Eu nem sei se eles existem de verdade. Só parei pra pensar neles depois que uma grande amiga os citou em uma aula de Literatura… Os momentos mágicos existem de verdade ou é coisa de filme de fantasia da Disney?!
Seria interessante se pensássemos que esses momentos existem, só a título de curiosidade. Seria bom entender que só existe felicidade se existir um momento único, algo proveitoso e, ao mesmo tempo, intrigante, difícil de ser compreendido. Tentemos, então.
Um momento mágico pode ser a chuva que cai e que junto leva uma lágrima que rola em seu rosto. Pode ser o primeiro beijo, a primeira namorada, o primeiro emprego… Mas nunca pode ser o primeiro tombo, a primeira bebedeira e muito menos a primeira decepção.
Para viver um momento perfeito, com fadinhas e suas varinhas de condão, é necessário parcimônia, cautela e um quê de sorte, pois nem sempre a pessoa ao lado acredita em magia harry potteriana… Eu mesmo não acredito!
Os meus momentos felizes, porém, foram, se eu parar pra pensar, momentos mágicos. Eu estava com quem eu queria, na hora em que eu queria e do jeito que eu queria. Não importa o que o cara ao lado acha, o importante é você. Afinal, a felicidade momentânea é sua ou dele?!
Portanto, filhinhos, vivam cada momento como se ele fosse mágico. Façam de você e da pessoa ao lado, parte dessa magia. E algumas vezes, só pra variar, desacreditem em tudo. E voltem a acreditar quando houver motivos suficientes para se viver e obter a tão sonhada felicidade.
Em relação à grande amiga… Em uma outra postagem eu falo um pouco do muito que ela tem em seu interior. E isso não se resume somente à sua anatomia!!
Desde o século passado, a alienação já era discutida de forma racional. De que maneira somos consumidos pelo consumismo?! De que forma nos tornamos alienados diante de alguns meios de comunicação?! Foi pensando nisso que Theodor Adorno (1903-1969) acabou escrevendo a obra “Dialética do Esclarecimento”, onde o termo Indústria Cultural apareceu pela primeira vez, numa referência clara aos meios de comunicação em massa.
Mas qual seria o mal dessa tal Indústria? Adorno costumava dizer que “A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente”. Vejamos se é possível entender. O que o filósofo alemão queria dizer era que, se deixássemos a alienação tomar conta de nós, seríamos presa fácil do sistema, viveríamos baseados nos gostos alheios, anseios de terceiros, sem a formação de um caráter ou até mesmo de uma opinião própria.
O que era temido por ele, infelizmente, acabou acontecendo. Hoje em dia, a mídia nos coloca a disposição milhares de motivos pra vivermos enganados (ou parcialmente enganados) por ela. Deste modo, a obra de Adorno torna-se super atual, discutida por muitos estudiosos da área.
Em um cinema, por exemplo. Você vai ao cinema apenas para assistir a um filme. Mas ao chegar no local combinado, você se vê obrigado, pelo sistema, a comprar pipoca, refrigerante, docinhos e quem sabe um daqueles óculos 3D pra poder assistir ao filme, também em 3D.
O principal motivo dessa disseminação da Indústria Cultural está relacionado ao crescimento inevitável do capitalismo. Na época em que “Dialética do Esclarecimento” fora escrita, o capitalismo passava por um período de fortalecimento, onde a humanidade vivia doente, baseada na lei do comércio, dinheiro acima de tudo e de todos. O nascimento dessa mazela vem dos tempos da Primeira Revolução Industrial, consolidando-se com seu segundo período. É nessa época, por exemplo, que se vê crescer o individualismo, que, segundo Adorno, seria o fruto dessa Indústria Cultural.
É importante ressaltar que, nessa Indústria, o homem não passa de mero instrumento, ou seja, objeto. É ele o alvo de tudo. Das promoções-relâmpagos aos descontos de 5% dados em uma loja. Até o seu próprio lazer torna-se um complemento ao trabalho, por isso tantas opções de bares, casas de festa, etc. Ainda no comércio, a dúvida impera: que produto escolher? O mais barato, o mais caro, o melhor? Que nada! Todos estão ali, basta pegar o mais bem embalado e mais colorido e levar. Pegue leve.
E o problema do consumismo? A Indústria Cultural cria o produto, torna-o supérfluo e acaba fazendo o objeto (homem) consumi-lo, de forma a não critica-lo, muito menos escolhê-lo. É a alienação tomando conta de uma sociedade gravemente doente e sem previsão de cura.
