quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Namore um cara que lê


Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.

Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.

Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar.

Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.

Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances.

Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência.

Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo.

E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.

Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado.

Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio.

Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho.

Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do "e eles viveram felizes para sempre", namore um cara que lê.

Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.


domingo, 31 de julho de 2011

Top 10 - Propagandas Inesquecíveis

A publicidade está em todos os lugares. Seja nas escolas, nas ruas, campos ou construções, deparar-se com um anúncio qualquer já se tornou mais que comum. Com as propagandas veiculadas na televisão isso não é diferente. Usar e abusar da criatividade para conseguir vender seu produto é tarefa antiga, mas nem mesmo por isso anda sendo esquecida. Pra provar que comercial é algo que fica pra sempre em nossas mentes, elenquei 10 propagandas que me chamaram a atenção por causa de sua originalidade. Vale a pena curtir ou comentar outras especiais para você!

10.

Por que é inesquecível? Fazer uma comparação entre os motores rápidos e seus cavalos com a lentidão do carro e seus supostos "pôneis malditos" foi uma sacada de mestre. A musiquinha grudenta ajuda em sua fama, além da convergência entre mídias, já que a internet tem sido a maior aposta da empresa pra divulgar seu novo veículo.


9.

Por que é inesquecível? Vou confessar que sempre fico ansioso pra assistir à primeira propaganda do ano depois do Show da Virada. Como sempre é a de um banco, passei a me emocionar duas semanas antes, quando começam as de Natal e Ano Novo dessas instituições. Essa em especial me marcou porque tinha o Zeca Baleiro interpretando "Amor Para Recomeçar", do incrível Frejat - dois músicos que admiro bastante.

8.

Por que é inesquecível? Um sucesso surgiu nas telas dos lares maranhenses quando o sagaz empresário Alessandro Martins resolveu investir na música tema do filme Rei Leão, "In The Jungle (The Lions Sleeps Tonight)". Usando um viral da internet onde um hipopótamo e um cachorro dançam e cantam freneticamente, a concessionária de veículos Euromar levou crianças ao delírio, que exigiram de seus pais a compra de um carro em troca de bichinhos de pelúcia iguais ao do vídeo. Depois de uns anos e da descoberta de fraudes envolvendo o empresário, a empresa faliu, mas a propaganda, como boa influente que foi, nunca mais saiu de nossas mentes.

7.

A Propaganda: Mamíferos - Parmalat
Por que é inesquecível? Tem algo mais fofo que crianças vestidas de animais e imitando o som que eles fazem? Uma das campanhas publicitárias mais famosas do final dos anos 90, nunca esquecida por mim porque toda vez que eu ia tomar a gotinha no dia da vacinação, minha mãe me perguntava depois: "Tomou?", igual ao gambá no final do vídeo. Vale a pena ver como eles cresceram nesse outro comercial da empresa.

6.

A Propaganda: Tio - Sukita
Por que é inesquecível? Uma menina bonita sendo cantada por um cara mais velho. Algo bem comum que se tornou ideia de comercial em 1999, lançando assim a marca de refrigerantes em todo o Brasil. Na época, ser chamado de tio era algo apavorante e os marmanjos bem que aproveitavam a deixa pra tentar conquistar as menininhas com um bom papo regado a uma bebida gelada.

5.

Por que é inesquecível? Não sei se o que torna a propaganda inesquecível é a poesia ou a interpretação de Arnaldo Antunes. De qualquer forma, munido de belas imagens e com uma simplicidade tremenda, o comercial consegue ser marcante por insistir em uma única pergunta e tentar respondê-la diversas vezes. No meu caso, sempre o assistia pela manhã, no intervalo do "Hoje em Dia", da Record. Era um jeito de começar bem meu dia, sempre imbuído a descobrir o que me fazia realmente feliz.

4.

A Propaganda: Convite - Claro
Por que é inesquecível? Esse comercial só está na lista por causa de "Times Like These", do Foo Fighters, e essa maravilhosa versão acústica que dá ritmo a todo o vídeo. Mais uma prova de um bom texto aliado a uma boa música transmitem qualquer mensagem, de maneira clara, concisa e envolvente. Se não fosse a pouca quantidade de conhecidos usando a Claro aqui no estado, eu até arriscaria comprar um aparelho da empresa.

3.

