta. O que não é saudável é mudar para tentar agradar essa parcela que te odeia. A não ser que isso vá te trazer algum retorno...

O ser humano tem jeito. Ele pode voltar a ser criança, praticar o charlatanismo ou até inferir algumas meias-verdades. Mas um dia ele muda. Pode acreditar!!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Tempo Perdido?

Confesso aos senhores que andei sumido durante um tempo, porém, não deixei de existir. Minhas idéias, experiências e virtudes só cresceram depois desse tal carnaval.

Troquei de escola, escolhi novos amigos (escolhas, não arranjos, nem achados... simples escolhas), prezei meus eternos amores – amigos ou não -, ouvi novas coisas, li novas coisas, errei, brinquei, me aventurei. Tudo com o corpo de um adolescente, mas com a alma de uma criança. Sim, caros amigos. O tempo também é uma criança, que cai, se machuca, mas logo volta a brincar. E se machuca de novo, até entender que tudo aquilo realmente valeu a pena, por mais estranho que parecesse.

Senti que precisava mudar. Mudei.
Senti que precisava buscar. Busquei.
Senti que precisava falar. Falei.
Senti que precisava estar. Estive.
Senti que precisava brigar. Briguei.
Senti que não precisava fazer nada disso. Silenciei-me.

Sumir e reaparecer depois, totalmente transformado, não é das tarefas a mais simples. Você nunca consegue por completo, sente que falta alguma coisa, e nem mesmo sabe o que é. Porém, como é o meu caso, existem aqueles que dizem que mudaram, afirmam a todos que vêem que mudaram, deixaram aquele sentimento de ódio e/ou amor de lado e agora estão cultivando uma seita budista que prega a paz infinita. Puro papo de charlatão.

Afinal, o que é o ser humano se não um charlatão?! Seria eu um charlatão? Seria você um praticante nato do charlatanismo? Ninguém é santo nessa terra de cegos. Ninguém é rei nessa terra de ninguém. Precisamos ouvir a verdade, a mentira e a meia-verdade. Existiria a meia verdade?! Ou ela não passa de uma meia-mentira?!

Bela maneira de começar uma nova era, você não acha?! Mas que maneira seria essa? Nem mesmo eu sei...

P.S.: Não perca as próximas postagens!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A Falta

Ninguém disse que ia ser fácil
Levantar e cair todo dia
Magoado com a própria agonia
Sonhando com tudo do nada que não poderia existir

Ninguém disse que ia ser fácil
Acreditar na mais doce ilusão
Na mais perfeita reação
Algo alegre com um brilho qualquer

Escolhi ser feliz por alternativa
Me vi como alguém a deriva
Esperando o momento certo de agir
Um cientista que inventa doenças
E a crença na cura que não há de surgir

Sou apenas um outro qualquer
Mas com sonhos e medos
Como qualquer outro ser

Sou esperto o suficiente pra saber que a vida
Não avisa quando vai embora
Prioriza sua própria aurora
E se desmancha ao anoitecer

Esqueço que sou um simples humano
E que apesar de tudo
Ainda não tenho você...

Marcos Lima

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A Magia do Carnaval

Eu juro que não queria falar de carnaval logo no meu primeiro post de Fevereiro. Tem tanto assunto importante pra se discutir: a morte do Beto Carrero, a volta mais do que triunfal da febre amarela, a busca incessante de Lula por um candidato às eleições de 2010, a volta às aulas... Enfim, “n” coisas que renderiam um belo texto, e, conseqüentemente, sublimes comentários. Mas preferi não fazer assim. É melhor seguir a deixa e falar um pouco sobre o que eu acho dessa festa móvel.

Realmente, é móvel até demais!! Tanta bunda remexendo na avenida, tanto bêbado andando de um lado para o outro nos blocos da vida, tanto “mexe remexe” no controle remoto nas madrugadas dos dias de folia. Confesso que me dá até medo...

Mas eu paro e penso. O brasileiro precisa destes 5 dias de comemoração e animação (isso sem falar que ainda existem as tais “prévias carnavalescas” e os famigerados “carnavais fora de época”) pra aliviar-se do dissabor das contas de Natal e Ano Novo. O pobre coitado trabalha tanto, ganha pouco e ainda tem que comprar sapato Prada, tênis da Nike, calça da Gang, bolsa da Louis Vuitton, perfume da Dolce e Gabbana... Haja tanta marca pra tão pouco vil metal!!

Mas e o jovem? Ele não trabalha, não ganha porcaria nenhuma, e por que se mete no meio de tanta gente e vai pular ao som de Chiclete com Banana, Asa de Águia e o diabo a quatro?! Simples, meu caro. Já que o velho (ou a velha) tá bancando o abadá, nada mais justo do que ir se divertir e ficar a noite inteira dançando feito um louco atrás de um trio elétrico. E o papai (ou a mamãe), o que acham disso?! Dizem que é perfeitamente normal e aceitável. Eles (os pais) trabalharam tanto, que não tiveram tempo de se divertir. É melhor que os filhos brinquem e corram o risco de serem esfaqueados, assassinados, estuprados ou que engravidem (no caso das meninas) do que ficar em casa assistindo tudo por uma tela de 14 polegadas...

Talvez seja essa a razão principal pra existirem tantos foliões espalhados por aí... O desagrado com as mortes de todo dia, o medo de contrair doenças que não se sabe se existe cura ou não, a desconfiança em relação ao governo – que se preocupa demais com assuntos fúteis e esquece o principal –, e o aperreio em pagar todas as contas que surgem logo no início do ano, inclusive essas do carnaval, fazem com que o cidadão procure um refúgio pra esquecer de tudo... E é justamente para isso que existe a Quarta Feira de Cinzas. Contabilizam-se os gastos (leia-se cinzas), iniciam-se as verdadeiras preocupações (cinzas...) e esquece-se de que daqui a 40 dias teremos a Páscoa, outra data extremamente comercial, mas que, assim como o Natal, não deveria ser vista assim...

Bom carnaval, pessoal...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Como Te Amo?

*Tava assistindo o Snoopy na Record e encontrei a Sally recitando esse poema...

Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo
e ao mais alto que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites
do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos
os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam
pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando
perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.

Elizabeth Barrett Browning