O que dizer de uma cidade cheia de encantos e belezas naturais, às vésperas de completar 400 anos?! O que escrever a respeito de uma cidade simples, que foi se adaptando com o tempo às várias mudanças sociais?! O que falar das lendas, das histórias populares contadas por quem tem muito mais o que contar?!
São Luís completa hoje, 8 de Setembro de 2008, 396 anos de história. Uma história de luta, adaptação e de muita beleza. Foi nessa cidade que passei (e passo) meus primeiros 16 anos de vida. Aprendi muito com ela. O bê-á-bá, os primeiros cálculos, os primeiros passeios, os primeiros amores... Não sei o que o futuro me reserva, mas de antemão garanto: São Luís fez, faz e sempre fará parte de minha vida!
Capital do Maranhão, São Luís vive hoje o reflexo de um passado carrasco, onde batalhas por posse, tomada de igrejas e diversas formas de colonização, a fizeram mais forte. Mais forte devido a sua beleza única, que nenhuma outra capital do Brasil, quiçá do mundo, tem. Vivo feliz em saber que a cidade em que vivo é Patrimônio Cultural da Humanidade.
São Luís é a única cidade do Brasil fundada por franceses, sob o comando de Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, um nobre da época. As tropas da França chegaram à cidade em 1612, e o tal nobre logo tratou de construir um forte a que nomearam São Luís, em homenagem a Luís IX, patrono da França, e ao rei francês da época, Luís XIII.
Porém, há controvérsias em relação a isso. Já que os franceses acabaram sendo expulsos por Alexandre de Moura em 1615, dando espaço aos colonizadores portugueses, que trouxeram praticamente toda a azulejaria conhecida hoje, e só construíram um forte, ao invés de uma cidade, há de se convir que os verdadeiros colonizadores da terra seriam os portugueses. Contudo, São Luís também esteve sob o controle de holandeses, o que aumenta ainda mais a discussão.
Minha cidade faz história todo santo dia, com suas festas, sua cultura popular, como o Bumba-Meu-Boi, o Cacuriá, o Tambor de Crioula, o Tambor de Mina... De um lado o clássico, beirando o bucólico, de um outro o moderno, beirando os problemas. Problemas esses que existem, mas que hoje vou me privar de falar.
A Cidade dos Azulejos, a Atenas Brasileira, a Ilha do Amor, a Ilha Bela, a Jamaica Brasileira e tantas outras denominações, todas, demonstram no significado de cada uma delas, como é bom poder sair pela cidade e ver que o passado ainda existe e que o novo também está ali, respeitando seu espaço, ao passo que é de um imenso prazer poder dizer que sou cidadão ludovicense. Falo com entusiasmo, pois sei exatamente o que é ser daqui, dessa terra, desse chão e enfrentar todos os dias as mazelas do mundo atual, olhando pra janela e vendo que tudo, se depender desse clima, desse povo, dessa receptividade, que tudo ainda tem solução.
Parabéns, São Luís. Desejo tudo de bom pra ti! Que teus governantes saibam cuidar bem de ti para que chegues aos 400 como uma bela jovem, aquela por quem primeiro me apaixonei quando vi andando por uma de tuas ruas. Que daqui a 4 anos muita coisa mude, mas mude pra melhor, e que eu seja mais feliz ainda em dizer que amo a cidade em que vivo!
E você, leitor, venha conhecer minha cidade. Garanto-te que não vai se arrepender. Daqui a 4 anos ela vai mudar mais ainda, espero. Mas 4 anos é muito tempo...
Essa história de escrever não é pra qualquer um, mesmo. Haverá dias em que você vai estar super inspirado, vai deixar as palavras simplesmente fluírem da sua cabeça, esteja escrevendo ou digitando, e embarcar em um mundo diferente, que te prende e, ao mesmo tempo, te fascina. Porém, em certas noites modorrentas, nem sequer um verbete vai conseguir se desfazer daquele emaranhado de idéias e você vai ser mais um frustrado por não conseguir traduzir em palavras o que está sentindo naquele momento.