Por que é inesquecível? Não precisa nem dizer a razão de ela ser marcante. Herbert Vianna é um dos maiores exemplos de superação em nosso país e a letra de "Lanterna dos Afogados" tem tudo a ver com isso. Dificuldades existem e outras novas virão, mas não devemos nos abalar e desistir tão fácil. Acho que já deu pra perceber que comerciais poéticos me fascinam de alguma forma, não é verdade?

2.

Por que é inesquecível? A campanha deste ano da empresa é uma das propagandas mais bonitas já vistas por mim. "Simples Desejo", originalmente composta pela cantora Luciana Melo, se encaixou perfeitamente às imagens e à mensagem emotiva que a maternidade carrega consigo. Algo pra ficar marcado na história da publicidade brasileira, da qual eu sou um grande fã.

1.

Por que é impecável? De quem diabos foi a ideia de colocar um coral de crianças pra cantar "Whatever", uma das músicas mais bonitas do Oasis, enquanto o vídeo nos enche de mensagens otimistas em relação a atual situação do mundo? Essa equipe deveria ganhar o Oscar da Publicidade (se é que existe) e ser reconhecida mundialmente. Porque pra um comercial me fazer chorar, ele deve ter muito. E esse primeiro lugar tem muito mais que isso!

domingo, 24 de julho de 2011

Time's drops #02


O Quê: 300 Discos Importantes da Música Brasileira. Ed. Instituto Sou da Paz (2008)
Onde descobri: Esperando o show do Marcelo Camelo começar, enquanto ouvia conversas alheias sobre música brasileira.
Por que me chamou atenção: Não é todo dia que uma publicação seleciona e filtra conteúdo cultural assim no Brasil. 300 ainda me parece pouco, mas tudo bem!
Por que você deve conhecer: Se você é daqueles que gosta de verdade de música brasileira e quer conhecer um pouco mais sobre nossas raízes musicais, essa é uma dica e tanto.
Apêndice: Um blog montado a partir do livro, com links para acesso e download de todos os 300 discos citados na publicação (http://300discos.wordpress.com); Disponível para compra na Livraria Cultura (http://migre.me/5l84U).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Time's drops #01

Será paradoxo dizer que o Senhor do Tempo tem andado sem tempo pra postar por aqui? Pois bem. Para compensar o descompasso, eis o Time's Drops, uma minipostagem sobre alguma coisa que vi pela cidade, televisão, rádio, internet... e gostaria de compartilhar com vocês. Mãos à obra, então!



O Quê: "Vampire Weekend", banda novaiorquina formada em 2006.
Onde vi: Folheando, por acaso, a página 58 da Revista Bravo! de Março de 2010 que tenho aqui na mesa do computador e nunca li.
Por que me chamou atenção: A matéria da revista classifica a banda como "roqueiros que não se vestem como roqueiros". Daí procurei um vídeo dos caras no Youtube e bingo. Algo, no mínimo, curioso!
Por que você deve conhecer: "Cousins" tem um ritmo envolvente, bem semelhante ao frevo pernambucano. Pra você que gosta de música diferente e desconhecida no mainstream.
Apêndice: Vale a pena conhecer outras bandas legais, mais ou menos com o mesmo ritmo. Forro In The Dark, Discovery, MGMT e Ra Ra Riot são ótimas dicas.

domingo, 10 de julho de 2011

A dois passos do paraíso

1983. Miracema do Norte, fim de tarde. Maria Augusta voltava da casa de seus pais quando fora surpreendida por um caminhão, desses de faróis baixos e para-choques duros. Pensou ser sequestro, tentativa de homicídio, estupro. Ficou com medo e danou-se a gritar. Arlindo Orlando, um caminhoneiro conhecido da pequena e pacata cidade, desceu do veículo e pôs-se a explicar sua parada. O caminhão tinha pouco combustível, já estava escurecendo e ele queria descansar. Não era de seu feitio assustar as pessoas, principalmente uma moça linda como aquela, disse o rapaz.

Maria Augusta procurou se acalmar. Entraram em um bar à beira da estrada, pediram alguns comes e bebes e passaram a noite conversando, ouvindo a Radio Atividade. Tinham milhares de coisas em comum, inclusive o fato de estarem solteiros. Uma pousada, ao lado do bar, era, agora, o refúgio dos dois. Tiveram uma noite inesquecível, coisa de novela, com direito a juras de amor e pedido de casamento. Augusta questionou o fato de ele estar sempre viajando, ao passo que Orlando dizia não haver problema. Ele largaria tudo para viver com ela.

Amanheceu e ambos tiveram que partir. Comunicavam-se constantemente. Ele a viajar e ela a sonhar com seu destino, preparando cada detalhe do casamento. A data marcada chegara e nada poderia dar errado. Igreja lotada, convidados esperando pacientemente, uma noiva em prantos. Arlindo Orlando fugiu, desapareceu, escafedeu-se. O burburinho era uníssono. Noivo maldito, coitada da noiva, mentiroso, ingênua. Aquele seria o dia do dia mais feliz de sua vida e agora era apenas maquiagem borrada.

O que havia acontecido? Por que Arlindo Orlando sumiu? Por que não atendia mais o telefone? Maria Augusta resolveu arriscar descobrir o porquê. Pegou papel e caneta e mesmo aos prantos pôs-se a escrever. Assinava com o singelo pseudônimo de “Mariposa Apaixonada de Guadalupe”, utilizando as iniciais de seu nome para compor as novas palavras. Lembrara  ter ouvido na Rádio Atividade uma série sentimental chamada “Dedique uma canção a quem você ama”. Escolhera ouvir qualquer música de uma tal banda Blitz que estourava na época.

Ao ler aquela carta, o locutor fez um pedido mais que especial: “Onde quer que você esteja, volte para o seio de sua amada”. Do outro lado, Arlindo Orlando, atravessando o estado de Goiás, pensava em voltar. Pensava em largar tudo e aparecer, no mesmo caminhão de para-choque duro, farol baixo, chamando por sua Mariposa. Mas tudo era só aventura. Coisa de caminhoneiro perdido, que pensava estar a dois passos do paraíso.

*Texto escrito a partir da música "A Dois Passos do Paraíso", da banda Blitz, que, inclusive, teve sua verdadeira história revelada no curta-metragem abaixo. Pra quem gosta de filmes e tem curiosidade acerca da origem da canção, uma ótima pedida.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Europa é aqui

Todo mundo quer ser europeu. Todo mundo quer falar inglês, francês ou alemão. Conhecer a Cidade Luz, passear por entre as ruínas do Coliseu, visitar a Rainha. O fato é que ser europeu significa ser chique, ditar poder. E a culpa disso tudo pode estar justamente na hegemonia que esse continente deteve sobre o resto do mundo até pouco tempo atrás. Mas afinal, quais os efeitos da Europa em nós, meros americanos colonizados? Nossa identidade vale alguma coisa ou somos apenas espelho do Velho Mundo?

A globalização tornou tudo mais fácil, mas também pormenorizou certos aspectos culturais, como, por exemplo, a língua nativa de determinados povos. Falar português não tem o mesmo valor de mercado do que falar inglês. O fato de a língua portuguesa não ter alcançado a visibilidade que a inglesa alcançou é, com certeza, a principal razão para isso. Mas devemos ponderar. É cada vez maior o número de adolescentes que usam as redes sociais para popularizar ainda mais uma língua que não seja a sua. No Brasil, falar outra língua tornou-se grau de elitização. Louvável até, quando não há segregação.

Turismo, estudo, trabalho. Quanto mais fugimos de nossa cultura, mais somos valorizados. Se falamos 3 línguas, estamos aptos a exercer a presidência de uma empresa ou garantir aquela bolsa de estudos tão almejada. Herança europeia, que sempre negou nossa identidade, nosso jeito de ser. Fomos forçados a crer em seu Deus, a vestir o que eles vestiam, a falar o que eles falavam. Somos meras cópias, as quais tentamos repintar de tempos em tempos. O jeitinho brasileiro, a garra do povo e a própria população são apenas adaptações de costumes alheios, os quais até hoje tentamos imitar.

Ouve-se música estrangeira e detesta-se o popular, o nacional. Valoriza-se o idioma oficial de um filme, por exemplo, e nega-se a dublagem, o nosso falar. Infelizmente, talvez a única coisa realmente brasileira nesse emaranhado de plágios seja a natureza de nosso país, tão rica e grandiosa, inspiradora até na representação da bandeira da nação. Enquanto países europeus usam seus ideais, lutas e revoluções através de cores em suas bandeiras, no Brasil optou-se por valorizar nossa maior riqueza: a natureza. Ponto para nós.