Calma. Não estou aqui dizendo que você jamais vai conseguir escrever ou que não é sábio o bastante para isso. Não! O que quero deixar claro é que escrever, seja pra você mesmo ou para os outros, não é tão simples quanto respirar. Existem várias maneiras de se fazer o escrever. Vamos às duas que considero principais:
A primeira é a escrita forçada, aquela das suas aulas de redação e das tardes gigantes do dia do vestibular. Ela é fácil, o problema é a pressão que o tempo exerce sobre você naquele momento. Isso sem falar nos professores mestres em redação que conseguem descobrir um erro por mais escondido que ele esteja. Tem como imaginar que aqueles caras já fizeram uma redação mal-feita alguma vez na vida?!
A outra é a escrita que mais se populariza hoje em dia, com o advento da internet. É o escrever quando bem se entende, é a escrita dos diários virtuais, dos blogs, da rede em geral. Excluindo alguns desses blogs, que seguem a tendência de uma escrita correta na net, encontramos um outro problema em relação a essa forma de exprimir idéias aparentemente fácil: a evolução evidente de uma nova linguagem, chamada por alguns de “internetês”.
O tal “internetês” virou o grande vilão dos educadores dessa geração. Em uma sociedade onde cada vez mais a criança e o adolescente passa grande parte de seu tempo livre navegando, fica evidente que esse mesmo tempo, tão precioso para todos nós, faz com que palavras ganhem inúmeras formas de abreviação, o que reflete na própria aprendizagem do aluno. Ou alguém já imaginou um desses viciados em internet sentado na cadeira da ABL, escrevendo um artigo para um desses jornais famosos?!
É por essas e outras que escrever não é a tarefa mais simples de todas. Requer, acima de tudo, prática, leitura e uma boa visão de mundo. Ah! E é bom ter uma inspiração por perto, senão o que diriam os nossos ancestrais, inventores da escrita pré-histórica?!
No mínimo iriam te mandar desenhar a bunda da mulher melancia...
Vulgar pode ser um ato, às vezes estranho, convenhamos Mas quem não é vulgar? Vulgar na omissão Vulgar em seu íntimo Até mesmo vulgar pra todo mundo ver
Existe o vulgar sensato, aquele banal, que ninguém liga Tem o vulgar aparentemente normal Que todo mundo gosta, mas todo mundo condena
Vulgar pode ser ou virar história Pode ser comédia, drama, recital ou mesmo uma baladinha de sexta à noite
Pode ser amiga, inimiga, segunda ou domingo
Vulgar nada mais é do que ser vulgar E ser vulgar nada mais é do que deixar de fazer parte de um mundo extremamente vulgar E dar asas à imaginação de um mundo novo Um mundo normal, um mundo perfeito Só que um mundo mais vulgar ainda...
Todas as pessoas têm prazo de validade. Seja por envelhecer ou por deixar de fazer parte de sua existência, pelo menos naquele instante.
Não falo de morte ou de uma viagem para o desconhecido. Vai muito além. Enjoar a cara das pessoas com que você convive diariamente faz parte desse show chamado vida. Existem aquelas que você jura que nunca vai se aborrecer e acaba por sentir um repúdio mais forte que o poder divino.
Sim. Deus também cansa de ouvir tanta reclamação ao pé do ouvido. Ou você pensou que Deus fosse tão paciente quanto o Rubinho Barrichello?! Sim. Ele é paciente, bondoso e nunca esquece de você. Mas é que, às vezes, é bom brincar de ser Deus.
Já imaginou se você pudesse ser Deus?! Traria a paz pro mundo, baseada em ideais socialistas, ou só iria ligar pra si, reafirmando a doutrina capitalista existente? Aposto que você ficaria com a primeira opção, mas faria exatamente igual à segunda.
Em relação ao prazo de validade citado no início desse texto... Eu não sei como me agüento!! Sinto que minha data de validade chega todo dia, mas eu consigo me renovar, com o auxílio de outras pessoas, daí a necessidade de se fugir da solidão. Mas será que dá pra fugir da solidão quando você vê o prazo de validade do outro vencer?!
Na realidade, essa validade é um juízo feito por nós. Amadurecemos, envelhecemos e somos, na maioria das vezes, mais respeitados por isso. Pra quê então dizer que o outro está velho, louco ou desvirtuado das idéias?! Um dia, pode acreditar, nossa validade também chegará ao fim e ficaremos maluquinhos da vida por não poder se renovar.
Ah! Isso vale também pra validade do amor. A hora, a pessoa e o lugar certo, eles vão aparecer. O negócio é não julgar-se por ser velho ou inexperiente demais. Todos começaram inexperientes e terminaram a vida experientes até demais...