Entretanto, não deve-se negar a importância que a Europa teve em nossa história. Somos gratos por tudo (ou pelo menos por quase tudo), mas seria bem melhor que construíssemos nossa própria identidade sem o auxílio de nenhuma metrópole. A Semana de Arte Moderna, em 1922, propôs isso; uma produção cultural e artística genuinamente brasileira, sem nenhuma interferência europeia. Deu certo.

E agora? Não seria o momento certo para valorizar nossa identidade e querer ser brasileiro? Desenvolvimento, visibilidade no exterior, capacidade de interferência nos grandes assuntos mundiais e você aí querendo ser inglês? Não seria a hora de rever seu próximo roteiro de viagem? Conhecer Curitiba deve ser bem mais legal que ir a Londres.

domingo, 12 de junho de 2011

Quebra-mar

Sentados no quebra-mar, faziam juras de amor
Não sabiam ao certo no que aquilo iria dar
Ela pedia atenção, ele exigia cuidado
Ela queria carinho, ele espalhava afago
Passos incertos, futuro na cara. Nenhum admitia.


Fim de tarde, pôr do sol, quase lua
Lua cheia. De desejo, de entrega, de luz
Mar calmo, quieto, simplório
Barulho zero, torpor à flor da pele
Eram os únicos da ilha, palco de toda dor.


Queriam coisas novas, tiveram novidades
Queriam coisas certas, tiveram inverdades
Negaram coisas prontas, enxergaram intimidade
Negaram coisas mortas, chegaram na idade


De viver e viver e viver
Mais um pouco, aonde der
Com você, sem você
Se esse quebra-mar quiser.


(Marcos Lima)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sabedoria de um escritor

Eu sei que você me lê. Eu sei que ainda compra meus livros escondida e diz por aí que são só uma fonte boba para sua pesquisa de mestrado. Eu sei de tanta coisa e não sei de quase nada. Não sei se me ver no ônibus carregando uma pasta preta te dá agonia ou pena. São somente edições de uma história que eu não queria contar, mas que acabei sendo obrigado pela vida a fazer. Sei também que eu poderia ter sido mais. Mais humano, mais digno, mais interessado, mais eu mesmo. Poderia ter sido menos também. Menos mandão, mal-humorado, menos afastado ou ciumento. Só não entendo por que ainda se esconde. Por que vira a cara toda vez que me vê, por que aparece em meus visitantes recentes no mundo virtual, por que resolveu ser assim. Machuca não ter você como fã. Machuca não saber se minhas vírgulas estão bem posicionadas, se meus adjetivos estão bem expressivos ou se meus pontos estão realmente pontuando alguma coisa. Machuca não ter você, sabe?! Não, não sabe. Não sabes de nada o que passa por aqui, pobre cristã. Não sabe se estou gordo, magro, calvo, velho, bonito ou feio. Só sabes que virei escritor. Um escritor bobo, desses que vira cada esquina procurando inspiração. Desses que ainda guarda um amor antigo na palma de sua mão. E que só pede uma coisa: que saibas - e entenda - que não te esqueci.

domingo, 29 de maio de 2011

Traumas musicais

Tramas e traumas: todo mundo tem. Um amor do passado que adorava Cazuza insiste em voltar toda vez que toca "Codinome Beija-Flor". Não responda nunca, meu amor, a qualquer um na rua "beija-flor", esse era o segredo de vocês. Música marca um bocado e você só percebe isso depois do último beijo, da última briga ou do último adeus. Até então, "Linger" era só a melodia que tocou em seu primeiro encontro, tal qual no filme Click.

Minha primeira música marcante foi "Wake Me Up When September Ends" do Green Day, lá em 2005. Marcante em relacionamentos, porque antes disso, muita coisa ficou guardada em forma de música por aqui. O clipe, aquela coisa melancólica de dizer adeus, e meu primeiro pseudonamoro contribuíram bastante pra banda americana encabeçar a lista. Era só eu ouvir a canção pra lembrar da maldita. Hoje estou curado (encontrei Jesus, encontrei Jesus).

2007 chegou e com ele um amor de verão, desses que vem de férias, passa 21 dias e te arrebenta bonito. Tempo suficiente para o Jota Quest e sua linda "Palavras De Um Futuro Bom" entrar no rol de músicas traumáticas. O som deixou de tocar todos os dias na rádio, a guria parou de falar comigo, mas mesmo assim, quando ouço, ainda dá vontade de precisar tanto aproveitar você, olhar seus olhos, beijar sua boca. Dizer palavras, palavras de um futuro bom.