Preciso parar por aqui. Pretendo dormir e começar um novo mês. De descobertas, romances, desilusões, poemas e tudo mais que Deus me reservar. Pois sem Ele, nossa validade já teria se esgotado há muito tempo...
Resolvi fazer algo diferente dessa vez: tratar sobre o assunto dos próximos meses - a política. Não a política superficial, que quase sempre se torna negativa, mas encontrar uma maneira de se estabelecer uma política consciente, que deveria ser seu verdadeiro papel aqui no Brasil.
“Mas nós dançamos no silêncio Choramos no carnaval Não vemos graça nas gracinhas da TV Morremos de rir no horário eleitoral...”
Engenheiros do Hawaii
Falar sobre política no país em que vivemos sempre foi um assunto meio complicado. Passamos por uma época de Império, onde os sonhos republicanos se faziam cada vez mais presentes no cotidiano da população. Depois disso, a República não se efetivou de fato, como todos sabemos. Veio a ditadura, a censura e a repreensão, trazendo consigo o amargo sabor da derrota democrática, que após um bom período, conseguiu se estabelecer pelo menos como forma de governo oficial.
Hoje, coexistimos em uma sociedade democrática, onde o voto é a ordem, a única voz, consciente ou não, do que a população espera para si. Porém, de uns tempos pra cá, o voto anda fazendo parte do que eu chamaria de “política capitalista”, onde candidatos a cargos públicos induzem o eleitor a votar neles em troca de uma cesta básica, de alguns trocados ou um salário mínimo. E já que a situação do eleitor não está lá essas coisas, é quase que admissível a tal compra de votos. Coisa, no mínimo, cruel.
Mas, analisando friamente o que candidatos e candidatas fazem para que sejam eleitos, vemos que está mais do que na hora de pôr a mão na consciência e evitar o mal pela raiz. Ou seja, impedir que candidatos desse porte induzam a população ao interesse deslavado pelo dinheiro e que, ao invés disso, façam com que a população ganhe um trocado de uma forma honesta e deixe de pagar tanto tributo.
Nós, jovens, merecemos um país melhor, livre de tanta corrupção, de tanta palhaçada e bandidagem. Queremos acreditar em pelo menos alguma coisa que vocês candidatos falam. É impossível ser fantoche em uma sociedade onde a cada minuto pessoas morrem de forma medíocre, às vezes por causa de 50 centavos, às vezes por causa de erros de pessoas que dizem fazer nossa segurança ou por causa da falta de oportunidade.
Queremos liberdade, igualdade e fraternidade. Sempre quisemos, mas ninguém nunca nos ouviu. Calaram nossa voz, elegeram governantes despreparados e nos impediram de gritar no mais alto de nossa voz: CHEGA!!
Neste 5 de Outubro, vote consciente e, acima de tudo, com a esperança de que tudo isso pode mudar.
Mas o que esperar de um país onde jovens são presos na bebedeira, se vestem de preto e vivem em micaretas?! Puro devaneio...
Confesso que estava sem um tema pra escrever. Acho que isso se deve ao fato de a inspiração ter ido passear um pouco e me deixado tomando conta da minha vida. E que vida!! Nesses últimos dias, aproveitei um pouco do meu descanso, que os outros chamam de férias, pra encontrar meus amigos, relembrar minha infância, reconfigurar meu outro blog, dentre outras coisas que acompanham, de brinde, os pronomes possessivos.
Vi um simples garoto se tornar um brilhante artista, perante um público de mais ou menos 2 mil pessoas; presenciei a volta triunfal de um amigo do mundo obscuro da solidão; comemorei o aniversário de uma menina-mulher; vibrei o nascimento de uma vida nova; ouvi histórias cabeludas de um casal por aí; conheci uma pessoa que eu sei que vou acabar magoando; ouvi e vi coisas de gosto duvidoso; renovei o layout/template de uma página na internet; assisti na TV algo que me fez pensar o quão perigoso pode ser o mundo da internet; conheci, de fato, lugares que eu já conhecia; prometi coisas a mim mesmo; joguei GTA; passei de fase; disse coisas de gosto duvidoso; andei de dia; passeei de carro à noite; ri; fiz ironia; pensei; briguei (brigas de sempre, que com um beijo ou abraço se resolvem logo)...
Enfim. Nada de tão sobrenatural...
Agora que você já sabe o que eu andei fazendo, por que não deixa um comentário e me fala o que achou de eu elencar as coisas que fiz durante uma das melhores semanas de minha vida?!
Sinceridade... Só faltou você!!
"O que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos."
Impressionante a capacidade que pessoas aleatórias têm - de ser "a melhor pessoa de todos os tempos". Todo dia, andando pela rua, eu me deparo com uma pessoa que eu nunca vi na vida e penso: "eu preciso conhecer essa guria", "ela é a melhor pessoa do mundo". E vale salientar que eu não me prendo apenas à beleza física, ou na escolha das roupas, nem mesmo naquele mais-puro-charme, quando penso nisso. É uma questão de vibrações. E eu falo de "vibrações" no sentido menos hippie da palavra. É como se vibrássemos em freqüências semelhantes. É como se eu mandasse sinais, códigos, para todos os lados, e esses códigos coincidissem com os dela.
Se ela é mal-educada, não sei. Burra? Não sei! Tem mau hálito? Como saber, se eu nem conversei com ela? "E por quê eu não cheguei e falei?" - me pergunto, em "Depois de Voltar". A resposta me vem à cabeça antes mesmo de colocar a interrogação no final do verso. É que eu não poderia suportar o fato de saber que essa pessoa não é a melhor pessoa do mundo. Eu não gostaria nem um pouco de saber que trata-se de uma pessoa comum, cheia de defeitos e características que eu possa vir a detestar. Eu não quero que ela seja desse mundo.
Então eu prefiro me agarrar a esses poucos minutos em que eu fico imagino. Eu penso que aquele olhar meio perdido, que lembra muito o meu, não é uma coincidência. Eu penso que ela só não me viu porque, assim como eu, está com a cabeça nas nuvens e, de lá, manda sinais, também para todos os lados. E é assim que eu me apaixono, meus caros, mesmo que seja por um punhado de minutos. Todo dia é assim.
No entanto, se existe alguma coisa que me motiva a sempre sair na rua e mandar esses sinais sem destinatário, é o fato de eu acreditar nas coincidências absurdas que se escondem por detrás de todas essas esquinas. De alguma forma, lá no fundo, eu sei que vou tropeçar em ti, mais cedo ou mais tarde. Sei que não vai haver distração capaz de tirar o teu olhar do caminho do meu. Algo vai acontecer, e os nossos sinais vão se coincidir, vamos colidir de forma tão violenta que a nossa vibração vai ser uma só. Vamos ressonar, pra todo mundo ouvir e voltar a acreditar que as "melhores pessoas do mundo", de fato, existem. Aí eu virei aqui pra contar que o destino realmente existe, e que muitas das nossas melhores histórias são escritas a quatro mãos, de olhos fechados, e sem revisão ortográfica.
Quando eu digo que o futuro é agora, quero dizer que o final dessa história depende do começo, da primeira linha, da primeira palavra. É por isso que eu pego a caneta pra escrever os meus dias nas calçadas, nas marquises, vitrines e paredes. É por isso que eu vou vagar sem rumo, sem mapa, por essas ruas, seja de Porto Alegre, ou de qualquer outro lugar do universo. É porque eu tenho certeza de que, um dia, eu vou tropeçar em ti, mesmo que tu ainda não exista. Mesmo que tu sejas uma utopia, uma ilusão que eu criei na minha cabeça. Mesmo que tu não passes de uma paixão-de-5-minutos. Mesmo que, para isso, eu tenha que esquecer como é que se volta pra casa.
Há certas horas, em que não precisamos de um Amor... Não precisamos da paixão desmedida... Não queremos beijo na boca... E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado... Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça... Que ache nossas tristezas as maiores do mundo... Que nos teça elogios sem fim... E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado... Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Acho que não sei quem sou. Também tenho andado às voltas comigo mesmo pra descobrir do que não gosto. Nunca faço pouco gosto. Gosto daquilo que me anima, que me enlouquece, que me atiça e que me adormece. Gosto da verdade, de verdade. Sem mentiras ou meias mazelas. Um copo transbordado, transbordando de vazio. Silêncio. Absurdo barulho. Desconfio do improvável e confio cegamente nas mais belas mentiras. Devo amar ser enganado? Vai ver sou apenas assim: um paradoxo elevado ao quadrado de mim mesmo. Ou uma mera litania!