O tempo passou e um trauma bem maior surgiu. Oasis e todas as suas músicas passaram a ser proibidão aqui em casa depois do fim de mais um pseudonamoro. A menina era fanática pela banda e ouvir Wonderwall sem lembrar do depoimento que ela havia me mandado com a letra da música era impossível. Graças a Deus que a banda acabou. Fim do trauma: mês passado, ouvindo "Stand By Me" na rádio, enquanto ia pra faculdade.

Por fim, tem a Colbie Caillat. Fim de 2009, casa da hoje ex-namorada, começo de namoro... O cd que rolava por lá era o "Coco" da Colbie. Festas de família, dá-lhe Colbie. Fim de ano? "Realize", "Bublly", "Magic". Por não contar com a possibilidade de que terminasse tão rápido, nem pensei em um possível trauma, portanto nem me preparei psicologicamente. Confesso que contarei por aqui quando eu ouvir "Battle" e não lembrar mais dela.

Hoje, a única certeza que tenho é que outros sucessos irão me traumatizar. Ou pelo menos me fazer lembrar de bons ou maus momentos. Dizem que eternizar é justamente isto: lembrar daquilo que você não quer, na hora em que menos imaginar querer!

domingo, 22 de maio de 2011

Pra ver A Banda Mais Bonita da Cidade passar

"Coração não é tão simples quanto pensa. Nele cabe o que não cabe na despensa. Cabe o meu amor! Cabe em três vidas inteiras. Cabe em uma penteadeira. Cabe nós dois. Cabe até o meu amor..."

Virou mania. De tempos em tempos, a internet descobre figuras que acabam fazendo sucesso em nosso dia a dia, seja na música, no humor ou em qualquer outro segmento cultural. Parte desse sucesso vem de vídeos postados no site Youtube, de perfis musicais criados no MySpace ou pela simples divulgação de uma opinião no Twitter. Artistas juvenis acabam sendo os mais beneficiados, haja vista seu maior contato com o mundo digital. E nós, os telespectadores, somos bombardeados diariamente com conteúdos agradáveis ou não.

Justin Bieber, Lady Gaga, Manu Gavassi e Fresno são alguns exemplos de cantores que alcançaram fama graças à massiva divulgação de suas músicas na rede mundial. No humor, figuras como PC Siqueira e Felipe Neto lideram as preferências graças a seus vídeos postados no Youtube. E tem muita gente bacana por aí, esperando seu vídeo alcançar 1 milhão de exibições em menos de uma semana pra garantir seu lugar ao sol. E foi o que aconteceu com a galera curitibana d’A Banda Mais Bonita da Cidade.

Com esse nome já dá pra ter ideia do que vem por aí. Ou eles são presunçosos demais ou realmente o conteúdo é que vale a pena. Nesse caso, fiquemos com a segunda opção. Em menos de uma semana (e até a conclusão desse texto), o clipe da música “Oração” da Banda Mais Bonita da Cidade já tinha alcançado 1.125.219 exibições. Como explicar esse sucesso estrondoso? Afinal, o que conta mais para a aceitação do público, o clipe, a música ou a divulgação?

Para alguns é o clipe. O vídeo, todo filmado em plano-sequência (sem cortes),  começa com um rapaz (o compositor da música, Leo Fressato, que não faz parte da banda) cabisbaixo, triste, cantando em um microfone e passeando pela casa. A cada cômodo que passa, músicos o acompanham com um instrumento diferente. No final, 16 pessoas estão reunidas em uma sala fazendo festa, como se fosse um grande encontro hippie, com vestidinhos florais, bermudões, etc.

Os que defendem que a música é o que garante o sucesso, o fazem pela sua facilidade de memorização, já que a letra tem apenas um parágrafo sequenciado, com palavras simples e rimadas. A divulgação também ajuda. No Facebook, 20.453 pessoas já curtiram a página da banda e o link com a música foi divulgado em vários perfis durante o fim de semana.

A prova de que simplicidade ainda é o melhor caminho para fazer sucesso está aí. A Banda Mais Bonita da Cidade chega para ser mais um hit da internet que, com certeza, terá retorno durante um bom tempo. Agora é esperar e aguardar mais coisinhas fofinhas aparecendo por aí. E enquanto elas não vêm, confira o clipe de “Oração”, aqui no Senhor do Tempo.